A história por trás de Platypus (I Hate You), a faixa mais agressiva do Green Day

Billie Joe Armstrong, vocalista do Green Day, se apresentando ao vivo com atitude provocadora
Billie Joe Armstrong em performance explosiva durante a turnê do Green Day

Canção presente no álbum Nimrod, faz referência à um dos nomes mais conhecidos dos primórdios da cena do punk rock; veja a história que levou Billie Joe a escrever Platypus (I Hate You)

O Green Day se consagrou como uma das bandas mais influentes do punk rock nas últimas décadas, mas sua ascensão nem sempre foi bem recebida por todos. Antes de mergulharmos na história de uma das faixas mais ácidas da banda, é importante lembrar: o punk é muito mais que um gênero musical. Trata-se de um movimento cultural, conhecido por sua postura anti-autoritária, rebelde e contrária ao mainstream.

Com o tempo, o punk se desdobrou em vertentes e subgêneros que dialogam com o mainstream sem necessariamente perder sua autenticidade, é o caso do pop punk.

Naturalmente, esse crescimento dividiu opiniões. E é aí que entra Tim Yohannan, conhecido por muitos como o “guardião do punk”. Militante de esquerda e figura central da cena punk californiana nos anos 1990, Yohannan fundou o programa de rádio Maximum Rocknroll e a lendária casa de shows 924 Gilman Street, em Berkeley. O local se tornou um verdadeiro santuário da música underground, palco para nomes como The Offspring, Operation Ivy e, claro, o próprio Green Day.

No início, a relação entre Yohannan e o Green Day era positiva. A banda chegou a se apresentar diversas vezes na Gilman Street e era bem-vista no espaço. Mas tudo mudou quando Billie Joe Armstrong decidiu sair da gravadora independente Lookout! Records para assinar com a Reprise Records, selo vinculado à gigante Warner.

A decisão causou uma ruptura definitiva. Yohannan acusou o Green Day de “vender-se” ao sistema e expulsou o grupo da Gilman Street, punição pública por, supostamente, trair os ideais do punk. Para ele, o sucesso comercial da banda era uma afronta direta à filosofia do movimento.

Mesmo diante das críticas e tentativas de boicote, o Green Day cresceu ainda mais e se consolidou como um dos maiores nomes do punk contemporâneo. Mas Billie Joe, fiel à estética provocativa do gênero, não deixou a situação passar em branco.

Três anos após o rompimento com Yohannan, o vocalista transformou seu ressentimento em música. Foi assim que nasceu Platypus (I Hate You), uma das faixas mais agressivas da carreira do Green Day, lançada no álbum Nimrod (1997). A canção é um verdadeiro ataque direto, ou melhor, um “diss”, ao aliado da cena punk.

Na época, Yohannan estava em tratamento contra um câncer linfático, e a letra da música faz menção explícita à sua condição:

“Ouvi dizer que você está doente, chupou aquele bastão de câncer / Um tumor pulsante e a radiação em alta / Que falta de sorte, seu tempo está se esgotando / Me dá prazer só de saber que você vai morrer”, canta Billie Joe.

Tim Yohannan faleceu em 1998, vítima do tumor. Após sua morte, a 924 Gilman Street foi mantida e segue ativa até hoje como um centro cultural voltado para a subcultura punk.

Em 2011, Billie Joe confirmou, por meio de um tweet, que Platypus foi escrita para Yohannan, mas a publicação foi apagada pouco tempo depois.

“‘Platypus’ foi escrita para Tim Yohanon [sic]. E espero ter escrito o nome errado. Descanse na merda, seu imbecil”, escreveu.

Confira a letra completa:

Sua ascensão e queda de volta contra a parede
O que vai está voltando e te assombrando
É hora de parar porque você não vale a pena
Debaixo dos meus sapatos, ou a urina no chão

Ninguém te ama e você sabe disso
Não finja que você gosta ou que não se importa
Porque agora eu não mentiria
Ou te diria todas as coisas que você quer ouvir

Porque eu te odeio!
Porque eu te odeio!
Porque eu te odeio!
Porque eu te odeio!

Ouvi dizer que você está doente, chupou aquele bastão de câncer

Um tumor pulsante e a radiação em alta

Que falta de sorte, seu tempo está se esgotando

Me dá prazer só de saber que você vai morrer

Ninguém te ama e você sabe disso
Não finja que gosta ou que não se importa
Porque agora eu não mentiria
Ou te contaria todas as coisas que você quer ouvir

Porque eu te odeio!
Porque eu te odeio!
Porque eu te odeio!
Porque eu te odeio!

Babaca, babaca, fumante de pau,
filho da puta Idiota, babaca sujo, desperdício de sêmen, espero que você morra, ei!

Olho vermelho, código azul, Eu gostaria de te estrangular
E ver seus olhos saltarem para fora do seu crânio
Quando você cair de cabeça no chão
Eu ficarei acima de você só para mijar no seu túmulo

Ninguém te ama e você sabe disso
Não finja que gosta ou que não se importa
Porque agora eu não mentiria
Ou te diria todas as coisas que você quer ouvir

Porque eu te odeio!
Porque eu te odeio!
Porque eu te odeio!
Porque eu te odeio!