Tempo Rei no Rio: Gilberto Gil prova que o tempo ainda dança com ele

Gilberto Gil cantando e tocando guitarra durante show da turnê Tempo Rei na Farmasi Arena, no Rio de Janeiro. Foto: Joel Rocha / Moodgate
Gilberto Gil em noite histórica na Farmasi Arena — Rio de Janeiro Foto: Joel Rocha / Moodgate

Por Marcos Azevedo

A turnê Tempo Rei voltou ao Rio de Janeiro neste fim de semana, em apresentação na Farmasi Arena, para uma plateia emocionada. O show mantém o formato que tem levado Gilberto Gil a diferentes cidades do país desde março, com um repertório que passeia por toda trajetória e fases do músico. No palco, o artista alterna entre momentos de introspecção e de celebração. Sempre com um sorriso constante que basta para manter o público com ele.

As participações especiais se tornaram uma parte importante da turnê, gerando curiosidade e expectativa a cada cidade. O público chega aos shows querendo descobrir quem estará no palco com Gil, e o formato tem funcionado como uma maneira de renovar a experiência a cada apresentação. No show deste sábado, pela primeira vez, três artistas diferentes dividiram o palco com Gilberto Gil em momentos separados. A faixa Extra II (O Rock do Segurança), presente nas apresentações anteriores, foi retirada do setlist para dar espaço às novas participações.

IZA dividiu os vocais em Não Chore Mais (No Woman, No Cry) e parecia encantada por estar ali. Sorriu o tempo todo e trocou olhares com Gil. A plateia acompanhou em coro e o dueto transformou o momento em um dos pontos mais calorosos da noite.

O músico Carlos Malta se juntou a Gil em Expresso 2222. Sua participação acrescentou força e ainda mais brasilidade ao arranjo, em uma troca elegante com a banda. Mesmo não sendo conhecido por parte do público, Malta impressionou pela precisão, somando sem ocupar o centro da cena.

Zeca Pagodinho subiu ao palco na clássica Aquele Abraço. Trajando camisa branca e paletó azul, cores da Portela, ele abriu os braços e fez graça quando a letra mencionou a escola, arrancando aplausos. Brincou, improvisou e se divertiu. A arena respondeu no mesmo tom e o encontro entre os dois virou o momento mais descontraído do show.

O encerramento veio com Toda Menina Baiana, em clima de apoteose. A produção ampliou a chuva de papel picado, cobrindo o espaço com cores e movimento. A plateia dançou, cantou e aplaudiu, transformando o fim do show em uma grande festa.

A nova passagem de Tempo Rei pelo Rio reafirma o vigor de Gilberto Gil e a capacidade de sua obra de unir gerações. Aos 83 anos, ele segue conduzindo o palco com serenidade e ritmo. O tempo ainda dança com ele e o público continua dançando junto.