Encontros que ainda queremos ver na turnê ”Tempo Rei”, de Gilberto Gil

Gilberto Gil e Caetano Veloso cantando juntos na turnê Tempo Rei – dois ícones da música brasileira em apresentação histórica.

Desde março de 2025, Gilberto Gil está rodando por diversas capitais do Brasil, com a grandiosa turnê Tempo Rei – que, segundo o próprio cantor baiano, será a última excursão musical de grande porte que ele realizará na vida. Contudo, o clima dessa despedida não é de tristeza, mas sim de celebração aos mais de 60 anos de carreira alcançados por Gil. Por isso, o artista está aproveitando para convidar vários dos seus amigos músicos para participar dessa turnê histórica: ao longo dos 13 shows que foram realizados, de março para cá, já deu tempo d’ele receber Preta Gil (1974-2025), Samuel Rosa, Chico Buarque, Marisa Monte, Djavan, Anitta, Liniker, Nando Reis, Arnaldo Antunes, Margareth Menezes, Russo Passapusso, Lulu Santos, Alexandre Carlo, Liminha, Flor Gil, Bela Gil, MC Hariel, Marjorie Estiano, Celso Fonseca, Serginho Chiavazzoli, Jorge Gomes, Sandy e Caetano Veloso no palco, para performar duetos que, certamente, já entraram para a história da música brasileira.

Porém, a turnê Tempo Rei ainda possui 11 shows agendados até dezembro deste ano e, segundo o diretor artístico Rafael Dragaud, é bem provável que ela se estenda por mais alguns meses, depois disso. Portanto, nós decidimos listar algumas parcerias que fazem parte da história de Gilberto Gil e que poderiam se repetir nos palcos, antes do término dessa excursão monumental:

Gilberto Gil e os Paralamas do Sucesso

Em 1986, os membros d’Os Paralamas do Sucesso estavam tão encantados pela musicalidade de nomes como Bob Marley, Jimmy Cliff, Yellowman e King Sunny Adé que eles decidiram mergulhar fundo no Reggae, na Dub Music e na Música Africana, em seu terceiro álbum de estúdio, Selvagem?. Como Gilberto Gil era um dos poucos artistas brasileiros daquela época que já demonstravam possuir grande afinidade com o Reggae (vide canções como Vamos Fugir, Extra e Não Chore Mais, que exploram fortemente tal gênero), o produtor musical Liminha sugeriu que Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone convidassem Gil para participar do álbum.

Segundo o que João Barone escreveu em seu livro de memórias 1,2,3,4! Contando O Tempo Com os Paralamas do Sucesso (2024), todos os integrantes da banda ficaram incrédulos e em estado de euforia, quando Gilberto Gil aceitou o convite e as contribuições do cantor baiano acabaram sendo importantíssimas para o resultado final de Selvagem?: Gil dividiu vocais com Herbert, na faixa Alagados, e compôs sozinho a letra de A Novidade (embora ele não tenha conseguido participar da gravação desta, por conflitos de agenda). Essas duas canções se tornaram os maiores sucessos do disco e permanecem clássicas até hoje.

A Novidade está fazendo parte de todos os setlists da turnê Tempo Rei. Seria maravilhoso se Herbert, Bi e Barone se juntassem a Gil, para performar ela ao vivo, em algum show dessa excursão (aliás, bem que essa reunião poderia incluir Alagados, também…).

Vale lembrar que, em dezembro, o trio carioca será uma das atrações musicais do Navio Tempo-Rei (Cruzeiro que está sendo organizado por Gil). É muito provável que uma performance conjunta d’Os Paralamas com Gil acabe acontecendo, durante esse evento.

Gilberto Gil e Maria Bethânia

Em 1963, Gilberto Gil e Caetano Veloso se tornaram parceiros musicais e amigos inseparáveis. Em consequência disso, Gil também acabou estabelecendo laços com Maria Bethânia (irmã de Caetano), nessa mesma época.

