A cantora, compositora e empresária Preta Gil morreu nesta sexta-feira (19), aos 50 anos. Desde janeiro de 2023, ela lutava contra um câncer colorretal. Embora tenha sido considerada curada em agosto do mesmo ano, a doença retornou de forma agressiva, atingindo outros órgãos. Por isso, em maio, Preta viajou aos Estados Unidos para buscar terapias experimentais. No entanto, seu quadro piorou nos últimos dias e ela não resistiu.
Durante os dois anos de tratamento, Preta passou por diversas internações e cirurgias. Em uma delas, ficou quase dois meses no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Além disso, precisou amputar o reto e passou a usar uma bolsa permanente de colostomia. Ainda assim, manteve sua força e senso de humor, tornando-se símbolo de coragem.
Um nome que virou bandeira
Preta Maria Gadelha Gil Moreira nasceu em 8 de agosto de 1974, no Rio de Janeiro. Desde o nascimento, sua identidade foi uma declaração política. “Na minha casa, Preta virou nome próprio”, relembrou Gilberto Gil, seu pai. “Se pode ser Branca, Clara ou Bianca, por que não Preta?”, completou.

Imagem: Reprodução/Instagram @pretagil
Crescida em um ambiente repleto de arte, Preta estreou como cantora em 2003 com o disco Prêt-à-Porter. A canção Sinais de Fogo, parceria com Ana Carolina, tornou-se um de seus maiores sucessos. Depois disso, lançou diversos álbuns, como Preta (2005), Sou Como Sou (2012) e Todas as Cores (2017), reunindo nomes como Anitta, Ivete Sangalo, Thiaguinho e Pabllo Vittar.
Voz ativa nas lutas sociais
Além da música, Preta se destacou como uma das personalidades mais atuantes em causas sociais no Brasil. Ela se declarou feminista e enfrentou de frente questões como racismo, gordofobia e LGBTfobia. Por onde passava, fazia questão de reafirmar o valor da diversidade e do amor próprio.
Em 2010, fundou o Bloco da Preta, que logo se transformou em um dos principais blocos de rua do Carnaval carioca. Com isso, mostrou que era possível misturar festa, afeto e militância sem perder a alegria.
Referência além dos palcos
Ao mesmo tempo que construía sua carreira artística, Preta também empreendeu. Em 2017, tornou-se sócia da Mynd, agência focada em influenciadores digitais e artistas. Além disso, participou de novelas e outros projetos audiovisuais, sempre mostrando versatilidade e autenticidade.
Agora, com sua partida, o Brasil perde uma das vozes mais importantes da cultura recente. Contudo, sua trajetória deixa marcas profundas: de empatia, coragem, arte e resistência.


