Damiano David entrega vulnerabilidade e carisma em show solo em São Paulo

Damiano David se apresenta no palco do Tokyo Marine Hall em São Paulo durante sua turnê solo FUNNY Little FEARS, com luzes douradas e o público vibrando.
Damiano David em seu show solo no Tokyo Marine Hall, em São Paulo — uma performance intensa que revelou uma nova fase do artista.

A noite de sexta-feira ganhou um toque italiano em São Paulo. Damiano David trouxe ao Tokio Marine Hall a turnê de estreia de seu álbum solo FUNNY Little FEARS (2025). O público vibrou de expectativa quando as luzes se apagaram e os primeiros acordes de Born With A Broken Heart tomaram o ar. De regata branca e presença magnética, Damiano abriu uma jornada intensa e teatral, marcada por vulnerabilidade, charme e o pop-rock elegante que já é sua marca.

Na sequência, The First Time manteve o clima intimista, enquanto Mysterious Girl, faixa da edição deluxe FUNNY Little FEARS (DREAMS), trouxe uma batida inspirada no reggae e um Damiano mais leve, brincalhão e interativo. Já Cinnamon trouxe groove e guitarras marcantes, com espaço para solos cheios de estilo.

Entre uma música e outra, o artista celebrou sua paixão por homenagens. “Adoro fazer covers ao vivo, é minha forma de reverenciar outros artistas”, contou antes de transformar Locked Out of Heaven (Bruno Mars) num hino de rock — e com a camisa da Seleção Brasileira. O público foi à loucura. Depois, ele emocionou com Nothing Breaks Like a Heart (Miley Cyrus/Mark Ronson), em uma versão crua e visceral.

Com o passar das músicas, Damiano se despia — literalmente — das camadas. Sua voz alternava entre potência e delicadeza, revelando uma entrega genuína. Entre performances teatrais e momentos de silêncio, o artista se mostrava em paz com sua nova fase. Para quem o conhecia apenas pelo Måneskin, essa foi uma evolução natural: menos personagem, mais pessoa.

“Criei este show dividido em três partes, cada uma representando uma fase da minha vida”, explicou. “Os últimos dez anos foram intensos, cheios de conquistas e excessos, mas também de vazio. Quando percebi que vivia a vida de outra pessoa, precisei parar.” Foi nesse intervalo que nasceram canções como Perfect Life, sobre o desejo de escapar de uma perfeição que não é sua.

O show seguiu vibrante com Tangerine e Zombie Lady, carregadas de teatralidade e humor, até o clímax com Tango, Angel e Over, quando Damiano ficou sozinho sob o holofote antes de a banda retornar em êxtase coletivo. Em seguida, apresentou Mars, uma balada escrita após dois anos de bloqueio criativo — uma confissão sobre amor e vulnerabilidade que tocou fundo no público.

Os aplausos o trouxeram de volta para o bis. The First Time reapareceu em versão mais emotiva, seguida do medley Naked e Solitude, encerrando a noite em catarse. “Essa música fecha o ciclo, é meu lembrete de que preciso fazer isso do jeito certo”, disse antes de sair do palco. E deixou um pensamento que ecoou como último verso: “Você não sabe quem é, até não saber quem você é.”