Bethânia se encantou pela simpatia e pelo talento musical de Gil, logo que ela conheceu o cantor – e isso fez com que dois chegassem a viver um breve romance, que durou até o início de 1965. O término do namoro aconteceu quando Gil conheceu a mulher que se tornaria a sua primeira esposa, mas, de qualquer modo, ele ficou triste por ter magoado Bethânia e compôs a música Maria (Me Perdoa Maria), naquele mesmo ano, como um pedido de desculpas a ela.

Embora o relacionamento amoroso de Bethânia com Gil tenha acabado rápido, a relação de amizade e admiração mútua existente entre os dois não foi afetada. Isso ficou bastante claro em 1976, quando Gilberto Gil, Maria Bethânia, Caetano Veloso e Gal Costa decidiram voltar a fazer shows ao vivo juntos, dividindo vocais como um quarteto, na turnê Doces Bárbaros – os quatro já haviam realizado algumas apresentações pequenas, conjuntamente, em 1964 (época em que nenhum deles havia alcançado fama a nível nacional), mas, em 1976, os shows que Gil, Bethânia, Caetano e Gal fizeram juntos arrastaram multidões ao redor do Brasil inteiro, pois, àquela altura, todos os quatro já eram artistas extremamente aclamados.

O repertório dessa série de shows incluiu sucessos dos quatro cantores, releituras de alguns sucessos de outros artistas e, também, 15 canções totalmente inéditas que, ao término da turnê, foram lançadas no álbum Doces Bárbaros: Ao Vivo – um clássico indiscutível da música brasileira.

Depois dessa turnê e álbum históricos, aconteceram apenas quatro reuniões completas do projeto ‘’Doces Bárbaros’’, em cima dos palcos: as duas primeiras aconteceram em trios elétricos carnavalescos (em 1994 e 2001), enquanto as demais aconteceram quando Gil, Bethânia, Caetano e Gal se uniram para shows gratuitos na Praia de Copacabana (Rio de Janeiro) e no Parque Ibirapuera (São Paulo), durante a mini-turnê Outros Doces Bárbaros, em 2002.

Porém, essas não foram as únicas colaborações que Gil realizou com Bethânia, de 1976 para cá: mesmo sem a companhia dos demais músicos que constituíam o projeto ‘’Doces Bárbaros’’, os dois gravaram juntos as canções Alguém Me Avisou (1980), Purificar o Subaé (1981) Lamento Sertanejo (2001), Viramundo (2001), Se eu Morresse de Saudade (2001) e Saudade Dela (2009), para álbuns solo da cantora. Além disso, em 1981, Gil e Bethânia ainda se reencontraram em estúdio para atender a um pedido do lendário João Gilberto: a dupla participou do EP Brasil, gravando as faixas Aquarela do Brasil, Disse Alguém, Bahia com H, No Tabuliero Baiana, Milagre e Cordiero de Nana, ao lado de Caetano Veloso e do próprio João.

Ao longo das décadas, Maria Bethânia atuou muitas vezes como intérprete de composições autorais de Gil, seja dividindo vocais com ele ou cantando sozinha – entre essas composições, estão Esotérico, Cálice, Filhos de Gandhi, Preciso Aprender a Só Ser, ChuckBerry Fields Forever, Pé Quente, Cabeça Fria e as já citadas Lamento Sertanejo, Viramundo e Se Eu Morresse de Saudade

A parceria entre Gilberto Gil e Maria Bethânia é uma das mais emblemáticas da MPB. Um novo encontro entre eles não pode faltar de jeito nenhum, na turnê Tempo Rei.

Gilberto Gil e Jorge Ben Jor

Gilberto Gil já declarou em diversas ocasiões que, em 1963, o seu choque ao ouvir pela primeira vez o álbum Samba Esquema Novo (estreia de Jorge Ben Jor) foi tão grande que, ao fim da audição, ele chegou a ficar alguns dias pensando em desistir da carreira de compositor. Porém, de acordo com o próprio Gil, essa amarga sensação inicial acabou se transformando em uma enorme motivação para evoluir – tanto que, hoje, o cantor baiano afirma que Jorge Ben Jor foi um dos três músicos que mais inspiraram ele a se aprimorar como artista (os outros dois foram os falecidos João Gilberto e Dorival Caymmi).

