5 músicas de Morrissey que você precisa ouvir (com ou sem The Smiths)

Morrissey se apresentando ao vivo com expressão intensa, olhos fechados e segurando o cabo do microfone, em show iluminado por luz azul.
Morrissey retorna aos palcos brasileiros em novembro, e a emoção segue intacta.

O show de Morrissey no Brasil está marcado para 12 de novembro em São Paulo e, mesmo sem ser seu aniversário ou o lançamento de um novo disco, nunca é um mau momento para revisitar sua obra. Seja na carreira solo ou nos tempos de The Smiths, a verdade é que algumas canções de Morrissey atravessam décadas com o mesmo poder de tocar, provocar e consolar.

Aqui, reunimos cinco faixas essenciais para conhecer (ou relembrar) o impacto do artista britânico.

Bigmouth Strikes Again — The Queen Is Dead (1986)

Poucas faixas capturam tão bem o lado ácido, irônico e autoconsciente de Morrissey quanto esta música. Em Bigmouth Strikes Again, ele brinca com o peso de suas próprias palavras, pede desculpas por ser quem é, e ainda traça uma metáfora dramática comparando-se a Joana d’Arc sendo queimada viva. Tudo isso, claro, com guitarras pulsantes de Johnny Marr e a estética sombria que marcou a fase final dos Smiths.

É impossível não se ver um pouco ali, afinal, quem nunca colocou tudo a perder por falar demais? Ironicamente (ou não), foi lançada pouco antes do fim da banda, como se anunciasse o fim de uma era.

“First of the Gang to Die” — You Are the Quarry (2004)

Com um refrão que gruda na cabeça e versos quase cinematográficos, essa faixa narra a trajetória de Héctor, um personagem fictício das ruas de Los Angeles. Não sabemos muito sobre ele, além de que foi o “primeiro da gangue a morrer”, mas é o suficiente para que Morrissey crie uma das músicas mais marcantes de sua fase solo.

O contraste entre a letra e a melodia, aliás, é um truque que o artista domina: aqui, o sombrio se veste de pop, e a tragédia dança com os riffs.

“The Queen Is Dead” — The Queen Is Dead (1986)

O sarcasmo político, a crítica social e a solidão existencial se misturam neste clássico dos Smiths. A faixa-título do terceiro álbum da banda mostra Morrissey em estado bruto, oscilando entre o niilismo e a indignação, sem perder o charme poético.

“Longevidade demais quando se está sozinho”, ele canta. E mesmo que carregue o peso de uma vida desencantada, sua arte permanece como uma bússola para quem se sente deslocado.

“I Don’t Mind If You Forget Me” — Viva Hate (1988)

Lançado logo após o fim dos Smiths, Viva Hate é um desabafo em forma de disco. I Don’t Mind If You Forget Me mergulha nos temas da rejeição e do abandona, dois fantasmas recorrentes na carreira de Morrissey.

“Reel Around the Fountain” — The Smiths (1984)

Primeira faixa do primeiro álbum da banda, essa música é quase um manifesto da estética dos Smiths. Lenta, introspectiva e envolta em simbolismos, Reel Around the Fountain fala de iniciação, de afetos confusos e da delicadeza da juventude.

Essas cinco faixas são só a superfície de um artista que construiu uma das obras mais contundentes e controversas do rock alternativo. Morrissey pode dividir opiniões, mas suas músicas, quase sempre, tocam fundo. E com o show no Brasil se aproximando, talvez seja hora de colocar os fones e redescobrir tudo isso por conta própria.