A cantora transforma a Vibra São Paulo em um espetáculo etéreo e sensual, revisitando sua discografia, celebrando suas raízes latinas e entregando vocais impecáveis ao vivo.
Kali Uchis não apenas subiu ao palco da Vibra São Paulo na noite deste domingo (8), ela desceu do céu. Em uma entrada cinematográfica, a cantora surgiu suspensa por um balanço envolto em lençóis brancos, instaurando imediatamente a atmosfera etérea que marca a turnê The Sincerely, Tour. O gesto não era apenas visual: era simbólico. Kali chegava para conduzir o público por diferentes fases de sua trajetória artística, em um espetáculo que mescla sensualidade, intimismo e potência vocal.
A noite iniciou com Urias como atração de abertura, que preparou o terreno com uma apresentação energética e bem recebida pelo público. A cantora animou a plateia principalmente com faixas de seu novo álbum, Carranca, trabalho que vem ganhando grande repercussão no Brasil e reforça sua força como um dos nomes mais relevantes da cena nacional atual. Com uma resposta calorosa do público ajudou a aquecer o clima para a entrada de Kali Uchis, estabelecendo desde cedo um ambiente de entrega e expectativa.
Apesar da entrada angelical e suspensa, a aura etérea de Kali logo dá lugar à sua “Skin Latina”. Assim que toca o chão, a artista assume o controle do palco com movimentos precisos e carregados de intenção, imprimindo imediatamente energia e presença. Kali inicia a apresentação com faixas de Orquídeas (2024), álbum mais dançante e animado, e logo engata Frikitona, hit da dupla porto-riquenha Plan B, seguido de Muñekita, mostrando sua versatilidade e intensidade desde os primeiros minutos do show.
Diferente do que apresentou em outras datas da turnê, a cantora opta por não iniciar a apresentação com faixas de Sincerely, (2025). Dividido em três atos, o espetáculo funciona como uma retrospectiva cuidadosamente construída de sua discografia.
O Ato I é dominado pelo universo de Orquídeas. Canções como Me Pongo Loca, Muévelo, Labios Mordidos, parceria com Karol G, e Diosa recebem respostas calorosas da plateia. O ponto alto desse bloco fica por conta de Igual Que Un Ángel, maior sucesso do álbum e colaboração com Peso Pluma, que transforma a Vibra São Paulo em um coro coletivo e evidência a força da faixa ao vivo.
Kali Uchis em São Paulo cantando seu hit “SAD GIRLZ LUV MONEY” 💗🌸
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No Ato II, a artista mergulha no saudosismo e revisita o início de sua carreira. O bloco é dedicado principalmente ao EP Por Vida, com faixas como Speed e Loner, e ao álbum Isolation (2018). O público canta junto Dead to Me, After the Storm, parceria com Tyler, The Creator, e See You Again, sucesso de Tyler presente no álbum Flower Boy (2017) e do qual Kali participa, transformando o espaço em um grande encontro afetivo entre artista e fãs.
HINO! ‘See You Again’ do Tyler, The Creator ft Kali Uchis hoje em São Paulo 🧡
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Entre o Ato II e o III, um vídeo emocionante é exibido no telão, mostrando momentos da vida de Kali e refletindo sobre sua identidade latina. A mistura de cenas pessoais, referências culturais e imagens que celebram a herança latina da artista cria um momento de grande proximidade com o público.
O Ato III finalmente abre espaço para Sincerely, e sua versão deluxe, Sincerely: P.S. Vestida com um vestido roxo longo, Kali aposta em interpretações vocais mais contidas, angelicais e sentimentais, conduzidas por faixas como Sugar! Honey! Love!, Lose My Cool, For You e Angels All Around Me. O álbum, descrito pela própria cantora como o mais íntimo de sua carreira, ganha ainda mais peso ao vivo diante do contexto pessoal em que foi criado, período em que Kali se tornou mãe e também enfrentou uma perda familiar profunda.
Ainda nesse último ato, o público vai ao delírio com Telepatía, do álbum Sin Miedo (del Amor y Otros Demonios) (2020), talvez o momento mais aguardado da noite. O hit viral, responsável por ampliar de forma exponencial o alcance global da cantora, funciona como um ponto de convergência entre todas as fases de sua trajetória, e seu vocal ao vivo se mantém perfeito, idêntico ao gravado em estúdio.
No aspecto visual, o show é um espetáculo à parte. Um telão gigante ao fundo alterna cenários que vão de uma casa cor-de-rosa, balanço suspenso, corações, orquídeas e closes da própria artista. Ao longo da apresentação, Kali surge com asas, sobe em uma moto, utiliza xícaras cenográficas, uma cama gigante, transformando o espaço em uma extensão direta de sua narrativa estética e aproximando o espetáculo de um teatro musical.
No encerramento, a artista pega a bandeira do Brasil, selando a noite com uma conexão simbólica e afetiva com os fãs paulistanos.
Mais do que promover um álbum, a The Sincerely, Tour se estabelece como uma celebração da trajetória, da vulnerabilidade e da força estética de Kali Uchis, uma artista que sabe exatamente como transformar música em experiência


