Em 2015, na isolada costa oeste de Auckland, na Nova Zelândia, um grupo de músicos se reuniu em uma casa de praia alugada na semana de férias para realizar uma jam session. E assim, através desse momento de descontração entre amigos, foi formado o LEISURE.
Com influências que vão do city pop japonês até Bill Withers, a banda experimenta novas sonoridades desde os seus primeiros trabalhos. Logo nos primórdios, lançaram “Got It Bad” no SoundCloud, sem qualquer identificação sobre quem estava por trás da faixa que carrega uma batida mais solta com uma linha de baixo simples e um vocal etéreo com um refrão viciante: Girl, you think you got it bad. O som se espalhou e a estratégia do anonimato serviu para gerar ainda mais curiosidade e especulação.
Depois do início despretensioso e agora iniciando sua trajetória com obras mais elaboradas, o álbum de estreia homônimo, “Leisure” , chegou em 2018 e alcançou o segundo lugar nas paradas da Nova Zelândia. A essa altura, o projeto que começou como um hobby já havia assinado com a gravadora canadense Nettwerk Records.
O segundo disco, “Twister” (2019), expandiu o espectro sonoro da banda, incorporando guitarras elétricas mais densas que intercalavam com a sua essência mais “relaxada”.
Para além da música, a banda traz uma estética totalmente diferenciada em seu jeito de vestir, seus clipes e suas capas. Tudo muito bem pensado para que haja uma verdadeira integração entre o que se ouve e o que se vê. Tudo se transforma em algo unitário, para ver e ouvir e de cara saber de qual banda se trata. É a arte sendo explorada além do que se ouve, afinal, em apresentações ao vivo, o visual também faz parte da experiência.
Maturidade Criativa
Um dos grandes diferenciais da banda é a leveza com a qual lidam com um projeto que surgiu sem qualquer ambição comercial. Seu som transita pelo dance, synth-pop, funk, blue-eyed soul e R&B alternativo. Uma mistura que se justifica pelo afinco da banda em buscar novas experimentações e, através disso, desenvolver uma sonoridade diferenciada, que soem bem para si, sem maiores preocupações.
Toda essa consciência e maturidade não é à toa. Cada membro da banda já estava bem estabelecido na indústria musical neozelandesa antes do LEISURE existir.
O vocalista e guitarrista Suskov ficou mais conhecido por comandar o projeto de indie pop psicodélico Cool Rainbows. Já Parkes ganhou destaque inicialmente como baterista da banda pop punk de Auckland Goodnight Nurse, cujo álbum de estreia, Always and Never (2006), conquistou certificado de ouro pouco tempo depois de ser lançado.
Depois do encerramento do Goodnight Nurse, em 2010, o guitarrista Sam McCarthy passou a se dedicar ao projeto new wave Kids of 88
Fountain se tornou conhecido como integrante do grupo de EDM e hip-hop Kidz in Space, antes de consolidar carreira como um produtor bastante procurado, especialmente em trabalhos com a cantora e compositora de pop alternativo de Auckland, Benee.
Com isso, a junção de tanta experiência, vontade de criar e se divertir, formaram uma receita para o sucesso de uma banda que está se consolidando cada vez mais no cenário da música mundial, tendo realizado turnês de sucesso na Europa, Oceania e América do Norte.
Próxima parada: América do Sul
Com o Brasil confirmado na rota, com show único em São Paulo, os neozelandeses chegam no continente sul-americano em maio para se apresentar também em Bogotá, Cidade do México, Santiago e Buenos Aires.
A banda estará com a sua turnê do último disco “Welcome To The Mood”, um de seus trabalhos mais ambiciosos. O álbum explora, através de letras introspectivas, a criação de camadas sonoras muito detalhadas em um ritmo cadenciado. Os refrões são simples, mas ainda assim a sofisticação da música permanece em evidência.


