No início dos anos 1990, o Pearl Jam saiu do underground de Seattle para o centro do mundo em tempo recorde. O impacto de Ten transformou a banda em um fenômeno global e, ao mesmo tempo, criou um peso difícil de carregar. Com expectativas comerciais altíssimas, atenção constante da mídia e uma indústria disposta a moldá-los como astros tradicionais do rock, o próximo passo virou um teste de fogo.
Esse passo foi Vs., lançado em 11 de outubro de 1993 e produzido por Brendan O’Brien ao lado da própria banda. O disco não só respondeu às dúvidas como também quebrou recordes: vendeu 950.378 cópias em apenas cinco dias, estabelecendo a maior estreia da era SoundScan até então. Com isso, superou Use Your Illusion II, do Guns N’ Roses, e ficou atrás apenas da trilha sonora de O Guarda-Costas no ranking histórico.
No entanto, apesar do sucesso estrondoso, o processo criativo foi tudo menos confortável. Anos depois, Eddie Vedder revelou que Vs. nasceu sob uma pressão inédita. Em entrevista a Howard Stern, em 2020, o vocalista admitiu que a consciência de um público gigantesco mudou sua relação com a composição. “Quando o segundo álbum saiu, você sabia que havia um público certo. Foi aí que senti um pouco de pressão”, contou. “Eu ficava pensando: ‘Será que vou conseguir dizer isso?’ ou ‘O que as pessoas vão pensar de mim?’.”
Ainda assim, Vs. provou que Ten não havia sido um golpe de sorte. Pelo contrário: confirmou a força criativa do Pearl Jam e consolidou uma carreira que se tornaria lendária. Paradoxalmente, foi justamente o disco que garantiu essa afirmação que também expôs as inseguranças de Vedder, marcando um dos momentos mais tensos, e decisivos, de sua trajetória artística.