Na segunda metade da década de 1960, de tanto se cruzarem por bastidores de programas de TV, Gil e Jorge acabaram ficando amigos e, em 1975, isso resultou no lançamento do álbum conjunto Gil & Jorge: Ogum Xangô, que continha as músicas inéditas Filhos de Gandhi, Jurubeba, Sarro e Meu Glorioso São Cristovão, além de regravações de Taj Mahal, Nega, Essa é Pra Tocar Na Rádio, Quem Mandou (Pé Na Estrada) e Morre o Burro Fica o Homem, cantadas em dueto pelos dois artistas. Embora nenhuma das faixas deste álbum tenha sido composta por Gil e Jorge conjuntamente, eles acabaram assinando uma música juntos, anos depois – em 2019, após uma encomenda da cantora Roberta Sá, os dois se uniram para criar a canção Ela Diz Que Me Ama e, depois, ainda gravaram tal composição, ao lado de Roberta.

A parceria entre Gil e Jorge nunca se estendeu para uma turnê conjunta, mas, de lá para cá, os dois fizeram diversas participações pontuais em shows um do outro. Quem não adoraria ver Jorge Ben Jor aparecendo de surpresa no palco da turnê Tempo Rei?

Gilberto Gil e Roberta Sá

Após gravar com Gilberto Gil a música Minha Princesa Cordel (que, em 2011, foi tema de abertura da novela ‘’Cordel Encantado’’, da Globo), a cantora Roberta Sá decidiu que o seu 5° álbum de estúdio seria um tributo à genialidade de Gil. A ideia inicial da artista era gravar diversos sucessos antigos dele e, como material bônus, incluir uma ou outra composição inédita que o cantor havia feito especialmente para ela, mas essa ideia acabou se modificando, depois que Roberta conseguiu convencer Gil a compor 11 músicas originais para o registro –  assim, ficou estabelecido que o álbum Giro seria 100% formado por canções inéditas, onde Roberta Sá atuaria como cantora/intérprete enquanto Gilberto Gil exerceria as funções de compositor e violonista. O produtor escolhido para este disco, por sua vez, foi Bem Gil (filho de Gilberto e atual guitarrista/co-diretor musical da turnê Tempo Rei).

Embora o processo de concepção de Giro tenha começado em 2016, ele durou alguns anos, devido à agenda bastante atarefada de Gilberto Gil. Porém, em abril de 2019, o álbum foi, enfim, lançado em todas as plataformas e trouxe duas canções de destaque: uma delas é Afogamento (faixa que Gil fez questão de incluir, também, no seu álbum solo OK OK OK, de 2018) e a outra é Ela Diz Que Me Ama – single onde Roberta divide vocais com Gil e Jorge Ben Jor.

Em suma, por mais que o histórico de Roberta Sá com Gilberto Gil seja relativamente recente, ele não deixa de ser bastante significativo. Por esse motivo, nós acreditamos que a cantora potiguar deveria ser chamada para participar de algum show da turnê Tempo Rei.

Gilberto Gil e Zeca Pagodinho

Embora Gilberto Gil e Zeca Pagodinho nunca tenham lançado músicas inéditas juntos, os dois cantores são amigos de longa data e já fizeram várias participações em shows um do outro. A mais famosa delas aconteceu em 2014, quando Gil cantou Não Sou Mais Disso e Camarão Que Dorme a Onda Leva, durante uma apresentação que resultou no álbum ao vivo Sambabook Zeca Pagodinho, mas, em outros encontros, os dois chegaram a cantar outras músicas juntos – tais como Aquele Abraço (de Gil), Verdade (de Zeca) e Carcará (de João do Vale).

Será que Zeca Pagodinho vai dar o ar de sua graça, em algum show da turnê de despedida de Gil?

