Primeira vez do Boston Manor no Brasil: energia e nostalgia em São Paulo

Henry Cox, vocalista do Boston Manor, cantando com intensidade durante show em São Paulo, sob luzes vermelhas dramáticas.
Henry Cox, vocalista do Boston Manor, em apresentação intensa no City Lights, São Paulo, encerrando a turnê latino-americana da banda. Foto: Caio Bandeira (Moodgate)

Com riffs estridentes, canções nostálgicas, stage dives, mosh pits e coros potentes, o Boston Manor fechou sua passagem pela América Latina com chave de ouro, em São Paulo, no City Lights, neste domingo (14). Sendo sua primeira vinda não só no Brasil, como em outros países incluídos na turnê (México, Costa Rica, Colômbia, Chile e Argentina), os britânicos Henry Cox (vocal), Ash Wilson (guitarra), Mike Cunniff (guitarra), Dan Cunniff (baixo) e Jordan Pugh (bateria) trouxeram sua energia explosiva e contundente para além dos palcos. No Brasil, esse sentimento se alinhou com o do público, que o trouxe em dobro consigo para o show. De longe, eles esperaram muito por aquele momento.

A banda veio pela New Direction Productions (NDP) e contou com seis shows pela América Latina. Para São Paulo, os shows de abertura foram da Maré Morta e Swave.

A Moodgate acompanhou essa noite de perto e te conta como foi em detalhes a seguir. Na íntegra, confira também a entrevista com o Mike Cunniff sobre os shows na América Latina e a vinda da banda ao Brasil:

Sobre como planejaram os shows, Mike falou sobre estarem animados e terem preparado uma setlist diferente, com músicas desde o álbum Be Nothing. (2016) ao Sundiver (2024). “Ouvimos coisas muito boas de outras bandas que temos amizade, que vieram tocar no Brasil. Eles disseram que foi realmente ótimo, bastante energético. Por isso, fizemos uma setlist bem legal, com músicas antigas também, então acho que os fãs irão gostar”, disse o guitarrista.

E, assim, o show se iniciou com músicas do Datura e Sundiver, como Floodlights on the Square, Container e Why I Sleep. Ao longo da apresentação, Boston Manor tocou alguns sucessos do álbum Be Nothing., como Laika, Lead Feet e Cu, o qual Henry fez um discurso antes de começar a música, dizendo que sabia o significado da palavra no Brasil e que aquilo era engraçado. 

Com Ratking no setlist, a banda, de última hora e a pedidos do público, ainda adicionou Liquid, também do álbum GLUE. Mike comentou sobre o desenvolvimento do álbum e suas mensagens atuais. “Na época que lançamos o GLUE, Henry sentiu que precisava escrever, sobre masculinidade tóxica e o que significa ser homem, especialmente nestes dias modernos em que vivemos agora. Décadas atrás os valores para ser um homem eram diferentes”, explicou o guitarrista.

Henry aproveitou para agradecer o fã clube (Boston Manor Brasil/@bostonmanorbra) nos palcos. O que reconheceu o apoio dos fãs na divulgação de toda a turnê. E, não obstante, em toda a apresentação, o vocalista estava muito animado, se aproximando e cantando olho no olho da plateia.

A energia do público era caótica, ansiando por mais. A sede de sentir aquele momento ao máximo verberava sob o City Lights. Coros em Passenger, Halo, Bad Machine e I Don’t Like People (& They Don’t Like Me) foram bonitos de ver. Henry se jogou no público diversas vezes, fazendo seu próprio stage dive. E enquanto aos fãs, eles não pararam de pular, vibrar em moshs e dar stage dives também. Diante disso, Henry, sob os palcos, falou sobre a energia do público, ressaltando que foi a melhor em toda a turnê. Ele também disse que a banda gostaria de voltar em breve.

E falando sobre projetos mais recentes, Datura e Sundiver, álbuns que se complementam, sendo, respectivamente, representados pela noite e o dia, entre turbulência e esperança, Mike comentou sobre como está o desenvolvimento de novos projetos. “Somos todos grandes nerds da música e estamos sempre tentando experimentar no Boston Manor. Havia muitas coisas no Sundiver e no Datura em que sentimos que realmente encontramos nosso som e realmente nos encontramos. Mas, ao mesmo tempo parece o fim de um capítulo para Boston Manor”, contou Mike.

“Há muito combustível nessas músicas que vieram do mundo ao nosso redor e do rescaldo da pandemia e de como as coisas estavam mudando. E também navegar pelo mundo como indivíduo e como isso pode ser difícil. Então, sim, estamos apenas demorando um pouco para redefinir agora e descobrir o que queremos fazer a seguir, mas estamos desenvolvendo”, completou o guitarrista.

Por fim, Henry disse que pretende voltar ao Brasil em breve e, com o desenvolvimento de novos projetos, fica uma esperança de que isso pode acontecer muito em breve. Com casa, o Boston Manor encerrou sua primeira apresentação no com uma performance intensa e energia que conquistou o público. A banda entregou um set poderoso que transitou entre faixas novas e clássicos do repertório, o que uniu fãs de longa data aos mais novos. A resposta da plateia foi imediata: coros ensurdecedores, mosh pits e stage dives em meio aos gritos e refrões intensos com a voz potente de Henry Cox. A sintonia entre a banda também foi notória, os riffs de Mike, Ash e Dan junto as batidas fervorosas de Josh deixaram tudo mais caótico. Para os fãs que esperaram anos por esse encontro, e aos que os conheceram em pouco tempo, com certeza, já esperam o retorno da banda para uma segunda dose.