Kendrick Lamar está a caminho do Brasil com a sua aguardada turnê Grand National Tour, com apresentação marcada no Allianz Parque, em São Paulo, no dia 30 de setembro de 2025.
O show marca o retorno triunfal do rapper ao país após anos de espera dos fãs brasileiros – e muitos prêmios na bagagem, além de uma vitória no que hoje se vê como um dos maiores conflitos da história do rap.
Para completar a noite, a abertura fica por conta da dupla argentina Ca7riel & Paco Amoroso, conhecidos por sua energia crua, estética ousada e instrumentais que desafiam os limites do rap e do R&B latino.
Desde que Kendrick se consagrou como uma das vozes mais importantes do hip hop, sua presença ao vivo se tornou evento raro e intenso. Seus shows, sempre meticulosamente pensados, trazem performances afiadas, visuais impactantes e discursos que ecoam muito além do palco. Mas, apesar da força do repertório, há sempre aquele desejo de escutar algumas músicas que nunca se sabe se estarão na setlist. Pensando nisso, listamos cinco faixas que os fãs mais atentos certamente adorariam ouvir no Allianz, mesmo que as chances sejam pequenas.
Se liga no mood!
A primeira delas é These Walls, do que pra nós é um dos – se não o maior – álbum de rap da história, To Pimp a Butterfly. Com graves e grooves que abrem espaço para uma narrativa densa – muito por conta da participação do extraordinário Thundercat, a faixa mistura soul, funk e confissão. É uma track sobre prazer, sim, mas também sobre prisão emocional, culpa e consequências. Seria um momento dançante e bonito do show.
Outra que merece um lugar especial no set é The Heart Part 6, lançada em 2024 como parte da sequência de faixas que Kendrick costuma usar como carta aberta aos fãs (e ao rap em si), enquanto o clima ainda esquentava no conflito com Drake. Nesta sexta parte, ele responde diretamente ao rapper canadense em um dos embates líricos mais marcantes dos últimos anos. A track tem tudo: intensidade, vulnerabilidade e a falsa arrogâncja controlada de quem sabe que está no topo. Seria histórico vê-la ao vivo, especialmente num país onde o público valoriza batalhas líricas.
FEAR., de DAMN., também figura entre os momentos mais densos e importantes da discografia de Kendrick. A faixa explora o medo em três fases da vida: infância, adolescência e idade adulta, pintando um retrato complexo da psique de um jovem negro nos EUA. Ao vivo, essa música traria um peso emocional quase religioso, criando uma pausa reflexiva no meio do caos do show. Ela tem mais de 7 minutos, é verdade, mas…
E o que dizer de Wesley’s Theory, que abre To Pimp a Butterfly? A introdução cósmica de George Clinton, os versos sobre o ciclo de sucesso e exploração da indústria, o ritmo delirante – tudo traz muita sensação de poder e força. Também conta com Thundercat no baixo, que inclusive abriu o último show de Kendrick no Brasil, em 2022. Apesar de ser a porta de entrada de um dos álbuns mais celebrados da década, raramente entra nos shows. Uma pena, pois seria o começo perfeito para incendiar o Allianz.
Por fim, untitled 08, mais conhecida como Blue Faces, traz uma vibe mais dançante e otimista, algo não tão visto na obra de Kendrick antes de Mr. Morale, de 2022. Lançada na coletânea untitled unmastered, a faixa fala de dinheiro, luta e liberdade com um groove contagiante que contrastaria lindamente com os momentos mais densos do show. Um respiro, sem perder a substância.
Com carreira marcada por complexidade, inovação e impacto cultural, Kendrick Lamar nunca entrega o óbvio. Mas parte da graça de vê-lo ao vivo é justamente sonhar com essas surpresas: aquelas músicas que talvez ele toque só uma vez, para um público específico, numa noite que vira memorável. Afinal, só se espera o lendário de quem não tem mais nada a provar. Quem sabe São Paulo entra nessa história?