Gilberto Gil e Marcelo D2

O primeiro encontro musical de Gilberto Gil com Marcelo D2 aconteceu graças à banda Chico Science & Nação Zumbi: em 1996, Gil e D2 foram convidados para participar do álbum Afrociberdelia, dividindo vocais com o saudoso Chico Science, na faixa Macô. Muito tempo depois disso, em 2018, Gil gravou o refrão da música Resistência Cultural, para o álbum Amar É Para os Fortes, de Marcelo D2.

Um ano antes dessa segunda parceria entre Gil e D2 acontecer_, Resistência Cultural_ já havia sido lançada como single, mas ela, originalmente, contava com roupagem totalmente diferente que não agradou muito aos ouvintes e não acabou entrando no álbum: a versão de 2017 contava com um arranjo instrumental característico de Trap e quem cantava o refrão dela era Hélio Bentes (vocalista do grupo Ponto de Equilíbrio), fazendo uso excessivo de efeitos de distorção vocal. Marcelo D2 convidou Gilberto Gil para gravar uma nova versão de Resistência Cultural, pois quis dar uma cara mais brasileira a ela – e o rapper carioca acertou em cheio: os vocais totalmente limpos de Gil, a presença de beats mais contidos e a sanfona tocada por Marcelo Jeneci tornaram a música infinitamente melhor do que era antes. Sem falar que essa nova roupagem se encaixou bem melhor na proposta sonora de Amor É Para os Fortes. Adoraríamos ver Gil e D2 se reunindo para cantar essa joia subestimada ao vivo, pela primeira vez.

Gilberto Gil e Nação Zumbi

Como mencionamos acima, Gilberto Gil e a Nação Zumbi gravaram juntos a música Macô, na época em que Chico Science ainda era o líder da banda expoente do Manguebeat. Porém, mesmo após a morte de Science, Gil realizou mais algumas parcerias com os músicos Jorge Du Peixe, Lúcio Maia, Toca Ogan, Alexandre Dengue e Pupillo: em 2009, eles lançaram juntos a música Besouro, para a trilha sonora de um filme homônimo e, em 2017, o artista baiano autorizou que o grupo regravasse uma música sua, no álbum de covers Radiola NZ Vol.1 – a canção escolhida pelos pernambucanos foi Refazenda.

No dia 22 de novembro deste ano, a turnê Tempo Rei passará pelo Recife e muitas pessoas apostam que a Nação Zumbi (prata da casa) participará dessa apresentação. O último encontro de Gil com o grupo, em cima dos palcos, aconteceu em 2017 – quando eles performaram juntos as músicas Macô, Refazenda, Filhos de Gandhi e Maracatu Atômico (clássico de Jorge Mautner), durante o festival Pepsi Twist Land, no Rio de Janeiro. Porém, de lá para cá, a Nação Zumbi sofreu com as saídas de dois integrantes muito importantes da sua formação clássica: o guitarrista Lúcio Maia e o baterista Pupillo… será que um retorno temporário dos dois, durante o show de Gil, seria pedir muito?

Gilberto Gil e Emicida

Marcelo D2 não é a única lenda do Hip Hop com quem Gilberto Gil já gravou: no segundo semestre de 2020, o rapper paulistano Emicida convidou Gil para participar do single inédito É Tudo Pra Ontem e o lendário cantor aceitou. Como esse convite aconteceu durante a pandemia da Covid-19, a colaboração entre os dois aconteceu à distância, mas Gil teve uma contribuição expressiva na música: ele foi escalado para gravar o refrão final e para recitar um poema que havia sido escrito pelo rapper. Quando essa canção ficou pronta, ela foi lançada no aclamado documentário da Netflix Emicida: AmarElo- É Tudo pra Ontem (2020).

Emicida sempre foi um grande fã de MPB e nunca escondeu a sua enorme admiração por Gilberto Gil – tanto que, antes mesmo de trabalhar com ele em É Tudo Pra Ontem, o jovem artista chegou a regravar a música Haiti (de Gil com Caetano Veloso), no seu álbum ao vivo 10 Anos de Triunfo (2018). Será que podemos sonhar com uma participação de Emicida na turnê Tempo Rei?

