O Guns N’ Roses já tem uma longa história com o Brasil. Desde a primeira visita em 1991, a banda passou por diversas cidades e festivais, incluindo apresentações marcantes no Rock in Rio e turnês como a Not In This Lifetime…, que consolidaram ainda mais o carinho do público brasileiro. Em 2025, eles retornam ao país com a turnê Because What You Want and What You Get Are Two Completely Different Things, trazendo cinco datas confirmadas: Florianópolis, São Paulo, Curitiba, Cuiabá e Brasília. E neste sábado (25), rolou o segundo show da banda, desta nova turnê pelo país, em São Paulo, repleto de solos incendiários aos clássicos que fizeram o estádio inteiro cantar junto.
Segundo show do Guns pelo país retorna aos anos 80 e 90 unindo gerações
O show começou pontualmente, com uma sequência de instrumentais fervorosos e solos que, mesmo após décadas de estrada, continuam impressionando pela técnica e intensidade. Welcome To The Jungle deu abertura à nostalgia e, assim, ela só acabou com a banda deixando os palcos.
Slash e Richard Fortus conduziram os riffs dali a cada faixa seguinte, mantendo o peso rítmico da banda sob os palcos.
E falando ainda sobre o instrumental, a bateria de Frank Ferrer e o baixo de Duff McKagan também foram explosivos, enquanto os teclados de Melissa Reese adicionavam camadas sutis que enriqueciam o som melódico ao vivo.
A voz de Axl Rose, por sua vez, oscilou ao longo da apresentação. Em alguns momentos, especialmente nos agudos de faixas como Knockin’ On Heavens Door (cover de Bob Dylan), Paradise City, Nightrain e Sweet Child O’ Mine, ela atingiu picos que lembravam os tempos áureos da banda. Em outros, a potência vocal era mais contida, reflexo natural da passagem do tempo. Porém, mesmo diante disso, o público cantava incessantemente, com coros e palmas que seguiam a voz de Axl, pois eles já sabiam o próximo verso. O vocalista estava animado, pulando, dançando e correndo com o suporte de microfone. Às vezes, interagia com o público. “Boa noite motherfuckers!”, foi uma das frases que tirou gritos da galera em meio às músicas.
O repertório foi extenso, com três horas de show, tendo espaço para variados clássicos. Os álbuns mais tocados foram o Use Your Illusion I e II, o Appetite For Destrutiction, porém com espaço para Chinese Democracy e covers.
Diante disso, houve a homenagem a Ozzy Osbourne, com a performance de Sabbath Bloody Sabbath, do álbum homônimo, que surpreendeu e empolgou os fãs. Axl disse nos palcos “Thank you for Ozzy”, trazendo emoção para o estádio.
Civil War, Live And Let Die e You Could Be Mine trouxeram coros mais do que nunca, mantendo o clima de nostalgia e reverência à trajetória da banda. Cantavam adultos, adolescentes e crianças juntas que, muitas vezes, estavam no colo dos pais com faixas ou bandas que representavam o estilo de Axl em sua juventude, acessório característico do vocalista.
Durante Don’t Cry, o estádio inteiro se emocionou. Luzes de celulares acesas e vozes entrelaçadas tomaram conta do estádio. Já em November Rain, o palco ganhou um piano e Axl surgiu com uma jaqueta de paetês, criando uma atmosfera ainda mais emocionante. A performance foi um dos pontos altos da noite, com solos de Slash e riffs bem executados e memoráveis.
Don’t Cry, do álbum Use Your Illusion I, emocionando e tirando coros do público
— Moodgate ⚡️ (@Moodgate_) October 26, 2025
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Ao final, com Paradise City, a energia do público, mesmo após três horas de show, ainda podia ser vista. Afinal, um hit clássico precisa ser bem aproveitado.
Slash jogou palhetas para a plateia e os integrantes se reuniram no centro do palco, deram as mãos e agradeceram ao público brasileiro, o que encerrou a noite com gratidão não só pelo show, mas por todo o legado. Nesta passagem do Guns pelo Brasil, o que se vê é um reencontro entre uma banda histórica e uma legião que nunca deixou de seguir-lá. Mesmo com os sinais do tempo visíveis na voz de Axl Rose e na maturidade do grupo, a entrega no palco continua nostálgica, com o instrumental de Slash e Frank potentes e enérgicos, e a resposta do público mostra que a conexão permanece viva. É uma relação construída ao longo de décadas, marcada por clássicos, emoção e uma energia que resiste ao tempo. O que mostra que os próximos shows trarão boas emoções quanto este, afinal, a turnê pelo país está só começando.


