No último domingo, (2), a produtora 30ebr deu início ao seu mais novo projeto: o selo ÍNDIGO. Segundo a empresa, essa é uma nova frente que deve se dedicar à música alternativa. Se essa é a premissa, a primeira edição do festival homônimo construído pelo selo até que cumpriu o seu papel.
No Parque Ibirapuera, em São Paulo, o público era um pouco mais velho que o rotineiro, afinal, nomes como Weezer e Bloc Party (os melhores da noite), tiveram o auge de seu sucesso entre os anos 90 e 2000.
O dia começou cedo, com os portões abrindo às 13h e uma sequência de shows que se estendeu até o início da noite. Ao ar livre, em meio às árvores e um cenário visual agradável, o evento teve atmosfera leve, ainda que não tenha empolgado tanto parte do público presente, que se baseava entre fãs do Weezer e alguns pequenos grupos curiosos para conferir as outras atrações. Um destaque nas produções no Parque Ibirapuera, inclusive, é a estrutura que parece cada vez mais assertiva, independente do responsável pela realização: poucas filas, visão privilegiada do palco em quase todos os lugares do local e atrações de intervalo que conhecem as audiências. Por outro lado, talvez por se tratar de um ambiente aberto, o som deixou a desejar em alguns momentos, parecendo estar muito nivelado, comprimido e, por vezes, até exageradamente baixo.
Um acerto dessa primeira edição – e talvez o mais importante – foi o lineup. O punk japonês do Otoboke Beaver animou quem chegou cedo de forma naturalmente explosiva, com um som cheio de atitude e muita postura. Depois foi a vez da espanhola Judeline, com um indiepop alternativo que misturava de forma não tão homogênea elementos eletrônicos e vocais quase etéreos. Bom nome da nova safra de artistas hispanohablantes.
Na vez do Mogwai, os grandes do post-rock, a experiência foi quase sensorial, com um set majoritariamente formado por canções instrumentais e uma mistura profunda, densa, que combinou com o local do show – talvez fosse ainda melhor se a noite estivesse caindo. Iluminação excelente que engrandece a apresentação. Daí o público se encantou com o que, para nós, foi o melhor show do festival: Bloc Party.



Os britânicos subiram ao palco com um único objetivo: explorar suas próprias nuances e envolver uma plateia que, em suma, estava ansiosa para ver o rock alternativo quase bicorde do Weezer. E eles conseguiram com muita facilidade envolver parte da audiência misturando indie, rock alternativo, dance e post punk. Faixas excelentes de grandes discos da banda, como Banquet, Helicopter e The Love Within desbloquearam memórias e ainda fizeram os rockeiros arriscarem um ou outro passinho. Bandaça.
Ah, os nossos anos de adolescência…
— Moodgate ⚡️ (@Moodgate_) November 2, 2025
Banquet pra todo mundo pular e cantar junto!
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Por fim, mas definitivamente não menos importante: o Weezer encerrou a noite com um show divertido, que não tinha como objetivo revolucionar nada, mas que foi muito bem tocado e performado. Hits como Buddy Holly, Beverly Hills, Ïsland In The Sun e Say It Ain’t So fizeram parte do repertório e alegraram as milhares de pessoas ali presentes em um fim de domingo meio frio. Para quem é fã, o show é um prato cheio.
Um clássico é um clássico! Island In The Sun é uma daquelas indispensáveis num show do Weezer!
— Moodgate ⚡️ (@Moodgate_) November 3, 2025
Hip hip! pic.twitter.com/JeIcT1t3q7
O Weezer possui essa característica de ter construído uma fanbase fiel em todos esses anos de existência, o que torna a conexão entre fã x artista algo quase palpável. A sensação que fica é que, para quem não viveu o auge do grupo, talvez o show não seja tão encantador, mas para quem teve sua adolescência marcada pelos discos homônimos (e de “mesmo nome”) é, definitivamente, uma celebração aos tempos áureos.



O resultado da primeira edição é positivo. Local, lineup, serviços, horários. Tudo ocorreu como o esperado e o público com certeza deve ter ficado satisfeito. Ainda assim, mesmo que “nichado”, o sentimento no fim do dia foi de “quero mais”. Talvez a produtora tome o sucesso do evento como base para futuras edições e transforme algo que, mesmo com suas nuances bem específicas, ainda tem potencial para ser maior. Ainda que essa talvez não seja a premissa do selo, os indies de plantão certamente repetirão a dose.


