Life Is But a Dream: Avenged faz show triunfal em São Paulo

Vocalista do Avenged Sevenfold durante show da turnê Life Is But a Dream em São Paulo, com iluminação vermelha no palco.
Avenged Sevenfold durante apresentação da turnê Life Is But a Dream… em São Paulo. Foto: Amanda Gaya / Moodgate.

Em uma noite calorosa e nostálgica, o  Avenged Sevenfold completou sua passagem pelo Brasil com chave de ouro junto às bandas de abertura, o Mr. Bungle e o A Day To Remember. Com a turnê Life is But a Dream…, de seu último álbum, de 2023, o A7X fez dois shows pelo país, em Curitiba e São Paulo, além dos marcados pela América Latina. A apresentação em São Paulo, que aconteceu neste sábado (31), foi o penúltimo dessa turnê, com ingressos esgotados e considerado o maior show solo da banda, trouxe a energia que a cidade precisava: soturna, nostálgica e agitada. 

A Moodgate acompanhou de perto e, a seguir, você confere os pontos que fizeram desse show uma experiência nostálgica e robusta para quem esteve lá. Confira: 

Só o começo: Mr. Bungle trouxe sarcasmo e desordem ao estádio

O show do Mr. Bungle foi marcado por irreverência, com direito à participação especial de Andreas Kisser, guitarrista do Sepultura e uma grande referência ao metal brasileiro, que elevou ainda mais a energia do dia. Durante a apresentação, a banda mesclou faixas próprias, como Retrovertigo e Anarchy Up Your Anus, com uma seleção de covers cheios de peso e humor, como Hopelessly Devoted to You e All By Myself, mostrando a versatilidade de Mike Patton e da banda como um todo. O vocalista, sempre carismático, arrancou risadas e aplausos ao interagir com o público brasileiro de forma espontânea, soltando palavrões e brincadeiras que reforçaram sua fama de figura excêntrica e acessível. 

“É tempo para uma pausa? Somos velhos macumbeiros gringos”, disse Mike em português, durante o início do show. 

Entre o hardcore e o emo, ADTR tira todo mundo do chão

O show do A Day To Remember trouxe uma energia contagiante em um ambiente síncrono, entre banda e plateia. Em momentos de pura energia e instantes de nostalgia, o grupo conseguiu trazer seus hits de forma polvorosa, sem momento para pausas ou descanso. 

A abertura com Downfall of Us All é uma abertura que tira todo mundo do chão e, no estádio, não foi diferente. A banda deixou a arquibancada e a pista em movimento sincronizado a partir do bumbo e o início da música tão famoso e explosivo. 

Em All I Want, Jeremy McKinnon conduziu, mas o público tomou conta, cantando em uníssono lado a lado com ele. Logo depois, If It Means a Lot to You trouxe celulares iluminando o estádio, trazendo uma pausa nostálgica ao ambiente, enquanto All Signs Point to Lauderdale encerrou com uma vibração divertida em meio a braços erguidos e refrão cantado em massa. 

Em All My Friends, pôde se ver muitas pessoas abraçadas, pulando e cantando, o que mostra que o que música transmite o público entende. Confirmando, assim, que além de contagiante, o show foi marcante para cada um que estava ali.

Sombrio e nostálgico: não há como não se render ao A7X

O Avenged Sevenfold voltou a São Paulo com uma apresentação que combinou agitação, saudosismo e momentos inesperados, reafirmando a relação sólida que mantém com os fãs brasileiros. Desde a abertura, onde Mr. Shadows entrou mascarado, ao som de Game Over, ficou claro que o show seria agitado e nostálgico.

Destacando algumas músicas, Buried Alive alternou passagens suaves e refrão explosivo, enquanto o público acompanhava cada mudança de ritmo com mãos erguidas. Afterlife, por sua vez, trouxe riffs ágeis de Synyster Gates e Zacky Vengeance, somados aos vocais incandescentes de Shadows, criando um fervor coletivo. Já Hail to the King surgiu como um hit marcante que realmente é, cantado em uníssono desde o primeiro acorde, em meio ao “Hey, Hey, Hey, Hey” disparado do refrão. 

Além disso, a banda adicionou Gunslinger ao setlist. Depois de surpreender os fãs adicionando a faixa ao setlist do Rock In Rio 2024, Shadows brincou sobre os pedidos recorrentes dos fãs e arrancou risadas dizendo “Vocês sempre pedem as mesmas músicas”. A leveza até a explosão da música conduziu o público, que já demonstrou êxtase em meio aos acordes baixos e os vocais intimistas, chegando até os primeiros riffs no refrão explosivo, que foi quando o público explodiu junto aos gritos do vocalista. 

A emoção atingiu seu ápice em So Far Away, dedicada a The Rev, baterista e membro fundador da banda, cuja ausência pôde ser sentida em cada verso. O público cantou em coro com lanternas pelo estádio. Já Seize the Day, do álbum City of Evil (2005), foi introduzida com ironia por Shadows, que disse “odiar” os fãs por fazê-los tocar a música, mas acabou se rendendo ao coro coletivo que deixou a noite ainda mais nostálgica.  

Em determinado momento, o show teve uma pausa diante de algumas pessoas passando mal. Mr. Shadows jogou algumas garrafas d’água para a plateia e ficou um tempo parado até que as pessoas demonstrassem melhora. 

Também teve um chá revelação durante o show, onde Mr. Shadows revelou abrindo um papel que os pais teriam uma menina, “It’s a girl”, ele disse sorrindo. A plateia comemorou e aplaudiu nesse momento, o que mostra também o dinamismo e versatilidade do show.

A sequência seguiu com Unholy Confessions, do álbum Waking the Fallen (2003), que trouxe energia crua e riffs velozes, e com Nightmare, faixa título de 2010, que mergulhou o público em um mar sombria e agitado, marcado por moshs e coros cada vez maiores e mais altos. Entre músicas, Shadows reforçou o carinho pela plateia, chamando os brasileiros de “Number 1” e “The first one”. O encerramento veio com A Little Piece of Heaven, apresentada por Shadows como “uma música sobre assassinato e necrofilia”. A plateia cantou e pulou por sete minutos seguidos, entre pulos em sintonia com a música, que misturaram irreverência teatral e peso sonoro que a música representa, fechando a noite com o peso que só o Avenged Sevenfold consegue oferecer. Afinal, um show sombrio e agitado precisa ter equilíbrio, e o A7X provou saber fazer isso com maestria.