Em uma noite fria no Rio de Janeiro, a Fresno surgiu como válvula de escape para aquecer os corações de um público fiel, daqueles que sempre marcam presença e ainda conseguem surpreender. Nas palavras do vocalista Lucas Silveira: “Eu nunca vi a Fundição Progresso tão cheia”.
Com esse cenário, a banda chegou com a turnê de seu álbum mais recente, Carta de Adeus, tocado integralmente na abertura do set. Cada letra foi cantada pelo público como se aquelas músicas já carregassem décadas de história. Mais uma prova da sintonia entre a Fresno e seus fãs, relação que já caminha para 27 anos.



Destaque para o cover de Pessoa, de Marina Lima, uma das faixas mais marcantes dessa nova fase. A música combina a sonoridade melódica já familiar da banda com a carga emocional intensa da composição, que, de forma curiosa, dialoga com algumas das origens mais profundas do emo brasileiro.
Ainda dentro de Carta de Adeus, O Cantor e o Taxista domina o ambiente com notas de tirar o fôlego, explorando toda a potência vocal que Lucas Silveira consegue entregar. Com um jogo de luzes alternando entre flashes intensos e momentos de penumbra, o show construiu uma atmosfera densa, que acelerava a cada subida de tom dos riffs.
A @fresnorock no rio sempre tem outro peso né? 🖤
— Moodgate ⚡️ (@Moodgate_) May 24, 2026
a banda trouxe a turnê de Carta de Adeus e transformou a fundição num culto lindo! pic.twitter.com/4EHEIQC0G2
A balada Tudo Que Você Quer apareceu para transformar tristeza em pista de dança. Mesmo mantendo a carga emocional das letras, a faixa ganhou contornos mais soltos ao vivo.
Vou Tentar de Novo, uma das mais ouvidas do disco, fez jus à expectativa. Com arranjo preciso e instrumental muito bem encaixado, a música entregou exatamente o que se espera de uma apresentação ao vivo: não replicar a versão de estúdio, mas ampliar sua potência.


Toda a liberdade criativa que a banda teve no desenvolvimento de Carta de Adeus apareceu no palco. Lucas, Vavo e Guerra estavam confortáveis, com a naturalidade de quem parece tocar no quintal de casa, mas sem perder a dimensão de estar diante de uma casa lotada.
Foi um show longo, com repertório atravessando praticamente toda a trajetória da banda. Redenção, Milonga, Quebras Correntes, Eu Não Vou Deixar Você Morrer, Eu Nunca Fui Embora… teve de tudo.
e o hit atemporal Quebras Correntes marcando presença porque a Fresno simplesmente não sabe brincar com catálogo 🤘🏻 pic.twitter.com/AQa27KfEPA
— Moodgate ⚡️ (@Moodgate_) May 24, 2026
Um dos momentos mais aguardados veio quando Lucas Silveira desceu para a plateia e apresentou Eu Sou a Maré Viva no meio do público, virado para a câmera e cantando à capela. Uma cena que pegou muita gente de surpresa.
E teve agrado especial para os cariocas. Antes de Eu Sou a Maré Viva, Lucas puxou Evaporar, clássico lançado em 2004 que carrega uma conexão direta com o Rio de Janeiro.
Entre uma sequência intensa de hits e outra, a conversa com a plateia também encontrou espaço. Lucas fez questão de destacar a surpresa ao ver a Fundição tão cheia e agradeceu pela fidelidade que acompanha a banda há tantos anos.
Na reta final, Desde Quando Você Se Foi apareceu com novo arranjo. Os vocais seguiram em destaque, mas a segunda metade desacelerou o ritmo para aproximar ainda mais o público e colocá-lo no centro do espetáculo.


