Mike Hranica, vocalista do The Devil Wears Prada, fala sobre bastidores, reação de Lauren Weisberger à banda, crises de identidade e expectativa para o Brasil

Integrantes da banda The Devil Wears Prada posam juntos para foto promocional de 2025.
The Devil Wears Prada em 2025 — foto por Imani Givertz

Após mais de uma década de espera, o The Devil Wears Prada está prestes a retornar ao Brasil. A banda norte-americana liderada por Mike Hranica desembarca em solo brasileiro para dois shows: Curitiba, no dia 16 de agosto, e São Paulo, no dia 17. Esta será a primeira visita do grupo ao país em 13 anos.

Nome consolidado na cena do metalcore, o The Devil Wears Prada surgiu em 2005, no estado de Ohio (EUA). Ao longo de quase 20 anos de estrada, a banda passou por transformações significativas — musicais, pessoais e ideológicas —, que moldaram seu som atual e fortaleceram a conexão com fãs ao redor do mundo.

Em entrevista exclusiva à Moodgate, Mike Hranica compartilhou reflexões sobre a trajetória da banda, falou sobre crises de identidade, evolução pessoal, bastidores curiosos e, claro, as expectativas para o reencontro com os fãs brasileiros. Confira:

MOODGATE: Vocês estão retornando ao Brasil depois de muitos anos. Quais são suas expectativas para essa visita?

MIKE: Estivemos aí duas vezes, e foi sempre um caos, no bom sentido. Os fãs são extremamente apaixonados e cheios de energia. Demorou para conseguirmos voltar, então espero encontrar essa mesma energia insana nos shows. Os brasileiros tratam a gente como se fôssemos gigantes do rock, mas somos apenas pessoas normais.

MOODGATE: Tem alguma lembrança marcante das vezes anteriores no Brasil? Alguma história de bastidores para compartilhar?

MIKE: Lembro que, na segunda vez que fomos, estávamos celebrando em um hotel e acabamos nos envolvendo em um pequeno desentendimento com a polícia. Estávamos um pouco barulhentos e “intoxicados”. Mas deu tudo certo no final, foi divertido!

MOODGATE: Para os próximos shows, podemos esperar alguma surpresa no setlist?

MIKE: Sim… mas se eu contar, deixa de ser surpresa. (risos)

MOODGATE: Fora dos palcos, tem algo que vocês estão ansiosos para reencontrar no Brasil? Tipo a comida ou o público?

MIKE: Sim! Eu estou particularmente animado para as viagens de ônibus entre as cidades, passando por áreas de mata e pela Amazônia. Isso é algo que não vivenciamos no nosso dia a dia. Já fizemos isso antes, e é completamente diferente dos Estados Unidos ou até da Europa. A paisagem é maravilhosa.

MOODGATE: Vocês estão se aproximando de 20 anos de carreira, uma longa estrada. O que mais mudou, musical e pessoalmente, nesse tempo?

MIKE: Muita coisa. Além de crescer como pessoa, minhas crenças mudaram bastante, especialmente em relação à religião e à política. Musicalmente, aprendi a levar meu trabalho mais a sério. No começo, eu era mais competitivo do que precisava ser. Com o tempo, percebi que o cinismo não é a virtude que eu pensava. Entre 2009 e agora, muita coisa mudou.

MOODGATE: A banda começou com uma identidade cristã. Vocês ainda se veem nesse universo hoje?

MIKE: Muito menos. Nós crescemos em Ohio, num ambiente bem conservador, mas a vida que levamos hoje é bem diferente. Quando você conhece o mundo, percebe muitas coisas. No meu caso, mudou tudo quando vi o que a religião fazia e o que deixava de fazer. Decidi seguir um caminho mais distante disso.

MOODGATE: E olhando para o futuro, onde você se vê em mais 20 anos? Ainda na música?

MIKE: Eu definitivamente não esperava tudo isso quando começamos. Sei que todos vamos envelhecer e eu já me sinto mais velho. Mas hoje cuido melhor de mim: faço terapia, me exercito, tento me alimentar bem. Espero conseguir continuar performando, sim. Só não quero ser aquele cara no palco que faz o público pensar: “Caramba, ele vai morrer ali em cima”.

MOODGATE: O nome da banda sempre gerou curiosidade. Como você encara isso hoje?

MIKE: Antigamente eu levava tudo muito a sério… mas hoje vejo que é só um nome. Eu gostaria que tivesse um significado mais profundo, mas não tem, e talvez até seja um pouco bobo. Ainda assim, sei o quanto isso nos ajudou, e sou grato por isso.

MOODGATE: A propósito, alguém já te procurou pensando que a banda tinha alguma ligação com o filme?

MIKE: Recentemente, sim! Lauren Weisberger, autora do livro, descobriu que existia uma banda com o nome do livro/filme e ficou surpresa. Passou anos sem saber disso, o que eu acho bem engraçado.

MOODGATE: De toda a discografia de vocês, qual álbum representa melhor a essência atual da banda?

MIKE: A gente sempre diz que é o mais recente. Então, por enquanto, é o Color Decay, mas estamos ansiosos para o próximo lançamento. Quando ele for anunciado, será ele a nossa nova resposta.

MOODGATE: O metalcore parece estar ganhando força novamente. O que você acha desse retorno?

MIKE: Eu acho incrível. Comentei isso em outra entrevista, bandas como Bring Me The Horizon, Architects e A Day To Remember estão estourando de novo. Isso permite que os festivais variem seus line-ups e deixem de evitar bandas com vocais mais agressivos. É gratificante ver que mais pessoas estão entendendo que música pesada também pode curar, tocar e ser prazerosa.