Banda gerada por IA alcança 500 mil ouvintes no Spotify em duas semanas

The Velvet Sundown, foto via Instagram

A suposta banda de rock psicodélico The Velvet Sundown virou assunto nas redes após atingir meio milhão de ouvintes mensais no Spotify. O grupo lançou dois álbuns em menos de 15 dias e promete um terceiro para julho. No entanto, há um detalhe curioso: tudo indica que se trata de uma banda inteiramente gerada por inteligência artificial.

Imagens suspeitas e integrantes impossíveis de rastrear

Perfis no Twitter notaram que o grupo surgiu do nada e com sinais claros de uso de IA. As fotos postadas nas redes sociais têm visual amarelado e suavizado, típicos de imagens criadas por geradores visuais. Além disso, nenhum dos quatro integrantes listados na biografia tem presença digital fora da conta da banda, criada no Instagram em 27 de junho.

Segundo a descrição oficial, The Velvet Sundown é formado por Gabe Farrow (vocais e mellotron), Lennie West (guitarra), Milo Rains (sintetizador) e Orion “Rio” Del Mar (percussão). Até o momento, esses nomes não aparecem em nenhuma outra fonte confiável.

Apesar das suspeitas, os números impressionam. A faixa Dust on the Wind já se aproxima de 500 mil streams no Spotify e foi incluída em playlists populares como Vietnam War Music e Good Mornings – Happily Positive Music to Start The Day.

Além disso, os álbuns estão disponíveis em outras plataformas, como Apple Music, Amazon Music e Deezer. Neste último, há um aviso claro: “Algumas faixas deste álbum podem ter sido criadas usando inteligência artificial.”

Internet reage: “Quanto tempo até alguém aparecer com a camiseta?”

A existência relâmpago do The Velvet Sundown chamou atenção também entre músicos. Garrett Russell, vocalista da banda de metalcore Silent Planet, comentou no X (antigo Twitter):

A observação, carregada de ironia, evidencia o estranhamento com o hype em torno de uma banda que, ao que tudo indica, nunca existiu de verdade, mas já projeta identidade visual, discografia e, quem sabe, produtos licenciados.

Estética fabricada e discurso artificial

O tom “poético” da biografia oficial reforça o caráter fictício da banda:

Há algo silenciosamente fascinante em The Velvet Sundown. Você não apenas os ouve, você se deixa levar por eles.


A descrição continua:

Eles soam como a memória de um tempo que nunca aconteceu… mas, de alguma forma, fazem com que pareça real.

O terceiro álbum, intitulado Paper Sun Rebellion, está previsto para 14 de julho.

IA e a indústria musical: preocupação crescente

Nos últimos meses, aumentaram as preocupações com o uso de IA em serviços de streaming. Uma reportagem da Harper’s Magazine sugeriu que o Spotify estaria usando “artistas fantasmas” para pagar menos royalties. Em paralelo, um estudo recente estima que músicos podem perder até 24% de sua receita até 2028, caso não surjam regras mais claras.

Por outro lado, alguns artistas têm abraçado a tecnologia. Grimes lançou uma plataforma de IA chamada Elf.Tech, que permite ao público criar músicas usando sua voz. Björn Ulvaeus, do ABBA, e Timbaland também anunciaram projetos musicais com apoio de inteligência artificial.