Bad Bunny viveu uma semana histórica. Primeiro, venceu o Grammy de 2026 com Álbum do Ano pelo disco DeBÍ TiRAR MáS FOToS (2025). Em seguida, subiu ao palco do Super Bowl, um dos maiores eventos do entretenimento mundial. Mais do que uma performance, foi um gesto simbólico: o reconhecimento institucional de uma obra que coloca a cultura e a música porto-riquenhas no centro do palco.
Além disso, a presença de Benito no evento teve um peso político evidente. O show aconteceu em meio ao endurecimento das ações do ICE e ao aumento da retórica anti-imigração nos Estados Unidos. Dias antes, no Grammy, o artista já havia sido direto ao dizer “ICE fora”. No Super Bowl, por outro lado, ele optou por não fazer discursos explícitos. Ainda assim, a mensagem estava ali, nas imagens e na construção do espetáculo.
Representatividade em foco no palco do Super Bowl
Durante a apresentação, Bad Bunny falou em espanhol do início ao fim. Em um dos momentos mais simbólicos, ele interagiu com um menino latino que assistia à TV e recebeu dele um Grammy simbólico. A cena fez referência a um caso recente envolvendo uma criança detida pelo ICE. Com isso, Benito trouxe à tona o debate sobre imigração, infância e pertencimento, sem recorrer a palavras diretas.
Logo no começo, o show apresentou cenas do cotidiano em Porto Rico. Trabalhadores rurais, ruas simples, vendedores locais e pessoas jogando cartas criaram o cenário. Enquanto cantava “Tití Me Preguntó”, Bad Bunny caminhava por esses ambientes. Desde os primeiros minutos, ficou claro que a apresentação seria pessoal, afetiva e enraizada em sua identidade cultural.
Com MUITAS referências a América Latina, Bad Bunny começou seu show no halftime do Super Bowl com Tití Me Preguntó. #SuperBowl pic.twitter.com/7xxybnfWjt
— We In The Crowd (@weinthecrowd) February 9, 2026
Festa, identidade e potência coletiva
Na sequência, o artista transformou o estádio em pista de dança. “Yo perreo sola” e “EoO” mantiveram o clima de celebração em alta. Pouco depois, Lady Gaga surgiu no palco para cantar “Die With a Smile”, parceria com Bruno Mars. A participação adicionou uma camada pop ao espetáculo, sem quebrar o ritmo da apresentação.
Bad Bunny e Lady Gaga no #SuperBowl
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Entretanto, o momento mais impactante veio com “El Apagón”. Enquanto subia em um poste de energia, Bad Bunny evocou a crise energética em Porto Rico e reafirmou seu amor pela ilha. O ato teve força visual e simbólica. Logo depois, “DtMF” encerrou a apresentação em clima grandioso, com dança, luzes e um sentimento coletivo de catarse.
"Deus abençoe a América: Chile, Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Peru, Equador, Brasil, Colômbia, Venezuela, Guiana, Panamá, Costa Rica, Nicarágua, Honduras, El Salvador, Guatemala, México, Cuba, Republica Dominicana, Jamaica, Haiti, Estados Unidos, Canadá e Porto Rico"… pic.twitter.com/LnWQdY9sYL
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Um gesto político sem discursos diretos
Embora não tenha repetido críticas explícitas ao governo ou ao ICE, Bad Bunny construiu uma narrativa política por meio de imagens, escolhas estéticas e símbolos. Ao final, ele desejou “Deus abençoe a América” e citou diversos países da América Latina e Central, deixando os Estados Unidos quase por último. O gesto reforçou uma ideia simples: o continente é múltiplo e pertence a todos.
Assim como outras apresentações recentes do Super Bowl, o show de Bad Bunny mostrou que alegria também pode ser resistência. Mais do que entreter, o artista usou o palco para afirmar identidade, pertencimento e coletividade. No fim, sua performance deixou claro que celebrar a própria cultura também é um ato político.

