RANCORE retorna com “BRIO” e inicia uma nova fase após 15 anos

Integrantes da banda RANCORE em foto promocional do álbum BRIO, marcando nova fase após 15 anos
RANCORE retorna com “BRIO” e inaugura nova fase na carreira. Foto: Tauana Sofia

Depois de uma turnê com ingressos esgotados e um reencontro que cresceu além do esperado, o RANCORE está oficialmente de volta com “BRIO”, seu quarto álbum de estúdio. O disco chegou às plataformas nesta quarta-feira (30), pela Balaclava Records, marcando um novo capítulo para a banda paulistana.

Referência no rock alternativo nacional, o grupo encerrou suas atividades em 2014, no auge, após anos intensos na estrada. Sem conflitos internos, a pausa veio como uma escolha natural. Ao longo desse tempo, os integrantes seguiram caminhos distintos, mas nunca se afastaram da música.

O retorno começou em 2023, com um show pontual que rapidamente se transformou em uma sequência de apresentações, depois em turnê e, agora, em um novo álbum.

“Voltamos sem grandes planos, mas a conexão foi tão forte que tudo foi acontecendo. Hoje, estamos muito empolgados em compartilhar o que consideramos o melhor disco da nossa carreira”, afirma o vocalista Teco Martins.

Um processo coletivo e imersivo

As composições de “BRIO” começaram a tomar forma em 2024, a partir de jams entre os integrantes em São Paulo. Com o avanço das ideias, a banda partiu para uma imersão no estúdio Alvorada, em Itupeva, onde gravou as bases de baixo e bateria ao lado do produtor Guilherme Chiappeta.

Posteriormente, guitarras e vocais foram registrados em diferentes sessões, enquanto a mixagem ficou por conta de Daniel Pampuri, em Los Angeles, e a masterização foi realizada por Fernando Rocha, no estúdio El Rocha, em São Paulo.

O processo se repetiu até que o grupo chegasse às 10 faixas que compõem o álbum.

Dualidade, existência e novas camadas

“BRIO” apresenta um trabalho denso, tanto sonora quanto liricamente. As músicas exploram contrastes e opostos complementares, transitando entre temas como vida e morte, frio e calor, céu e chão.

Além disso, o disco incorpora referências que vão da filosofia taoísta à física quântica e ao caos, passando por nomes como Hermes Trismegisto e Mestre Irineu. Em paralelo, aborda questões mais diretas, como a luta pela sobrevivência e os desafios da paternidade e maternidade em um mundo violento.

Entre o passado e a reinvenção

Musicalmente, o álbum amplia o leque de influências do RANCORE. O disco dialoga com o pós-punk dos anos 70 e 80, com nomes como The Fall, Public Image Ltd. e Feelies, enquanto também mergulha em texturas mais densas inspiradas por My Bloody Valentine, Deftones e Bowery Electric.

Ao mesmo tempo, mantém raízes no punk paulista, com referências a bandas como Cólera e Olho Seco.

Para o guitarrista Candinho Uba, essa evolução aconteceu de forma orgânica:

“Hoje nosso som nunca foi tão nosso. A gente busca autenticidade, mas também quer manter uma ligação com o passado. Encontrar esse equilíbrio é um desafio constante.”

Turnê já em andamento

A nova fase chega acompanhada de uma turnê que começa no dia 1º de maio, com show gratuito no Tendal da Lapa, em São Paulo. Em seguida, a banda passa por cidades como Americana, Brasília, Rio de Janeiro, Santos, Curitiba e Goiânia, com novas datas ainda a serem anunciadas.

Com “BRIO”, o RANCORE não apenas retorna, mas redefine seu próprio caminho, mantendo a essência construída ao longo dos anos enquanto abre espaço para novas possibilidades