Nem todos os integrantes do Genesis gostavam de Selling England by the Pound (1973). Mesmo assim, o disco teve um fã improvável e ilustre: John Lennon. De acordo com o guitarrista Steve Hackett, o ex-Beatle elegeu o álbum como seu favorito — um reconhecimento que surpreendeu até a própria banda.
De Chuck Berry ao rock progressivo: a curiosidade musical de Lennon
John Lennon sempre demonstrou admiração pelos artistas que o cercavam. Durante a adolescência, se encantou pelo rock and roll de nomes como Chuck Berry, Elvis Presley e Jerry Lee Lewis. Com o tempo, no entanto, seu interesse se expandiu.
Ao longo dos anos 1970, Lennon passou a ouvir sons mais complexos e experimentais. Foi nesse período que ele descobriu o Genesis e se encantou com a estética sonora da banda em especial, com o álbum Selling England by the Pound.

A influência da psicodelia no Genesis e nos Beatles
Quando os Beatles deixaram os palcos em 1966, muitos imaginaram que a Beatlemania tinha acabado. No entanto, o que veio depois foi uma revolução criativa no estúdio. Álbuns como Revolver, Sgt. Pepper’s e Magical Mystery Tour mergulharam no psicodelismo e alteraram o rumo da música popular.
Essas mudanças impactaram fortemente bandas como o Genesis, que, embora fossem associados ao rock progressivo, também flertavam com a psicodelia. Em entrevista à Far Out Magazine, Hackett comentou:
“A música estava mudando. Distorções, sons invertidos, instrumentos indianos… Claro, as drogas também ajudaram. Mas acima de tudo, a psicodelia abriu espaço para solos que iam a qualquer lugar. Era como o free jazz dos roqueiros.”
Selling England: liberdade artística em sua forma mais pura
Hackett considera Selling England by the Pound o álbum mais psicodélico da banda. Não por acaso, o disco inclui clássicos como Firth of Fifth e Dancing with the Moonlit Knight.
Apesar de alguns colegas de banda não gostarem do álbum, Lennon o elogiou publicamente em 1973. Na época, Selling England… ainda estava fresco nas lojas.
“John disse que estava ouvindo Genesis. Para mim, aquilo foi marcante. Esse álbum é, sem dúvida, o mais psicodélico do nosso catálogo, se é que podemos usar essa palavra.”


