Quando o assunto é música, a opinião de Jack White naturalmente chama atenção. Afinal, além de construir uma das carreiras mais influentes do rock nas últimas décadas, ele sempre demonstrou profundo respeito pela história do blues. Embora cite com frequência bandas como The Rolling Stones e Led Zeppelin, sua música favorita de todos os tempos vem, na verdade, de uma raiz ainda mais antiga: Son House.
Quem foi Son House?
Edward James “Son” House Jr. nasceu em 1902, no Mississippi, e se tornou um dos nomes centrais do delta blues. Inicialmente, ganhou destaque nos anos 1930 ao gravar pela Paramount Records. No entanto, após esse período, afastou-se da música por quase duas décadas.
Posteriormente, durante o renascimento do folk e do blues nos anos 1960, pesquisadores e músicos o redescobriram. Como resultado, ele voltou aos palcos e assinou com a Columbia Records. Foi então que lançou The Legendary Son House: Father of Folk Blues, álbum que apresentou ao público faixas como Death Letter Blues e Grinnin’ in Your Face.
Essas gravações, por sua vez, influenciaram diretamente uma nova geração de artistas, incluindo o jovem Jack White.
A música que mudou tudo
White chegou a gravar sua própria versão de Death Letter Blues. Entretanto, foi Grinnin’ in Your Face que realmente o transformou. Diferentemente de muitas gravações da época, a faixa é completamente a cappella: apenas a voz de Son House, palmas fora do ritmo tradicional e batidas de pé.
No documentário It Might Get Loud, White relembrou o impacto que sentiu ao descobrir a canção aos 18 anos. Segundo ele, aquela gravação mostrou que era possível criar algo intenso e verdadeiro usando apenas voz e corpo. Além disso, revelou que a música representava tudo o que ele entendia como essência do rock and roll: expressão crua, criatividade e arte sem filtros.
Em outras palavras, “Grinnin’ in Your Face” condensava a ideia de um homem sozinho contra o mundo. Por isso, a canção o marcou profundamente. Para Jack White, aquele momento não foi apenas uma descoberta musical — foi, acima de tudo, uma revelação artística.


