Em 1970, os Beatles abriram Let It Be, seu último álbum, com uma faixa simples, mas cheia de simbolismo: “Two of Us”, interpretada por Paul McCartney e John Lennon. A música nasceu de momentos íntimos de Paul com Linda Eastman, sua companheira na época e futura esposa. Além disso, refletia, de forma sutil, as tensões crescentes dentro da banda.
Paul se inspirou nos passeios sem rumo que fazia com Linda pelo interior da Inglaterra. Em seu livro The Lyrics: 1956 To The Present (2021), ele relembrou:
“Uma das coisas boas da Linda era que quando eu dizia: ‘Meu Deus, acho que estou perdido’, ela simplesmente respondia: ‘Ótimo!’. Ela adorava se perder. E sempre lembrava que, em algum ponto, haveria uma placa para Londres. Então era só seguir.”
Em um desses passeios, o casal encontrou um pequeno bosque que parecia ideal para caminhar. Paul estacionou o carro, pegou o violão e começou a compor. Existe até uma fotografia que registra o momento: McCartney sentado em seu Aston Martin, com os pés para fora e o violão no colo. Ali nasceu “Two of Us”.
A canção, inicialmente chamada “On Our Way Home”, tinha um tom mais voltado para o rock. No entanto, durante as sessões de Let It Be, em janeiro de 1969, Paul decidiu transformá-la em algo mais acústico. Embora escrita para Linda, a faixa ganhou ainda mais força quando Paul e John a interpretaram juntos, dividindo o mesmo microfone. Esse detalhe trouxe de volta a atmosfera dos primeiros dias da banda, emocionando não apenas eles, mas também os fãs.
A música Let It Be que não fazia sentido para Lennon
Vale lembrar que, assim como havia músicas com significado profundo, Let It Be apresentava outras faixas que, segundo o próprio Lennon, não faziam sentido, como “Dig A Pony”. Escrita pelo falecido marido de Yoko Ono , a música ficou em segundo lugar na lista de faixas do LP e, em 1972, foi vítima da língua afiada de seu autor.
“Eu estava apenas me divertindo com as palavras”, confessou. “Era literalmente uma música que não fazia sentido. Você simplesmente pega as palavras, junta-as e vê se elas têm algum significado. Às vezes funciona, às vezes não.” Por outro lado, em 1980, Lennon criticou a faixa novamente, confirmando que Dig A Pony não passava de “mais um pedaço de lixo” que ele e sua banda haviam criado.


