15 anos de Nightmare: o luto que virou lenda e eternizou o Avenged Sevenfold

Integrantes do Avenged Sevenfold durante a era Nightmare
Avenged Sevenfold durante a era Nightmare, álbum lançado após a morte de The Rev e um dos mais marcantes da banda (Foto: Divulgação)

Em 2025, Nightmare, um dos álbuns mais emblemáticos e aclamados do Avenged Sevenfold, completa 15 anos. Lançado em 27 de julho de 2010, o disco marcou profundamente a trajetória do grupo e toda uma geração de fãs. Isso porque, apesar de ser o quinto álbum de estúdio da banda norte-americana, Nightmare é o primeiro trabalho do Avenged após a trágica morte do baterista e membro fundador James Sullivan – conhecido também como The Rev ou Jimmy -, em dezembro de 2009.

O integrante chegou a participar das gravações iniciais e contribuiu significativamente com a composição de boa parte das músicas, mas faleceu antes de concluir o projeto. Mesmo abalados, Matthew Shadows (vocalista), Synyster Gates (guitarra), Zacky Vengeance (guitarra) e Johnny Christ (baixista) decidiram seguir em frente com a gravação do disco – que inclui gravações póstumas de The Rev, como os vocais na canção Fiction -, transformando toda a obra em um grande processo de catarse e reconstrução. Para a conclusão do trabalho, o Avenged Sevenfold contou com a participação especial de Mike Portnoy, líder e ex-baterista do Dream Theater, que era um dos maiores ídolos de The Rev.

Sem roubar o protagonismo, Portnoy gravou as linhas de bateria mantendo a essência de Sullivan com as baquetas e respeitando a visão original das músicas. A verdade é que ninguém estava preparado para a perda devastadora de Jimmy, mas isso acabou dando uma carga emocional única ao disco. Como resultado, Nightmare se concretizou como um álbum visceral, sombrio e emocionante, que mergulha em temas como morte, luto, redenção e saudade.

Faixas como Save Me, Victim e Tonight The World Dies sintetizam muito bem o estado emocional da banda e têm letras sensíveis sobre a morte e o luto. Mas não há dúvidas de que a grande estrela do disco é So Far Away, que havia sido composta originalmente por Synyster Gates para homenagear o seu falecido avô, mas virou uma homenagem direta à Jimmy e que soa bastante como um desabafo em forma de carta de despedida. Já Fiction é outra canção que merece destaque, principalmente pela participação póstuma de The Rev nos vocais do refrão, que entoa: “Not that I could / Or that I would / Let it burn / Under my skin / Let it burn”.

Por outro lado, Nightmare, Natural Born Killer e Buried Alive têm uma pegada menos melancólica, mas ainda assim abordam temáticas como guerra e angústia. De maneira geral, o álbum equilibra uma sonoridade mais agressiva com uma profunda melancolia em meio ao caos. Há momentos mais pesados, com solos de guitarra e muita potência vocal, combinados com baladas mais emocionais.

A banda, que foi fundada em 1999 em Huntington Beach, na Califórnia, é conhecida por sua mistura de metalcore, hard rock, metal progressivo e hardcore, e tem trabalhos brilhantes desde o início da carreira, como o Waking The Fallen (2003) e o City of Evil (2005). Ao longo da sua trajetória, o Avenged Sevenfold construiu uma identidade própria e consolidou uma fiel base de fãs.

No entanto, não dá para ignorar que a morte de The Rev foi um grande divisor na história do grupo: existe um Avenged antes e depois de Sullivan, que era parte da alma da banda e sempre esteve envolvido nas composições – e que segue sendo homenageado até hoje pelos membros.

Por isso, depois de 15 anos, o Nightmare permanece como uma das obras mais simbólicas e representativas da banda – não apenas pelo impacto do disco, mas também pelo peso emocional que ele carrega. Afinal, mesmo após uma perda significativa, o Avenged Sevenfold conseguiu transformar dor em arte e manter a relevância do grupo, estreando, inclusive, no topo da Billboard com o lançamento do disco e consolidando o grupo como um dos maiores nomes do metal contemporâneo.