O metalcore tem sido o gênero que se transformou no lar de bandas que desafiam os limites do som e da composição. Poucas fazem isso com a intensidade, entrega e profundidade filosófica do Silent Planet. Formada em 2009 na Califórnia, a banda vai além dos breakdowns explosivos e vocais agressivos. Suas composições são poesias que abordam temas como saúde mental, espiritualidade e questões sociais, criando uma experiência visceral e introspectiva.
O som do Silent Planet ecoa entre os entusiastas do metalcore a cada lançamento. A fusão com progressivo, sintetizadores e atmosferas etéreas cria uma experiência singular. O impacto emocional é potencializado pela honestidade na forma como contam histórias, mesclando fúria e reflexão em cada faixa.
A banda consolida sua identidade com cinco álbuns de estúdio, cada um deles com uma narrativa distinta. Estreando em 2014, The Night God Slept aborda narrativas de indivíduos, em sua maioria na perspectiva feminina, marginalizados e oprimidos, em contextos de histórias de guerra, tráfico humano e injustiças sociais. No segundo álbum, Everything Was Sound (2016), o Silent Planet foca na saúde mental consequente da desilusão na cultura moderna e nas falhas do modernismo, explorando diversas condições psicológicas e o estigma associado a elas. Em When the End Began (2018), aborda-se questões psicológicas em frente à sociedade, atrelando batalhas internas com crises que a humanidade enfrenta. Desenvolvido durante a pandemia, Iridescent explora reflexões sobre perdas, esperança e resiliência em tempos sombrios
Um dos diferenciais do Silent Planet é sua capacidade de colaborar com artistas e bandas que também são referências no metalcore, criando conexões que enriquecem sua música, ampliam seu alcance e demonstram sua abertura para explorar novas sonoridades e ideias em conjunto com outros artistas que compartilham da mesma paixão por música intensa e significativa. Entre as participações notáveis estão Joel Quartuccio (vocalista do Being as an Ocean), Rory Rodriguez (vocalista do Dayseeker) e Spencer Chamberlain (vocalista do Underoath). Além disso, a banda já lançou singles em parceria com o Fit For a King e o EP Bloom In Heaven em colaboração com o Invent Animate.
A escolha por esses temas se deve às histórias e experiências do vocalista Garrett Russell, que traz como bagagem sua graduação na área de Psicologia e a admiração por autores existencialistas como Jean Baudrillard, Jean-Paul Sartre e Albert Camus. Para o compositor, a música tem um papel fundamental na abordagem de temas relevantes e muitas vezes negligenciados. Em uma entrevista para a revista Alternative Press, ele destacou sua frustração com a falta de profundidade em algumas bandas, ressaltando: “Ouço músicas legais e tudo mais, mas elas não parecem realmente se aprofundar, falando sobre questões sérias. E isso me deixa um pouco desapontado, porque acho que quanto mais pesada e crua for a música, mais as pessoas deveriam estar dispostas a se expressar e falar sobre coisas reais que estão acontecendo na vida das pessoas.”
Para explorar temas reflexivos, profundos e existenciais, a banda utiliza de mais dois fatores para transparecer esses pontos aos fãs em seu mais recente álbum, SUPERBLOOM (2023): o peso da pandemia e um grave acidente de van no ano de 2022, que fez com que os integrantes sentissem esses temas à flor da pele.
Durante a pandemia, o confinamento e a impossibilidade de viajar afetaram profundamente a banda, amplificando sentimentos de inquietação e frustração. Esse período trouxe uma carga emocional intensa, refletida na sonoridade mais agressiva e visceral do álbum. O isolamento forçado despertou um desejo por algo maior, um anseio pelo desconhecido, reforçado pela crescente especulação sobre fenômenos como OVNIs e a imensidão do universo. A ideia de sermos insignificantes no grande esquema das coisas aparece como um alívio e uma metáfora poderosa dentro da obra.
Já o acidente de van, um evento inesperado após anos de estrada, trouxe um novo senso de urgência e propósito à banda. O choque de encarar a fragilidade humana e a imprevisibilidade da vida fez com que cada integrante sentisse a necessidade de se entregar completamente ao álbum, sem concessões. O sentimento de quase perder a vida os fez analisar e pensar com um novo olhar não apenas sobre a carreira no meio musical, mas também sobre a forma como visualizam a própria mortalidade.

O impacto desse episódio, somado às experiências subsequentes, moldou profundamente SUPERBLOOM, trazendo uma storytelling sobre a expansão de consciência de um ser que ultrapassa os limites do que temos conhecimento sobre o planeta Terra. É a experiência de alguém indo de um estado, que é humano, para se tornar algum outro tipo de organismo inteiramente. “Desta vez, sabíamos que precisávamos fazer totalmente o que queríamos. Deixar tudo de nós mesmos dentro disso, porque você nunca sabe se será sua última declaração”, reflete o frontman para a Rock Sound.
A banda combina esses elementos em sua sonoridade também, dando um ar futurista porém sem se afastar da sua identidade explosiva. Explosão tal qual o evento que dá ao nome da última faixa e do álbum. Super floração, um fenômeno natural raro em que vastas áreas do deserto da Califórnia florescem simultaneamente após períodos de seca seguidos por chuvas intensas. Em 2023, esse evento ocorreu com força incomum devido ao aumento das precipitações, transformando paisagens áridas em um mar de cores vibrantes. Essa explosão de vida serve como metáfora para a resiliência e a renovação – temas que ecoam com força nessa narrativa.
Silent Planet no Brasil
Com SUPERBLOOM, a banda alcança um novo patamar artístico, onde a fúria sonora se encontra com a profundidade filosófica, criando uma experiência que é tanto catártica quanto transformadora. E agora, os fãs brasileiros terão a oportunidade de vivenciar essa explosão de consciência ao vivo.

Em 2025, o Silent Planet fará sua estreia na América do Sul, com duas datas imperdíveis no Brasil: 12/04 em São Paulo (City Lights) e 13/04 em Curitiba (Belvedere). A turnê, que também passará por Santiago, no Chile, celebra o lançamento de SUPERBLOOM, álbum aclamado pela crítica e considerado um marco na carreira da banda. Com realização da New Direction Productions, Àldeia Produções Artísticas e Monkey, a tour promete entregar ao público brasileiro uma experiência única, marcada pela intensidade emocional e técnica que só o Silent Planet é capaz de oferecer.