Korn: a banda que levou o estranho ao mainstream

Gosto de pensar em como deve ter sido a sensação de ouvir pela primeira vez o lançamento de algum clássico. Imagina ser um adolescente escutando os riffs distorcidos do Black Sabbath logo no lançamento? Ou o quão impactante deve ter sido o momento que surgiu a agressividade rápida e técnica do thrash metal?

Não estive presente em nenhum desses momentos, mas eu estava lá quando a “esquisita” Blind, do Korn, foi lançada, e aquilo mudou a minha forma de escutar música. Riffs gigantescos construindo um clima tenso, um baixo “estralado”, quase percussivo e um grito perguntando se estávamos prontos. Acho que ninguém estava.

O Korn tem 14 álbuns lançados e, apesar de serem reconhecidos como “pais” do Nu metal, eles variaram bastante o som durante a carreira, tendo até se aventurado na música eletrônica. Para entrar no clima do show que vai rolar dia 16 de maio no Allianz Parque, aqui vão alguns destaques da discografia deles.

KORN (1994) – ISSUES (1999)

A fase consiste nos discos Korn, de 1994, Life is Peachy, de 1996, Follow the Leader, de 1998, e Issues, de 1999, um período que fez o Korn virar uma das maiores bandas do mundo. A relevância desses quatro discos é tanta que até hoje eles norteiam o setlist das apresentações.

Os destaques ficam com o hino atemporal Blind, a torta Twist, a dona do breakdown mais poderoso do nu metal, Freak on a Leash e a épica Falling Away From Me.

UNTOUCHABLES (2002) – KORN III (2010)

Nessa fase, foram lançadas as músicas untouchables, de 2002, Take a Look in the Mirror, de 2003, See You on the Other Side, de 2005, Untitled, de 2007, e Korn III, de 2010. Durante esses oito anos, o Korn passeou entre o nu metal clássico que o consolidou, mas também fez uma visita ao hard rock, stoner e rock alternativo.

Apesar de uma queda no âmbito comercial, grandes sucessos surgiram: a grandiosa Coming Undone, a dançante Y´all Want a Single e a carrancuda Here to Stay.

THE PATH OF TOTALITY (2011)

De longe, o álbum mais diferente do Korn. Para quem não lembra, o início dos anos 2010 foi marcado pelo boom do estilo eletrônico chamado dubstep, marcado por artistas como Knife Party e, principalmente, Skrillex. Inclusive, esse último foi um dos produtores do disco.

A banda buscou agregar a agressividade e o peso do estilo eletrônico à sua melancolia, e o resultado dividiu opiniões. Mas o esforço em tentar mudar de rota pareceu louvável e rendeu excelentes momentos como Get Up e Way Too Far.

THE PARADIGM SHIFT (2013) – REQUIEM (2022)

Aqui, o Korn faz as pazes de vez com suas raízes e parece conseguir caminhar para o futuro. The Paradigm Shift, de 2013, The Serenity of Suffering ,de 2016, The Nothing, de 2019, e Requiem, de 2022 são os discos dessa fase.

Destaque para o álbum de 2016 que, para muitos, é o melhor disco da banda fora da fase clássica. Pesado, agressivo, riffs densos, letras afiadas e vocais inspiradíssimos. Escutem: Insane, Never Never, The End Begins e Lost in the Grandeur.

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