A fama, sem dúvida, é uma faca de dois gumes. Por um lado, permite que artistas vivam da própria arte. Por outro, traz junto uma avalanche de pressão, exigências da indústria e expectativas do público.
No entanto, quando falamos de rock, estamos falando de rebeldia. Por isso, não é surpresa que alguns artistas tenham simplesmente decidido romper com o que todos esperavam. E a maneira mais direta de fazer isso foi lançar álbuns que desafiaram fãs, gravadoras e o mercado – de propósito.
Portanto, aqui estão 5 discos que fizeram exatamente isso:
Nirvana – In Utero (1993)
Após o sucesso de Nevermind, o Nirvana tomou uma decisão ousada. Ao invés de repetir a fórmula que os levou ao topo, a banda lançou In Utero, um disco mais cru, agressivo e desconfortável. Kurt Cobain, claramente incomodado com a fama, quis afastar os holofotes. Como resultado, o álbum soou propositalmente menos acessível, mais pesado e cheio de ruídos.
Radiohead – Kid A (2000)
De forma semelhante, o Radiohead também virou as costas para o sucesso. Depois de OK Computer, muitos esperavam outro clássico do rock alternativo. Entretanto, Thom Yorke e sua banda entregaram Kid A, um mergulho no eletrônico, no experimental e no estranho. Sem hits, sem refrões e quase sem guitarras, o álbum desafiou qualquer expectativa comercial da época.
MGMT – Congratulations (2010)
O MGMT explodiu no cenário indie com Oracular Spectacular, graças a hits como “Kids” e “Electric Feel”. No entanto, quando poderiam ter seguido a trilha do sucesso, decidiram fazer diferente. Congratulations é psicodélico, denso e sem singles fáceis. Naturalmente, muitos fãs estranharam. Ainda assim, a dupla deixou claro que não estava interessada em ser uma banda pop de festival.
Bob Dylan – Self Portrait (1970)
Bob Dylan foi, talvez, quem mais deixou clara sua intenção de desagradar. Em uma entrevista anos depois, ele admitiu que lançou Self Portrait para afastar o próprio público. Segundo ele, queria que as pessoas simplesmente o esquecessem. Portanto, entregou um disco cheio de covers, versões estranhas e escolhas desconexas. Apesar de tudo, ironicamente, o álbum vendeu muito bem na época, principalmente no Reino Unido.
Lou Reed – Metal Machine Music (1975)
Por fim, chegamos ao exemplo mais extremo. Metal Machine Music é, basicamente, uma hora de barulho, distorções e microfonias, sem melodias, sem ritmo, sem estrutura. Lou Reed sabia exatamente o que estava fazendo. Tanto que afirmou: “Vocês não vão gostar. E eu não os culpo.” Alguns dizem que foi uma vingança contra a gravadora. Outros acreditam que foi pura provocação artística. De qualquer forma, o álbum virou um marco de como o rock também pode ser um ato de afronta.


