Quem viveu nos anos 1990 e 2000 tem alguma experiência com o Green Day. Talvez não tenha sido algo transformador, que mudou vidas e trajetórias, mas pelo menos um hit emplacado nas rádios já foi ponto de contato. Uma banda que mudou toda a trajetória do punk, que moldou caráteres, personalidades e – por que não – vidas e trajetórias.
Esse é o trio formado por Billie Joe Armstrong, o frontman, Mike Dirnt, o baixista, e Tré Cool, o carismático baterista. E carisma, inclusive, é algo que todos eles têm de sobra. Com um pé na porta dos 40 anos de trajetória, todos eles já pintaram e bordaram, entre sucessos e fracassos, para chegar exatamente onde se encontram hoje: no auge.
Porque há quem diga que o auge do Green Day foi após o lançamento de Dookie (1994), já que colocou o pop-punk no topo de todas as paradas musicais; outros, que foi no American Idiot (2004), que caiu como uma luva no momento político da época com hinos que ecoam como atuais mesmo 21 anos depois.



Portanto, canetar que o Green Day vive um dos maiores pontos de sua carreira pode soar no mínimo… ousado. Mas uma opinião como essa não surge por acaso. Quem vivenciou qualquer um dos shows que o trio fez no Brasil em 2025 provavelmente vai concordar.
No dia 12 de setembro, a Arena da Baixada foi incendiada por um espetáculo marcante. Enérgico. Inesquecível. A apresentação foi classificada pelo próprio Billie Joe como “a melhor que eles já fizeram no Brasil”. E é de se apostar que todo mundo que estava presente concordou com o cantor e guitarrista.
Com o fôlego intacto ao longo das quase duas horas de apresentação, a sequência impressionante de sucessos foi introduzida por Bohemian Rhapsody, acompanhada em coro pelas mais de 30 mil pessoas presentes, e por um medley de The Beautiful People, a Marcha Imperial e We Will Rock You: e a expectativa pela explosão do preâmbulo de American Idiot foi o começo perfeito para a festa que seria protagonizada pelos norte-americanos e pelo público.


Grande parte da história do Green Day foi construída devido às letras políticas de suas músicas. E, por isso, canções como Holiday têm seus versos levemente alterados para ir ao encontro de assuntos atuais. “The representative of Brazil has the floor…”. Outras que bebem dessa fonte, mesmo sem mudanças, são Know Your Enemy, que sequenciou as citadas, num ritual já conhecido dos shows para chamar um fã ao palco.
O setlist variado em relação ao show de São Paulo no dia 7 de setembro, no The Town, mostra que os hits “obrigatórios” podem ser acompanhados de muitas surpresas – como Revolution Radio e Church on Sunday, esta, música do álbum Warning (2000) que ainda não tinha aparecido na Saviors Tour.
As músicas do último álbum de estúdio, inclusive, lançado em 2024, já entraram no rol da banda como clássicos ao vivo instantâneos. One Eyed Bastard, Dilemma e Bobby Sox já estão no repertório do público, que ficou contente em entoar os refrões chiclete. “Bada bing, bada bing, bada boom…”; “I was sober now I’m drunk again, I’m in trouble and in love again…” e, aos berros, “do you wanna be my girlfriend? Do you wanna be my boyfriend?”
Ao escrever um texto como este, fica difícil até mesmo destacar os pontos positivos, visto que o show inteiro foi catártico. Desde as baladas, com 21 Guns, que emocionam qualquer fã, até Welcome to Paradise, Basket Case, St. Jimmy, When I Come Around e Jesus of Suburbia, que fizeram todo mundo tirar os pés do chão – com o próprio Billie Joe conduzindo em diversos momentos.
Como se fosse capítulos de um livro, a longa Jesus of Suburbia jamais se torna cansativa, mesmo depois de 21 anos. pic.twitter.com/94XHOm4FXS
— Moodgate ⚡️ (@Moodgate_) September 13, 2025
A interação com a plateia aconteceu continuamente e, numa apresentação em que já é praticamente impossível ficar parado, até os de cara mais fechada se viram tirando os pés do chão para acompanhar a multidão.
O encerramento na voz e violão com Good Riddance, mais conhecida por Time of Your Life pelo refrão icônico, foi o ponto final perfeito, afinal, nenhuma outra letra poderia descrever de forma melhor como foi a vivência de quem estava presente. We had the time of our lifes – uma experiência para ser lembrada para o resto da vida!

