Deep Purple aquece a noite fria de São Paulo com nostalgia e grandes clássicos do rock

O Deep Purple foi a atração principal deste domingo (15) no festival The Best of Blues and Rock, em São Paulo. A escolha da produção em encerrar a noite com a banda britânica não poderia ter sido melhor – afinal, os músicos têm uma relação especial com o Brasil. Em atividade desde 1968, o quinteto já visitou o país mais de dez vezes, sendo a última em 2024, no Rock in Rio.

Pouco antes da apresentação, a Moodgate participou da coletiva de imprensa com a banda. Durante a conversa, os integrantes foram questionados sobre sua relação com o Brasil e com a música brasileira. A resposta veio de forma direta: “A música brasileira é única. Quando estamos aqui e ligamos o rádio, é exatamente o que queremos ouvir.”

Nem mesmo o frio impediu os fãs de se reunirem no Parque Ibirapuera para acompanhar o show ao ar livre do Deep Purple. Com a plateia dividida entre um público mais jovem – que dançava animadamente, embora em menor número – e um público maduro, que acompanhava tudo com brilho nos olhos, o espetáculo começou pontualmente às 20h20.

E se alguém ainda acredita que a pose de um rockstar está na aparência, Ian Gillan faz questão de provar o contrário. O vocalista subiu ao palco com simplicidade: uma camiseta, calça comum e o crachá de artista usado para acessar o backstage.

A setlist mesclou os clássicos da carreira, claramente os favoritos do público, com faixas do álbum mais recente da banda. Durante a coletiva, o grupo explicou que, embora soubesse da preferência pelos sucessos antigos, recebeu recomendações para incluir mais músicas do novo projeto, =1. Uma escolha que talvez não tenha agradado a todos: nas canções mais recentes, poucos cantavam junto e parte da plateia parecia dispersa.

Ainda assim, a noite esteve longe de ser monótona. Clássicos como Highway Star, Space Truckin’ e Smoke on the Water deixaram a plateia à beira da loucura, elevando a energia do show.

É impossível não destacar o papel de Simon McBride, guitarrista que ingressou no grupo em 2022, substituindo Steve Morse. Com solos arrepiantes e riffs marcantes, McBride conquistou a atenção total do público, que se calava diante do som de seu instrumento que ecoava pelo parque. Além disso, foi um dos mais empolgados no palco, incentivando a plateia a entrar no clima e cantar junto.

Coube a Ian Gillan guiar a banda por uma verdadeira viagem nostálgica. Prestes a completar 80 anos, o vocalista entregou tudo em uma performance digna de um verdadeiro ícone do rock. Muitos talvez não esperassem que alguém com tanta estrada ainda conseguisse segurar quase duas horas de show – sem playback, sem terceirizar vocais -, mas Gillan provou que ainda é capaz.

Don Airey, o tecladista, também brilhou intensamente. Seus solos rápidos e envolventes arrancaram gritos e aplausos da plateia, levando o público ao delírio a cada nota tocada pelo músico.

É merecido destacar que é impossível assistir a uma apresentação do Deep Purple e não sair encantado com a banda. O grupo é um dos poucos que, ao vivo, não decepciona. Eles entregam tudo — e até mais — em sua performance, independentemente da idade, do clima ou da animação da plateia. Mostram que estão ali para fazer o que precisa ser feito, e fazem com excelência. Até quem não é fã acaba deslumbrado com o espetáculo. Por fim, é imprescindível dizer: o show do Deep Purple não é apenas uma apresentação, mas uma experiência sonora que todos deveriam ter a chance de viver ao menos uma vez na vida.