Gilberto Gil se despede de Curitiba, com show épico de quase três horas

Gilberto Gil no palco da turnê Tempo Rei em Curitiba, ao lado de sua banda, em show na Arena da Baixada.
Gilberto Gil se apresenta em Curitiba com a turnê de despedida Tempo Rei, diante de 40 mil pessoas na Ligga Arena. Foto: Luiz Milczwski (Moodgate)

É impossível assistir a algum show completo da turnê Tempo Rei sem chegar à conclusão de que esta é a excursão musical mais grandiosa que Gilberto Gil já realizou. Entre março e junho deste ano, centenas de milhares de pessoas descobriram isso, em Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília ou Belo Horizonte, mas, na noite deste sábado (05/07), foi a vez desta turnê aterrissar no sul do Brasil – mais especificamente, na cidade de Curitiba.

Cerca de 40 mil pagantes se reuniram, ontem, na Arena da Baixada (estádio do time de futebol Athletico Paranaense). A grande maioria desse público estava conferindo o novo espetáculo de Gil pela primeira vez – o que contribuiu muito para que o encantamento na plateia acontecesse de forma visível e generalizada. Logo na abertura do show (onde vídeos promocionais e faíscas pirotécnicas antecedem a canção Palco) fica claro que a produção que a 30eBR providenciou para esta turnê é monumental a níveis estratosféricos –  e, no decorrer do espetáculo, essa impressão só se reforça.

Enquanto dois telões acompanham Gil e sua banda sendo filmados em tempo real, outros dois projetam imagens imersivas que variam a cada música, com o intuito de mergulhar o público na atmosfera singular de cada canção. É difícil escolher o momento visual mais impactante do show, mas arrisco dizer que ele acontece logo após a sétima música – quando um vídeo de Chico Buarque falando do hino-anti ditatorial Cálice aparece, para que, logo em seguida, essa canção seja tocada ao vivo por Gil, enquanto imagens críticas à Ditadura Militar Brasileira aparecem no telão.

Além das imagens nos telões, outros grandes destaques na produção deste espetáculo são os momentos pirotécnicos em Realce e a chuva de papel picado em Toda Menina Baiana (última das 30 canções do setlist). Porém, é claro que a estrutura grandiosa da 30eBr é somente a ‘’cereja do bolo’’: as coisas que mais impressionam na turnê Tempo Rei são o pique de Gil e a banda de apoio afiadíssima do artista – aliás, ao longo do espetáculo, todos os exímios instrumentistas que acompanham Gil ganham momentos de destaque (ao todo, são 16 músicos, incluindo três filhos, um neto e uma nora do cantor baiano).

Embora o setlist tenha sido o mesmo que foi seguido nos shows anteriores desta turnê, ninguém presente no palco demonstrava sinais de cansaço. Durante as duas horas e quarenta minutos do espetáculo, o clima era de celebração à carreira brilhante de Gil e toda a plateia curitibana entrou nessa atmosfera, também.

O artista estava visivelmente feliz por estar em Curitiba pela primeira vez em anos – ele expressou a sua admiração pelo falecido escritor local Paulo Leminski, se referiu à cidade como ‘’a capital do Reggae no Brasil’’ e, durante a canção Não Chores Mais, chegou a fazer dueto com uma ilustre curitibana: a atriz/cantora Marjorie Estiano.

É extremamente gratificante ver que Gilberto Gil está tendo o privilégio de viver uma turnê de despedida tão épica assim, no alto dos seus 83 anos de idade. Tanto as plateias quanto os organizadores da Tempo Rei estão dando o respeito que ele realmente merece, por ter dedicado mais de seis décadas à arte brasileira. Esta é uma despedida que todos os fãs do cantor precisam conferir ao vivo. Cada show desta excursão é um capítulo novo escrito na história da música nacional.