Gilberto Gil e Milton Nascimento

Como Gilberto Gil e Milton Nascimento alcançaram a fama na mesma época e sempre se deram bem, muitas pessoas passaram décadas cobrando uma colaboração musical entre esses dois ícones da MPB. Demorou bastante, mas os inúmeros pedidos dos fãs foram atendidos: em 1997, a dupla fez a sua primeira performance conjunta pública, cantando a música Raça, durante o especial de TV ‘’A Sede do Peixe’’ e, em 2000, os dois saciaram de vez a vontade do público, entregando o álbum colaborativo Gil & Milton.

Esse disco contém releituras de Something (The Beatles), Canção do Sal (Milton Nascimento), Maria (Ary Barroso), Palco (Gilberto Gil), Yo Vengo a Ofrecer Mi Corazón (Fito Paéz), Dora (Dorival Caymmi), Xica da Silva (Jorge Ben), Ponta de Lança (Milton Nascimento), Baião da Garoa (Luiz Gonzaga) e Bom Dia (Nana Caymmi), além de 5 músicas inéditas compostas conjuntamente por Gil e Milton – são elas: Sebastian, Trovoada, Lar Hospitalar, Dinamarca e Duas Sanfonas (sendo que essa última foi gravada com participação da dupla Sandy & Júnior).

Para divulgar tal álbum, Gil e Milton fizeram uma turnê juntos, de janeiro a outubro de 2001. Essa turnê começou no palco principal do Rock in Rio e, em seguida, passou, não somente por diversas capitais brasileiras, mas também pelas cidades de Montreux (Suíça) e Buenos Aires (Argentina).

Milton Nascimento é, definitivamente, um dos convidados que nós mais queremos ver, na turnê Gilberto Gil: Tempo Rei, até porque, hoje em dia, está cada vez mais difícil ver Milton em cima dos palcos: complicações físicas e vocais causadas pelo Mal de Parkinson e pela idade fizeram com que, em 2022, o cantor mineiro decidisse parar completamente de fazer shows-solo, mas, ainda assim, ele ainda realiza raras performances ao vivo, em alguns programas de TV/Internet (no caso, Altas Horas, Fantástico, Som Brasil e Tiny Desk Concert) e em espetáculos de outros artistas – de 2022 para cá, ‘’Bituca’’ fez aparições-surpresa em shows pontuais de Coldplay, Skank e Pretinho da Serrinha. Será que Gilberto Gil também conseguirá convencer o Milton de hoje a subir em um palco?

Além das músicas que os dois já gravaram juntos, seria muito bom ver Gil e Milton cantando em dueto a música Cálice – composição que Chico Buarque criou com Gilberto Gil, mas gravou ao lado de Milton. Essa canção ficou notória na voz de ‘’Bituca’’ e está sendo tocada em todos os shows da turnê Tempo Rei.

Gilberto Gil e Ney Matogrosso

Ao longo de sua aclamada carreira como intérprete, Ney Matogrosso já regravou diversas composições de Gilberto Gil – a exemplo de Andar com Fé, Oriente, Se Eu Quiser Falar com Deus e Deixar Você. Porém, por incrível que pareça, Ney e Gil só performaram juntos uma única vez – quando eles foram convidados para cantar Maracatu Atômico em dueto, durante um show que a banda Tono (liderada por Bem Gil) realizou no AudioClub, de São Paulo, em junho de 2015.

Mesmo beirando os 84 anos de idade, Ney Matogrosso ainda ostenta um pique invejável e, também, uma das vozes mais poderosas do Brasil. Um segundo dueto entre Ney e Gil seria um verdadeiro encontro de lendas… e nós torcemos para que a turnê Tempo Rei proporcione isso.

