Alanis Morissette retorna ao Brasil com show nostálgico e energético, mas sem interação com o público

Após 12 anos sem pisar em terras brasileiras, Alanis Morissette desembarcou em São Paulo na última terça-feira (14) para um show único e cheio de energia da turnê de 25 anos do álbum emblemático Jagged Little Pill, no Allianz Parque. Pitty ficou responsável pela abertura e trouxe também turnê ACNXX, celebração dos 20 anos do disco Admirável Chip Novo, para os fãs calorosos da canadense.

Iniciando o show com um vídeo introdutório que destacava o sucesso e a trajetória que se desdobraram desde o lançamento do álbum em 1995, a cantora entrou ao palco com sua gaita para cantar de All I Really Want, como o esperado, com a mesma energia dos primeiros shows aos 21 anos, andando de um lado para o outro e o olhar perdido enquanto exibe sua potência vocal mais trabalhada do que antes.

Entre as faixas mais aclamadas da noite Head Over Feet e Ironic, esta última incluindo uma homenagem a Taylor Hawkins, baterista do Foo Fighters que fez parte da banda e faleceu em 2022, se destacaram. Ambas receberam coros entusiásticos da plateia, que entoou os hits dos anos 90 a plenos pulmões, marcando uma era.

Mary Jane, acompanhada de uma apresentação visual com fotos da cantora e do seu corpo ao longo da carreira para representar a anorexia citada na música, emocionou a plateia, levando os fãs às lágrimas com a entrega no palco, apesar de não estarem cantando junto como nas outras. Além de sua característica gaita e violão, Morissette foi acompanhada por uma banda composta por dois guitarristas, baixista, baterista e tecladista, que foram apresentados separadamente durante o show. Em um momento de grande energia, ela ainda protagonizou um duelo de solos de guitarras.

No meio da setlist de celebração, ela ainda incorporou ao show as faixas Ablaze, Smiling, que ganhou um rodopio vibrante e incessante no clímax, Reasons I Drink, Nemesis e Losing The Plot, do seu disco mais recente Such Pretty Forks in the Road, de 2020.

Apesar da energia contagiante e potência vocal hipnotizante, Alanis manteve uma interação com o público limitada entre uma música e outra, sem grandes interrupções para dar uma atenção maior e mais calorosa aos fãs que esperaram 12 anos para revê-la. A falta de conexão com a artista é notória quando as músicas menos conhecidas do álbum não são cantadas em coro, mesmo que haja identificação do público com as letras.