A sexta-feira carioca já prometia ser inesquecível. No Doce Maravilha, festival que celebra a música brasileira e sua memória afetiva, os tijucanos do Forfun entregaram um show que foi muito além da nostalgia: foi uma festa de reencontros, lembranças e energia de uma geração. O grupo formado por Danilo Cutrim, Nicolas Christ, Rodrigo Costa e Vitor Isensee subiu ao palco para comemorar os 20 anos do álbum Teoria Dinâmica Gastativa, tocando o disco na íntegra para um Jockey Club lotado de fãs que cresceram com os hinos do riocore.
Antes de subir ao palco, a Moodgate conversou com a banda sobre esse retorno histórico. Em clima leve e divertido, os integrantes refletiram sobre a sensação de revisitar o álbum que os apresentou ao Brasil e a emoção de olhar para trás e perceber tudo o que conquistaram ao longo de duas décadas.
O show começou incendiando a plateia com o clássico Hidropônica, que abriu as primeiras rodas de mosh e fez todo mundo cantar aos gritos. Logo depois veio Histórias de Verão, que arrancou sorrisos e transportou os fãs de volta aos dias de praia, aos romances adolescentes e à leveza que marcou os anos dourados da cena alternativa carioca. Por 1h30, o público mergulhou no universo do TDG, um álbum que traduzia a rebeldia e a vontade de “fazer barulho” sem moderação, com letras afiadas e bem-humoradas que ainda soam vivas no palco.


As participações especiais tornaram a noite ainda mais memorável. O momento mais surpreendente veio com Lucas Silveira, da Fresno, que entrou no meio de Costa Verde com sua guitarra e incendiou o público de imediato. A sequência com Bad Trip abriu rodas, levantou poeira e até teve sinalizadores acesos, e a surpresa ficou ainda maior quando Lucas puxou Onde Está (Rio, Cidade e Árvore), um clássico do segundo disco da Fresno que fez o público emo cantar como se fosse 2004 de novo.
O @lucasfresno subindo no palco com o @forfunoficial é o crossover que a gente nem sabia que precisava. 🖤🔥
— Moodgate ⚡️ (@Moodgate_) September 27, 2025
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Outro momento emocionante foi quando Dedé Teicher, ex-baterista do Scracho, assumiu as baquetas para tocar Minha Formatura, canção que remonta à fase demo da banda em Das Pistas de Skate às Pistas de Dança, de 2003 – uma cena que trouxe de volta a cumplicidade entre as bandas cariocas daquele período. Já a participação de Diogo Defante manteve o nivel de sintonia e energia carioca, quando ele subiu ao palco para cantar “V.I.P. (Very Important por Quê)”, faixa raramente executada pelo Forfun que fez o público se divertir como se estivesse num reencontro de velhos amigos.
O restante do setlist foi um desfile de clássicos que fizeram a plateia vibrar com intensidade. Valer a Pena, 4AM, Melhor Bodyboarder da Minha Rua e Constelação Karina criaram uma atmosfera de catarse coletiva, com coros ensurdecedores, rodas de mosh e a sensação de que a banda e os fãs estavam em perfeita sintonia. Para fechar, a banda surpreendeu ao voltar para um bis inesperado: após tocar todo o álbum, repetiram Histórias de Verão, porque hit bom a gente canta duas vezes.
O show do Forfun no Doce Maravilha foi mais do que uma apresentação comemorativa: foi a prova de que a música atravessa décadas sem perder frescor e significado. Entre nostalgia, amizade e hinos que marcaram uma geração, a banda mostrou que Teoria Dinâmica Gastativa continua vivo e pulsante. Para muitos fãs, essa noite foi mais do que um show: foi a chance de revisitar memórias e reviver a energia de um tempo que marcou a juventude carioca dos anos 2000.


