Polifonia de Verão reúne diferentes gerações, estilos e muito sentimento

Show do Supercombo no Polifonia de Verão no Rio de Janeiro
Supercombo (Foto: Lucas Pires/Moodgate)

Nada melhor do que começar o ano com muita música boa em uma tarde ensolarada de domingo. Esse foi o cenário do festival Polifonia de Verão, que aconteceu no último dia 11 no Vivo Rio, um dos cartões postais mais bonitos do Rio de Janeiro — e praticamente a primeira “casa” do evento, que já está na sua 11ª edição.

A tarde começou de maneira leve e descontraída, com a banda Melton Sello dando início aos trabalhos. Mesmo com um setlist curtinho, músicas como Na Porta da Garagem, Shortinho e Chinelo e Seu Juscelino — que contou com a participação especial de Thiago Niemeyer, da Darvin — empolgaram o público presente e elevaram o astral do festival. Com muito carisma e presença de palco, a Melton Sello fechou com Depois Que Cê Me Deixou e mostrou um grande potencial para crescer ainda mais na cena.

Em seguida, foi a vez de Karen Jonz brilhar — e como brilhou! Para quem estava acostumado a ver a skatista dominar apenas as pistas, foi surpreendente vê-la aprendendo a dominar também o palco. Apesar da timidez no início, Karen foi se soltando aos poucos e trouxe intensidade e autenticidade para a apresentação ao longo das músicas.

As faixas do seu disco mais recente, GUIZMO (2025), foram muito bem recepcionadas pela plateia, com destaque para Playlist do Velório, E Se Fosse o Inverso? e Acidental. Para compor a banda de apoio, Lucas Silveira, da banda Fresno e marido de Karen, ficou na guitarra e backing vocal, proporcionando momentos muito especiais para os fãs do casal.

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Se o show da Karen Jonz foi mais melódico e performático, o Dibob, que veio a seguir, chegou para causar aquela baguncinha fantástica na pista. A banda já chegou com Só Alegria, do seu último álbum Ainda (2024), prometendo não deixar ninguém parado. E sim: eles cumpriram totalmente o que prometeram, com músicas como 1×0 Eu, Dibob e Bang-Bang!

Entre hits e canções novas, foram dois shows à parte: no palco, Dedeco, Gesta, Miguel e Faucom exalando animação e extroversão; na pista, o público entregando tudo de si nos moshpits e vários grupos de amigos pulando juntos. Para completar, duas participações encantaram: a Melton Sello voltou ao palco com Dibob para apresentar 2000 e Pouco, e o Diego Miranda, da Scracho, para cantar Foi Difícil.

Na sequência, a Catch Side chegou trazendo um clima mais romântico e nostálgico para o festival. Apesar da expectativa, foi uma apresentação morna e pouco empolgante — provavelmente porque veio logo depois da euforia com o Dibob. No entanto, não dá para negar que os sucessos mais antigos da banda ainda funcionam muito bem. Não é à toa que eles entraram ao som de O Sonho Não Acabou, e rolou até um coro de fundo. Outras faixas que chamaram atenção foram Eu e Você, Sorrir Chorando, Temporário e Daquilo Que Eu Chamo de Amor.

Perto do fim, veio um outro nome de peso para compor o line-up: Kamaitachi. O cantor e compositor carioca era uma das atrações mais aguardadas da noite e que definitivamente tinha um público muito fiel à sua espera. Sucesso entre os jovens, o artista já chegou abalando as estruturas do Vivo Rio com a canção O Treco.

Com uma presença de palco notável e várias trocas com os fãs, o Kamaitachi trouxe um repertório variado. Lana, Carnaval, Café das 6 e O Limbo do Menino Sem Olhos foram algumas músicas que entraram no setlist e tiveram uma resposta bem intensa dos fãs, que se entregaram na mesma proporção do show.

Já para encerrar o festival Polifonia de Verão, a Supercombo foi uma escolha mais do que certeira. Com o clima lá em cima, a banda composta por Leonardo Ramos, Carol Navarro, Paulo Vaz e André Dea fez uma apresentação muito consistente, e conseguiu manter a animação do público mesmo depois de horas de evento em pleno domingo à noite.

Eles chegaram já causando um grande impacto com A Transmissão e Maremotos. Em Alento, do álbum Caranguejo (2025), foi possível sentir a emoção do público cantando junto. O mesmo aconteceu em Testa, uma música que fala sobre luto e saudade, dedicada à mãe de Leonardo. Nessa hora, não teve jeito: muitas lágrimas rolaram no Vivo Rio.

Nossas Pitangas, Monstros e A_mianto foram outras faixas de destaque, além de Pis_eiro Black Sabbath, que promoveu um grande baile de dança na plateia. Outro ponto alto do show foi mais um feat ao vivo, dessa vez da Supercombo com Kamaitachi para apresentar a música Infame. O “gran finale”, como era de se esperar, foi com Piloto Automático, e, fazendo jus ao refrão, definitivamente foi um dia para não se reclamar, só agradecer.

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