George Harrison costumava evitar comentários sobre outros artistas. Ainda assim, quando decidia opinar, escolhia as palavras com cuidado e não escondia o que pensava. Em 1997, durante uma entrevista ao jornal francês Le Figaro, o ex-Beatle comentou sobre algumas das bandas mais populares da época, como Oasis, Texas e U2.
Ao ser perguntado sobre esses grupos, Harrison demonstrou pouco entusiasmo.
“Bobagem! Não são muito interessantes. São bons se você tiver 14 anos. Prefiro ouvir Bob Dylan.”
George Harrison criticou o ego do U2
Na sequência da entrevista, Harrison direcionou suas críticas ao U2. Segundo ele, a música dos anos 1990 valorizava mais a imagem e o sucesso comercial do que a criatividade.
“Sabe o que me irrita na música moderna? É tudo sobre ego. Veja um grupo como o U2. Bono e sua banda são tão egocêntricos. Quanto mais você pula, maior o seu chapéu, mais pessoas ouvem sua música.”
Além disso, o guitarrista afirmou que a indústria musical havia mudado suas prioridades.
“A única coisa que importa é vender discos e ganhar dinheiro. Não tem nada a ver com talento.”
Bono respondeu anos depois
Apesar das declarações de Harrison, Bono nunca respondeu às críticas com ataques. Pelo contrário, o vocalista do U2 sempre demonstrou respeito pelo ex-Beatle.
Depois da morte de George Harrison, em 2001, Bono participou de uma entrevista à CNN e falou sobre a importância do músico para a história do rock.
“Ele não era um grande fã do U2. Mas nós o adorávamos. Os Beatles abriram o caminho para uma banda como o U2, e George foi uma parte essencial disso.”
Em seguida, Bono destacou a contribuição de Harrison como compositor e afirmou que seu trabalho nem sempre recebia o reconhecimento merecido.
“Ele trouxe um tipo de genialidade para a composição que, às vezes, passa despercebida. Havia um lado misterioso em sua música que deu aos Beatles uma dimensão única.”
Mesmo com opiniões diferentes sobre a música contemporânea, Harrison e Bono deixaram claro, cada um à sua maneira, o respeito pela história construída pelos Beatles.


