Mick Jagger nem sempre pensou da mesma forma sobre versões. Embora os Rolling Stones tenham começado a carreira gravando muitos covers, o vocalista passou a questionar essa prática com o tempo.
No início dos anos 1960, a banda mergulhou no rock and roll e no blues americanos. Essa influência aparece de forma direta no álbum de estreia homônimo, lançado em 1964.
O disco é formado quase inteiramente por regravações. A proposta era clara: apresentar o estilo dos Stones enquanto dialogavam com a tradição que admiravam.
Covers como “Route 66” e “Carol”
Entre as faixas escolhidas estão “Route 66”, de Bobby Troup, “Carol”, de Chuck Berry, e “I Just Want to Make Love to You”, de Willie Dixon. Ao mesmo tempo, o álbum trouxe a primeira música autoral da banda.
“Tell Me (You’re Coming Back)”, assinada por Jagger e Keith Richards, marcou o início da virada criativa do grupo.
“Qual é o sentido?”
Após o lançamento do disco, Jagger passou a rever a ideia de regravar clássicos. Em uma entrevista, foi direto ao comentar uma das faixas: “Qual é o sentido de nos ouvir tocar ‘I’m a King Bee’ quando você pode ouvir Slim Harpo cantando?”
A frase resume bem sua mudança de postura. Para ele, algumas músicas já haviam sido gravadas de forma definitiva.
Mesmo assim, a história mostra que grandes canções seguem sendo revisitadas. “I’m a King Bee”, por exemplo, também ganhou versões de Pink Floyd e Grateful Dead.
Lançada em 1957, a música é um clássico do swamp blues. O estilo surgiu na Louisiana nos anos 1950, dentro das comunidades negras, e influenciou gerações.
James Brown e a influência no palco
Além das referências musicais, Jagger sempre destacou a importância da performance. Em entrevista à Rolling Stone, em 1995, ele revelou sua maior inspiração: “Eu queria me mover como James Brown. Copiei muitos dos movimentos no começo.”
Mais tarde, à revista Time, completou com bom humor: “Eu copiava tudo. Deslizava pelo palco como ele. Só não fazia o espacate.”


