Até a última ponta! Planet Hemp se despede dos palcos no Rio de Janeiro

Marcelo D2 no show de despedida do Planet Hemp na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro, durante apresentação histórica da banda.

Após 30 anos de carreira, o Planet Hemp acendeu sua “última ponta” na Fundição Progresso no Rio de Janeiro e, ao que tudo indica, se despediu de vez dos palcos. Depois de toda essa caminhada sem dar brecha, a banda agora se junta a um seleto grupo que inclui Curupira, Saci-Pererê e Mula sem Cabeça, tornando-se mais uma lenda brasileira. 

Esse é o patamar alcançado pelo Planet Hemp. Por isso, em entrevista com a Moodgate, Marcelo D2 fez questão de destacar a frase “Não importa de onde a gente veio, o que importa é onde a gente está agora”.

Show de despedida é sempre um misto de sentimentos para os fãs. É um dia que todos querem que chegue para viver aquele momento, mas que ninguém de fato quer que aconteça. Entre tantos questionamentos, sobretudo quando o assunto se voltava à indagação “Por que parar no auge?”. Segundo D2, o Planet tem a certeza do que está fazendo, pois é um privilégio encerrar a banda dessa forma, sem brigas, sem desentendimentos, apenas querendo realizar um ato final “Eu queria muito botar o Planet em uma gaveta e poder dizer: eu fiz isso”.

Enfim, esse dia chegou. Pela noite já se via inúmeras pessoas com a camisa do Planet Hemp circulando pela Lapa. Na Fundição Progresso, ingressos esgotados na bilheteria. Pontualmente às 23:30 BNegão e D2 entram no palco com microfone em mãos já quebrando tudo sem qualquer tipo de cerimônia, com uma sequência avassaladora de Dig Dig Dig (Hempa), Ex-quadrilha da fumaça/ Fazendo a cabeça e Raprockandrollpsicodeliahardcoreragga.

A apresentação é guiada por capítulos que não obedecem uma ordem cronológica, trazendo uma surpresa para a plateia a cada ato que se inicia. Apesar disso, é um show para olhar para traz e valorizar o que foi construído, fazendo com que a banda chegasse onde chegou. Com essa máxima, podemos falar sobre Samba Makossa de Chico Science, que foi tocada na parte final do show, dedicada a todos que fizeram parte da história da banda.

Até que uma surpresa. Gustavo Black Alien chega para cantar “Contexto” e fazer a Fundição vir abaixo. E ele fica para mais participações. Além disso, Bacalhau, o primeiro baterista da banda, também chega para tocar junto. Uma verdadeira nostalgia e um privilégio para o público poder vivenciar a história sendo feita com personagens que a iniciaram.

E muitos outros que já se foram, mas fazem parte dessa história e são lembrados e homenageados ao longo do show. Fábio do Garage, responsável por abrir as portas da casa de show mais importante do underground carioca para o primeiro show do Planet Hemp, Kalunga e a banda Cabeça que foram fundamentais para que o Planet pudesse ser o que ele é hoje, Speedfreaks um dos precursores do rap no país, e claro, Skunk, o fundador do Planet Hemp.

Foram mais de 2 horas de show. Toda a trajetória foi contada através de imagens de arquivo no telão e cantada e tocada pela banda no palco. Do ritmo acelerado do hardcore, da força da caneta do rap e até ao momento de mais relaxamento do reggae. Os maconheiros mais famosos do país se despedem dos palcos, apenas, pois a caravana não para. Eles ainda vão estar por aí queimando tudo até a última ponta. Valeu, Planet Hemp!