São Paulo recebeu, neste sábado (15), o trio bielorrusso Molchat Doma, e o que poderia soar apenas como mais um show de post punk se transformou em uma experiência coletiva de catarse, voltada a uma energia pós-soviética. A banda, formada por Egor Shkutko (vocal), Roman Komogortsev (guitarra, sintetizador e bateria eletrônica) e Pavel Kozlov (baixo e sintetizador), em Minsk em 2017, trouxe ao palco sua estética fria e psicodélica, o que encontrou calor imediato na resposta do público brasileiro, que dançou e cantou sem parar seus hits em cirílico.
A Moodgate esteve em meio a esta energia, repleta de luzes pulsantes e estroboscópicas, e te conta como foi o show único do trio no Brasil a seguir:
A apresentação do trio girou entre seus sucessos dos álbuns С Крыш Наших Домов (2017), Этажи (2018) e Monument (2020), mas também deu destaque ao seu mais recente lançamento, o Belaya Polosa, de 2024.



A abertura com Колесом / Kolesom, faixa do novo álbum, foi seca e direta: com batida dura e insistente, junto a sintetizadores repetitivos, o que colocou o público já em transe. Sem introduções, sem aquecimento, apenas choque sonoro.
Белая Полоса / Belaya Polosa, do álbum homônimo, reforçou a atmosfera densa, com sintetizadores cortantes e luzes brancas piscando. O público mergulhou no ritmo cru e repetitivo. O setlist ainda contemplou III, Черные Цветы / Chernye Cvety, Сон / Son e outros sucessos do novo disco.
ELES VIERAM COM TUDO! 🔥
— Moodgate ⚡️ (@Moodgate_) November 16, 2025
Molchat Doma abre com Колесом, de Belaya Polosa, seu mais recente álbum de 2024. A plateia é puxada de imediato para dentro do transe, como em um choque sonoro, entre batidas enérgicas e caóticas.
Isso é Molchat Doma no Brasil! 🇧🇷 pic.twitter.com/wsYVSij915
O trio também tocou Дома Молчат, do álbum С крыш наших домов. Com ela, o som foi mais agitado e dançante, com sintetizadores futuristas e abafados. Assim, o público mergulhou no clima pós-soviético melódico da banda com suavidade. As guitarras e sintetizadores criam exatamente este cenário: casas silenciosas, concreto e vazio.
As danças se alastraram por todo show, tanto por parte do público quanto por parte de Egor, que jogava seus cabelos e mexia os braços sem parar. Apesar de não terem tanta interação, Egor agradeceu em russo, “Спасибо”, e em português diversas vezes e até desceu do palco para cantar de frente com a plateia. Tudo isso em meio a luzes estroboscópicas e uma atmosfera pulsante e giratória.



Em Дискотека / Discoteque do álbum Monument, as danças se tornaram ainda mais vivas e frequentes em meio a batidas enérgicas e o ritmo post punk. O que perpetuou em outras músicas também na sequência.
Ao final, o trio deixou para tocar os sucessos do álbum Этажи, de 2018, e a partir daí coros e aplausos foram mais altos. Com Тоска, faixa que carrega no nome a palavra russa para “melancolia”. E foi exatamente isso que se sentiu: vazio, peso, melancolia. Em contraste, Танцевать trouxe movimento, o que seria irônico se não trouxesse, pois o nome significa “dança”. O ritmo acelerado transformou o espaço em pista improvisada, reforçando, mais uma vez, há espaço para se esvair e dançar.
O clímax veio com Судно (Борис Рыжий), o principal hit da banda, também do mesmo álbum. Vozes se uniram em coro, gritos atravessaram o espaço. A poesia de Boris Ryzhy, repetida em mantra, naquele momento virou hino coletivo. O público brasileiro respondeu com energia que parecia romper a frieza da canção, que por sinal fala sobre resistir e levantar em meio a um desconforto existência. Foi como uma catarse coletiva. Molchat Doma veio a São Paulo para reafirmar a força de uma estética que parece árida, mas que se torna coletiva quando encontra uma plateia disposta a mergulhar no vazio. O trio constrói música com frieza, e é justamente nesse minimalismo que reside sua potência: transformar silêncio e melancolia em danças, movimentos e coros.
É HIT! ⚡️
— Moodgate ⚡️ (@Moodgate_) November 16, 2025
Com a última música, Судно (Борис Рыжий), do álbum Этажи, ninguém fica calado. Vozes se unem, gritos ecoam. É catarse coletiva, poesia transformada em hit, o ápice da noite.
📹: @gicpav pic.twitter.com/DqhZNTEJH9
O público brasileiro respondeu com intensidade, preenchendo cada lacuna sonora com corpo e voz, em meio a luzes incessantes e estroboscópicas. Foi uma volta intensa, catártica e sombria para o trio no Brasil, o que potencializa ainda mais seu sucesso.


