LANY entrega show emocionante para público apaixonado em São Paulo

Banda LANY se apresenta no palco da Audio durante show em São Paulo.
LANY se apresenta na Audio em show marcado por forte conexão com os fãs brasileiros. Foto: Fernanda Lima / Moodgate

Paixão. É assim que se define a discografia do LANY, banda californiana atualmente formada por Paul Klein (guitarra/teclado/voz) e Jake Goss (bateria). O nome do grupo, um acrônimo para Los Angeles e New York, surgiu da ligação dos integrantes pelas duas cidades estadunidenses: o céu rosado entre as palmeiras, a metrópole caótica casa do american dream. Os temas das canções? Devoção, entrega e amor. 

Em atividade desde 2015, o LANY surgiu da mudança de cidade de Paul Klein, um jovem que encontrou na música sua maior vocação: falar sobre a complexidade das relações. Vindo de uma família interiorana de Oklahoma, já foi modelo, teve trabalhos comuns durante a juventude e até se arriscou em outros âmbitos artísticos. Os primeiros EPs, I Loved You. e Make Out, conquistaram alguns milhares de plays nos Estados Unidos com uma espécie de indie pop influenciado por R&B. Faixas como ILYSB, Bad Bad Bad, Made In Hollywood e 4VER! colocaram o grupo nos holofotes da cena norte-americana.

O primeiro disco chegou em 2017 e catapultou ainda mais o projeto ao estrelato: Super Far, Hericane, 13 e Good Girls colocaram o LANY em evidência, levando cada vez mais pessoas aos shows. Paul disse em uma entrevista na época que a música o deu propósito de vida, mesmo com suas outras aspirações. Ele se define como um amante apaixonado, sempre entregue ao romantismo – até por isso conquistou ainda mais espaço na indústria ao dedicar (ainda que indiretamente) um ótimo disco para sua ex namorada, a cantora Dua Lipa.

Malibu Nights, o sucesso meteórico, fala sobre os altos e baixos de uma relação amorosa pelas ruas e areias de Malibu, na California. Thick and Thin, If You See Her, a faixa-título e Thru These Stars apostam mais em pianos, sintetizadores e percussão. É uma abordagem mais comercial que definitivamente entregou o resultado esperado: maior abrangência nacional e o sucesso fora dos Estados Unidos.

Daí em diante foram três trabalhos de estúdio: o born & raised wannabe mama´s boy (2020), o baladeiro e dançante gg bb xx (2021) e o desacelerado a beautiful blur (2023). Neste meio tempo, o grupo veio ao Lollapalooza Brasil em 2019 e teve seu show cancelado por conta de questões meteorológicas. Em 2022, se apresentaram no Cine Joia, em São Paulo. Em 2024, duas datas: uma na capital paulista e outra no Rio de Janeiro. Agora, em 2026, eles chegaram à América do Sul com a missão de realizar o roteiro comum de atrações do Lolla: tocar no Chile e na Argentina em um final de semana e, supostamente, no Brasil alguns dias depois. No entanto, a banda não foi procurada pela organização da edição brasileira do festival, que acontece no próximo dia 20. Segundo Paul, nem eles entenderam o motivo. 

No palco da Audio, o vocalista foi enfático ao dizer que eles basicamente mereciam estar na edição brasileira do festival, quase dizendo que o evento devia esse espaço por 2019. E, de certa forma, ele até tem certa razão.

No entanto, a apresentação dos estadunidenses na Audio na noite desta quarta-feira chuvosa, (11), teve como protagonismo justamente o que define o LANY em todas as suas frentes e formas: entrega e paixão.

Divulgando SOFT, novo disco lançado em 2025, o duo desfilou seus hits, tocou música nova (a versão deluxe do álbum chega nesta sexta), foi para a galera, se enrolou em bandeiras do Brasil e elogiou a plateia brasileira.

A nova formação da banda de apoio, com três bons músicos no baixo, nos teclados/synths e na guitarra solo, ajudou a engrandecer uma apresentação com borda e recheio. Um dos pontos altos da carreira do LANY também é o ao vivo, o olho no olho, a conexão real entre banda e fã. Até por isso eles fizeram questão de realizar um meet & greet gratuito um dia anterior. O público comprou discos de vinil, posters e ainda teve a chance de tirar uma foto com Paul e Jake. Eles claramente se sentem bem em terras brasileiras e a cada vinda isso se torna mais evidente.

Em 1h40 de apresentação, o público fez flash mobs, levantou plaquinhas, vestiu as mesmas camisetas… a cartilha de um show para FÃ foi seguida à risca. E talvez essa seja a grande carta na manga do LANY: criar uma atmosfera e um ambiente confortável para quem os acompanha. Por isso as vindas recorrentes nos últimos quatro anos se justificam, mesmo com os shows nem sempre tão lotados.

Com o showbusiness mudando e com cada vez mais atrações ao vivo chegando pelo país, artistas têm olhado para o Brasil como uma mina de ouro: público apaixonado que compra ingressos, investe em experiências VIP e até viaja para acompanhar turnês em diversas praças. Hoje em dia, é raro encontrar bandas que se entregam tanto aos fãs quanto o projeto de vida de Paul e Jake. No meio de um mercado musical saturado por compromissos comerciais e agendas apertadas, o LANY ainda mantém a essência de quem está ali não só pelo cachê, mas também por amor ao que faz: a música.