Gilberto Gil, Sérgio Dias e Arnaldo Baptista

A união da cena tropicalista fez com que vários dos artistas que pertenciam a tal movimento sessentista despontassem no cenário mainstream nacional. Entre esses artistas, estavam Gil e os membros da banda paulista Os Mutantes – que, na década de 1960, eram Rita Lee e os irmãos Sérgio Dias e Arnaldo Baptista.

Durante o Festival de Música Popular Brasileira de 1967, os três Mutantes originais foram a banda de apoio que acompanhou Gil na canção Domingo no Parque – e a execução dessa música deixou o cantor nacionalmente conhecido, pois foi televisionada ao vivo na TV Record. No ano seguinte, Rita, Sérgio e Arnaldo foram contratados por Gil novamente, mas, desta vez, com a missão de gravar os instrumentais e as vozes de apoio do clássico álbum Gilberto Gil: Frevo Rasgado (1968). Em retribuição a todo esse apoio d’Os Mutantes, Gil compôs a música Panis Et Circensis, em parceria com Caetano Veloso, e deu de presente para a banda gravar – em 1968, essa música foi lançada no álbum de estreia homônimo d’Os Mutantes e, também no álbum colaborativo Tropicália ou Panis Et Circensis, que inclui outras três canções que o grupo paulista gravou com Gil: as faixas Bat Macumba, Parque Industrial e Hino ao Senhor do Bonfim.

Rita Lee, infelizmente, faleceu em 2023, mas nós estamos na torcida para que Sérgio Dias e Arnaldo Baptista participem da turnê Tempo Rei, pois essa seria uma maneira linda de celebrar a importância que Os Mutantes tiveram na trajetória de Gilberto Gil e vice-versa. Porém, vale lembrar que a presença simultânea dos dois irmãos é bastante improvável, visto que, em 2007, Arnaldo optou por se desligar d’Os Mutantes e, desde então, alega que nunca mais conversou com Sérgio, pois não possui mais uma boa relação com ele. Ainda assim, sonhar com esse reencontro não custa nada, para nós, fãs.

Gilberto Gil e Gilsons

O trio Gilsons é, sem sombra de dúvidas, uma das melhores coisas que surgiram recentemente na música brasileira e, como o nome do grupo já sugere, todos os seus três integrantes são descendentes de Gilberto Gil (Francisco e João Gil são netos do lendário cantor, enquanto José Gil é filho dele). Graças ao grande sucesso de canções como Várias Queixas, Pra Gente Acordar, Love Love e Devagarinho, o Gilsons já conseguiu estabelecer o seu próprio nome no mercado da MPB, mas, mesmo assim, o trio está conciliando a agenda da turnê Pra Gente Acordar com os shows da turnê Tempo Rei, pois João e José integram a banda de apoio de Gilberto Gil há anos, exercendo as funções de guitarrista e baterista, respectivamente.

Embora Francisco não esteja excursionando com o avô nessa turnê atual, os três integrantes do Gilsons já performaram juntos em vários shows que Gilberto Gil realizou de 2018 a 2022 e, na maioria dessas ocasiões, o trio ganhou espaço para apresentar algumas das suas músicas próprias. Seria muito bom ver isso acontecendo de novo, na turnê Tempo Rei.

Como os Gilsons estão escalados para tocar no cruzeiro Navio Tempo Rei, é bem possível que um reencontro de Gilberto Gil com o grupo completo aconteça lá. Vale lembrar que, desde 2021, Gilberto Gil e o Gilsons possuem uma parceria de estúdio original, intitulada Refloresta – ela é outra boa opção de música para ser tocada ao vivo, se esse reencontro nos palcos, de fato, acontecer.

A turnê Tempo Rei ainda vai passar por Belém (09/08), Porto Alegre (06/09), São Paulo (17 e 18/10), Rio de Janeiro (25 e 26/10), Fortaleza (15/11), Recife (22 e 23/11) e pelo cruzeiro ‘’Navio Tempo-Rei’’ (01 – 04/12). Você acredita que alguns dos artistas que nós listamos podem acabar cantando com Gil em algum desses shows? Deixe a sua resposta nos comentários.