Preta Gil, que faleceu neste domingo (20), aos 50 anos, viveu seu último momento nos palcos de forma inesquecível. Em abril de 2025, a cantora participou da turnê Tempo Rei, de seu pai, Gilberto Gil, no Allianz Parque, em São Paulo.
Apesar de ter saído recentemente de uma cirurgia que durou mais de 20 horas, Preta decidiu subir ao palco. Acompanhada da irmã Nara Gil e da cunhada Mariá Pinkusfeld, que fazem parte da banda do pai, ela cantou Drão para uma multidão emocionada. A canção, escrita por Gil em homenagem à ex-esposa e mãe de Preta, Sandra Gadelha, ganhou uma nova camada de significado naquele momento.
Esse momento a gente vai guardar pra sempre! No ano passado, Preta Gil cantou Drão ao lado do pai, Gilberto Gil, no Allianz Parque. 🥹
— Moodgate ⚡️ (@Moodgate_) July 20, 2025
A música, feita para sua mãe Sandra Gadelha, virou despedida, virou abraço, virou eternidade.
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Além disso, a participação foi marcada por um dos episódios mais comoventes da noite: Gilberto, profundamente emocionado, não conseguiu conter as lágrimas ao dividir o microfone com a filha. Assim, o show se transformou em uma despedida carregada de afeto, poesia e força.
Uma trajetória de coragem e representatividade
Em agosto de 2023, Preta também participou do Criança Esperança, onde fez uma homenagem à sua madrinha Gal Costa, falecida no ano anterior. Enquanto isso, nos bastidores, travava uma batalha silenciosa contra o câncer.
A artista foi diagnosticada com câncer colorretal em janeiro de 2023. Desde então, adotou uma postura aberta e corajosa, compartilhando com o público os detalhes do tratamento. Por isso, tornou-se uma voz importante na conscientização sobre a doença e na promoção da autoestima, especialmente para mulheres negras e gordas.
Os primeiros sintomas surgiram durante uma turnê na Europa, quando precisou cancelar dois shows, um em Berlim e outro na Inglaterra. Logo após o diagnóstico, Preta passou por uma cirurgia de 14 horas, em que retirou o tumor, o útero e parte do reto.
No entanto, mesmo após ser considerada livre da doença em dezembro de 2023, ela enfrentou uma recidiva em agosto do ano seguinte. Novos linfonodos surgiram na pelve, o que a levou a iniciar uma nova fase de tratamento com quimioterapia.
Em dezembro, ela passou por mais uma cirurgia extensa, de 21 horas, seguida de quase dois meses de internação. Após a alta em fevereiro, decidiu viajar para os Estados Unidos, buscando terapias experimentais.
Um legado que vai além da música
Ao longo da carreira, Preta Gil se destacou não apenas pela música, mas também por levantar bandeiras importantes, como o combate ao racismo, à gordofobia e à LGBTQIA+fobia. Assim, ela se tornou referência de representatividade e resistência.
Seu último show, ao lado do pai, foi mais que uma performance: foi uma despedida simbólica, um reencontro familiar diante de milhares de pessoas.


