Um Doce Maravilha 2025 chega para seu segundo dia, diante de um tempo ensolarado contemplando a linda paisagem da cidade do Rio de Janeiro. E, termos de estrutura que o festival entrega, tudo é facilitado para o público, que desfruta de uma experiência totalmente voltada para o consumo de música. Ou melhor, música brasileira.
Conforme a noite chega, a temperatura começa a cair, mas dura pouco tempo, pois o Baianasystem sobe ao palco para trazer de volta todo aquele calor. As batidas de tambor diretamente da Bahia misturado com rock e elementos da música afro, não deixam ninguém ficar parado, os movimentos se tornam involuntários, e quando menos se espera, toda a plateia se transformou em um organismo único, vivo e pulsante.
O show ficou marcado pela estreia do inédito Lundu Rock Show, uma conexão entre os discos O Futuro Não Demora (2019) e O Mundo Dá Voltas, lançado neste ano. Comandado por Russo Passapusso, o setlist foi muito bem definido, e clássicos para agitar as rodinhas como Saci e Capim Guiné não demoraram a aparecer. Destaque também para A Mosca, um cover alternativo de Raul Seixas que fez a galera gritar.
De repente, um Boi-Bumbá surge no meio da plateia, que abre espaço e dança ao seu redor. É hora de Lucro (Descomprimindo), o grande hit da banda que se espalhou pelo Brasil e marca um dos momentos mais aguardados de suas apresentações.



Trazendo um discurso sobre soberania, valorizando nossa cultura e se opondo ao discurso imperialista Sulamericano foi tocada, referenciando, também, a importância de reconhecer-se como latino americano.
Foi um show intenso, praticamente 1 hora sem deixar o ritmo cair e a fria noite carioca passou despercebida, tamanha agitação.
Logo na sequência, para encerrar a noite de maneira apoteótica, Ney Matogrosso com Marisa Monte.
Nada explica Ney Matogrosso. Uma verdadeira entidade da cultura brasileira. Vital, empolgante, emocionante, e quantos mais adjetivos similares existirem, nada consegue descrever o que Ney causa e representa em cima do palco.



Seu repertório extenso abre um leque de possibilidades. Possibilidades estas, que são muito bem conduzidas por um setlist conciso, recheado de clássicos, passando por diversas eras, contemplando Secos & Molhados e tudo mais que há de ser celebrado dentro da música brasileira.
Teve “Jardins da Babilônia” de Rita Lee, “O beco” dos Paralamas do Sucesso, “Tua Cantinga” de Chico Buarque, “Já que tem que” de Itamar Assunção, e por aí vai.
A festa ganha ainda mais brilho a partir da 13ª música, quando Marisa Monte se junta a Ney para cantar uma sequência de “Fala”, “O leãozinho”, “Coração Civil”, “O vira”, “Sangue latino”, “Balada do louco”, “Na rua, na chuva, na fazenda” e “Pro dia nascer feliz”.



A forma na qual os dois conduziram o palco foi extraordinária. Ditando o ritmo para a plateia, Ney fazendo todos gritarem com suas danças e Marisa Monte, ecoando sua voz sem fazer o menor esforço para tal.
Um encerramento digno de um festival que cada vez mais ganha o coração dos cariocas. Sublime.


