O passado sombrio que marcou a infância de Machine Gun Kelly

Em entrevista ao podcast Dumb Blonde, Machine Gun Kelly compartilhou experiências traumáticas de sua infância que moldaram sua visão de mundo. (Foto: Reprodução/Instagram)
Em entrevista ao podcast Dumb Blonde, Machine Gun Kelly compartilhou experiências traumáticas de sua infância que moldaram sua visão de mundo. (Foto: Reprodução/Instagram)

O cantor norte-americano Machine Gun Kelly é ocasionalmente conhecido por suas canções que carregam letras intensas, sombrias, agressivas e, por vezes, depressivas. Desde o início de sua carreira — quando ainda atuava exclusivamente no rap — MGK expunha, por meio das canções, comportamentos compulsivos, obsessivos e claramente marcados por traumas.

Um dos temas recorrentes em seus trabalhos é a ausência materna. MGK tinha apenas nove anos quando foi abandonado pela mãe. Ele aborda essa ferida em faixas como Burning Memories, na qual canta: “How’d you leave your only child at nine for another dude?”.

Apesar disso, o que mais impactou sua personalidade foi a própria criação conturbada. Recentemente, Colson foi um dos convidados do podcast “Dumb Blonde”. No episódio, o músico desabafou e relembrou histórias de sua infância que ajudam a entender os traços traumáticos presentes em suas músicas.

O passado sombrio que marcou a infância de Machine Gun Kelly

Durante a conversa, MGK revelou que seu pai foi julgado, aos nove anos, pelo assassinato do próprio pai — o avô de MGK. Esse episódio se tornou um trauma central na vida do pai, influenciando diretamente seu comportamento na criação do filho, Colson Baker.

“Eu sempre ficava muito bravo com [meu pai] quando era criança, porque se eu o assustasse ou se ele ouvisse um estrondo ou um barulho alto, ele surtava — um pânico terrível”, explicou. “Você se senta e pensa em um garoto que estava sendo julgado aos 9 anos pelo assassinato do pai, e a história que me contavam era sempre que o pai dele tinha deixado a arma cair e a cabeça dele basicamente explodiu. Então, tudo isso aconteceu no quarto com meu pai, aos 9 anos.”

Na ocasião, uma espingarda foi encontrada embaixo da cama, no local do crime. A polícia passou a investigar tanto o pai quanto a avó de MGK como suspeitos. Ambos, porém, foram inocentados.

Ainda assim, a experiência deixou marcas profundas. MGK relatou que o trauma vivido pelo pai contribuiu para o surgimento de uma dupla personalidade. Além disso, havia um histórico familiar de esquizofrenia. No podcast, Colson descreveu o pai como alguém com traços obsessivo-compulsivos, comparando-o ao personagem vivido por Christian Bale no filme Psicopata Americano.

O pai de MGK morreu em julho de 2020, em decorrência ao câncer. Em 2022, o músico revelou que tentou suicídio após a perda do familiar. “Eu não saía do meu quarto e comecei a ficar muito, muito, muito sombrio. Megan foi para a Bulgária para filmar um filme e eu comecei a ter uma paranoia realmente selvagem. Tipo, eu ficava paranoico de que alguém viria e me mataria”, relembrou o artista antes da estreia de seu documentário “Life in Pink”, no Hulu.

“Eu liguei para Megan. Eu falava: ‘Você não está aqui para me ajudar’. Estava no meu quarto e estava pirando com ela. Cara, eu coloquei a espingarda na minha boca. E eu estava gritando no telefone e a arma estava na minha boca. Eu engatilhei a espingarda e o projétil ficou preso. Megan ficou em silêncio”, relatou o cantor.

Assista ao podcast:

LEIA MAIS

Para quem Liam Gallagher escreveu “Little James”, do Oasis?

5 álbuns que irritaram os próprios fãs