O Cine Joia, em São Paulo, foi palco de uma das noites mais marcantes para o hardcore nacional. Nesta sexta-feira (11), aconteceu o primeiro de três shows especiais reunindo Dead Fish e a banda argentina Eterna Inocencia. Uma celebração poderosa do hardcore latino-americano, que uniu duas referências do gênero em uma noite simplesmente inesquecível, repleta de energia, mosh e muita entrega.
Com os portões abertos às 21h, a casa de shows foi se enchendo aos poucos. Às 22h em ponto, Eterna Inocencia fez sua estreia nos palcos brasileiros trazendo um setlist recheado de sucessos. Conhecidos por suas posições políticas firmes, os argentinos incendiaram o público, preparando o clima para a atração principal. A interação não ficou só no discurso: em um momento emblemático, passaram o microfone para um fã que puxou, junto à banda, um coro de protesto contra o governo de Javier Milei**,** presidente da Argentina. Após cerca de 45 minutos de pura intensidade e muitos moshs, Rodrigo Lima, vocalista do Dead Fish, subiu ao palco para dividir a cena em uma apresentação conjunta que fez a plateia vibrar ainda mais.
Encerrada a performance dos argentinos, a casa ficou completamente lotada. Perto das 23h, todos aguardavam ansiosos pela entrada do Dead Fish, que subiu ao palco com pontualidade e foi recebido com gritos e aplausos. Quem achava que o público não poderia ficar mais insano do que durante o show do Eterna Inocencia, se enganou: a conexão entre banda e fãs foi imediata. Assim que as primeiras notas ecoaram, a pista virou um mar de stage dives, fãs subindo ao palco para cantar com Rodrigo Lima, rodas de mosh e até bebida voando pelos ares, uma catarse coletiva que transformou o espaço numa experiência única e vibrante.



Assim como os hermanos argentinos, o Dead Fish tem em seus shows uma marca registrada: o posicionamento político sem rodeios. Durante a apresentação, Rodrigo Lima fez discursos críticos direcionados ao Congresso, à extrema direita, às elites econômicas e também às recentes leis de taxação. Muito além de entreter, a banda provoca reflexão e oferece ao público a chance de discutir temas relevantes, mostrando que arte também é resistência, algo cada vez mais urgente no cenário atual.
A energia de A Urgência ao vivo é indescritível!
— Moodgate ⚡️ (@Moodgate_) July 12, 2025
Dead Fish é absurdo 🤘🏼🔥
📹: @marissavioli pic.twitter.com/6DC6oxAPXV
Com um set de cerca de 1h30, o Dead Fish levou os fãs ao delírio com músicas que marcaram gerações. Destaque para as performances de A Urgência, Adeus, Adeus, Diesel, Asfalto, Dentes Amarelos, Queda Livre, Autonomia e outras faixas que incendiaram a plateia. Mais que um show, a banda construiu um ambiente de pertencimento e segurança, visível nos momentos de crowd surfing e na participação dos fãs no palco.



Mesmo para quem não acompanha o grupo tão de perto, fica claro por que eles conquistaram uma base tão fiel, algo que só fortalece sua grandeza. O Dead Fish é essencial em um cenário dominado por artistas e bandas que preferem silenciar sobre questões importantes para preservar números e agradar públicos maiores.



