Lagum reforça que é um dos maiores nomes da música nacional com show quente em São Paulo

A Banda Lagum voltou com tudo a São Paulo nesta sexta (03), num cheio, quente e animado Espaço Unimed, na região da zona oeste da capital. 

Deixando para trás a ideia de eterna promessa, os mineiros construíram uma base de fãs tão sólida que a sensação que fica é que eles realmente se tornaram um fenômeno por meio do tão falado “jabá” das mídias tradicionais, aparecendo frequentemente nos maiores programas da TV aberta ou preenchendo um espacinho numa trilha sonora de uma grande novela – o que não é bem a verdade. 

A apresentação foi a segunda data da nova turnê na cidade, e a casa cheia só confirmou o que já se sente faz tempo: Pedro, Jorge, Zani e Chico têm conexão única com o público, até mesmo ao apostar em faixas mais densas e menos “hits prontos” enquanto divulga o novo disco, “As Cores, As Curvas e As Dores do Mundo”.

O show teve equilíbrio certeiro entre energia e emoção. Em um momento a galera pulava com a queridíssima (e ao vivo uma quase novidade) FIFA, enquanto no outro mergulhava em letras mais intensas do novo álbum, como Eterno Agora. Tudo cantado a plenos pulmões, é claro. 

Outras faixas como Telefone e Hoje Eu Quero Me Perder também apareceram na set, que passeou pelas fases da banda e até inseriu canções de Depois do Fim, tecnicamente o melhor trabalho da discografia. Se antes o protagonismo ficava majoritariamente para o charme e liderança de seu vocalista, que sempre dominou com qualidade composições sobre as relações, agora a Lagum parece olhar por outras perspectivas na hora de entregar um show para os fãs. É claro, a energia, a diversão e o groove continuam dando a letra, mas há nessa nova fase uma vontade de dizer algo além.

Essa ideia anda de mãos dadas com o fato da banda ter crescido junto com seus fãs – é uma espécie de amadurecimento conjunto, que abre portas para discussões que, com o passar do tempo, se tornaram cada vez mais plurais. A Lagum é quase cria da internet, da relação direta com as audiências, e isso fica perceptível nessa nova tour. O público, composto por jovens adultos, adolescentes e até pais e filhos, parece abraçar o quarteto mineiro sem esforço. Eles representam bem essa geração de artistas que souberam usar as redes como principal canal de comunicação, criando uma base fiel que canta até as mais novas de cór.

A banda transita com muita personalidade entre suas influências, o que não é mais tãaaaao novidade pra maioria, claro. Em alguns momentos dá pra sentir o peso de referências como Charlie Brown Jr., em outros a vibe mais groovada e sofisticada que remete até a nomes como Ed Motta. Tudo isso fica muito fluido, sem perder identidade. Esse caldeirão de referências, aliado à entrega intensa no palco, transforma o show em uma experiência mais completa.

No fim das contas, o que a Lagum entrega neste novo show consegue superar a boa performance técnica de rotina ou as letras de refrões chiclete: os mineiros criaram um universo próprio, onde os fãs se sentem parte real da história – ou pelo menos param para ouvir o que Pedro, Chico, Zani e Jorge tem a dizer além do que soa mais comercial. E quando uma base de público é criada de forma tão orgânica de norte a sul do Brasil, basicamente evoluindo com a banda ano após ano, é fato que essa história de conexão está beeeeem longe de acabar, seja na curva, na dor ou no amor.