Menos reunião, mais acorde: como a Lagum sobreviveu a 10 anos de indústria

Integrantes da Lagum em foto promocional da nova fase da banda
Lagum celebra uma década de carreira com a turnê Lagum em Todo Lugar. | Foto: Divulgação

Dez anos após transformar uma rima despretensiosa em profecia, a banda mineira revisita as raízes do primeiro disco, reflete sobre sobrevivência no mercado e abre as portas da turnê mais ambiciosa da carreira

Em 2016, quando quatro garotos de Belo Horizonte colocaram uma forma de bolo cheia de terra no chão para fotografar a capa de um trabalho independente, rimar “faço planos para agosto de 2026” era apenas a tradução pura da ansiedade de quem não aguentava mais esperar o amanhã. Não havia plano de negócios, suporte de grandes gravadoras ou qualquer garantia de que a música pagaria as contas do mês seguinte. Havia só a vontade crua de botar composições na praça e ver no que ia dar.

Dez anos depois, o tal agosto chegou. Longe de ser apenas uma lembrança distante, a data virou marco: o grupo consolidou indicações ao Grammy Latino, acumulou prêmios e se uniu à gigante Live Nation para montar a turnê Lagum em Todo Lugar.

Ver esse post no Instagram

Um post compartilhado por LAGUM (@lagumoficial)

A Moodgate trocou uma ideia franca com a Lagum sobre esse ciclo que se fecha e o próximo que já começou. O que encontramos não foi um quarteto deslumbrado com números ou arenas, mas velhos amigos que aprenderam a blindar a própria convivência e entenderam que a melhor resposta à inocência do início é o foco no presente.

Do bolo com terra ao ganha-pão real

Olhar para trás, para o vocalista Pedro Calais, não desperta aquele saudosismo vazio de quem deseja voltar no tempo, mas um orgulho imenso da cara de pau dos primeiros passos:

“Se eu tivesse que mandar um recado para aqueles meninos, seria só parabenizar. Hoje olho para o nosso passado com muito respeito e sentido: se não fossem eles sonhando e botando a mão na massa, a gente com certeza não estaria aqui. E o sinal de ter dado certo não são apenas os números ou as proporções que tudo tomou, mas o fato de estarmos completando dez anos vivendo exclusivamente de música.”

O guitarrista Jorge concorda com o riso solto de quem revisita memórias caseiras:

“A gente ouve certas passagens do Seja o Que Eu Quiser ou revê vídeos daquela época e pensa: cara, hoje a gente jamais faria isso! Mas tem uma verdade muito pura ali, de quem estava apenas se divertindo e entregando o que curtia. Essa essência de se comunicar sem filtro acompanha a banda até hoje.”

Essa guinada da brincadeira de garagem para uma profissão sólida tem data e comprovante bancário bem definidos. A banda relembra quando a conta finalmente fechou no azul, lá por maio de 2018:

“Até assinar com a gravadora, a gente não tirava um tostão, todo cachê de show era reinvestido direto na banda para custear gravações de faixas e produções de clipes. Nossas mães nos apoiaram muito, mas também mandaram a real sobre a situação.
O contrato veio e a partir dali, a Lagum virou o nosso ganha-pão e pudemos estruturar o projeto a longo prazo.”

Menos sala de reunião, mais instrumento na mão

Manter relevância durante uma década inteira é raridade no mercado atual; segurar a mesma formação intacta, com amizade de infância preservada e estúdio próprio, chega a soar improvável em um ecossistema que descarta projetos a cada trimestre.

O trunfo da banda foi simples: trocar o excesso de conversa pela prática. O grupo chegou a alugar uma sala comercial convencional de escritório em certa fase, mas logo percebeu que o excesso de burocracia e discussões verbais gerava atritos desnecessários. A virada aconteceu quando trocaram as mesas executivas pelos amplificadores. Hoje, dentro do próprio estúdio, eventuais pendências e energias acumuladas são resolvidas em cima dos acordes.

A essa dinâmica soma-se uma regra sagrada capitaneada por Jorge: pausas e férias programadas. Em uma rotina que mistura criação de segunda a quinta com van e aeroporto aos finais de semana, descansar a cabeça não é capricho, é combustível. Para o quarteto, o ócio respeitado é o único caminho para processar estímulos e deixar novas composições brotarem naturalmente.

Epicentro em Belo Horizonte

Dar a largada na turnê nacional em Belo Horizonte não é acaso: é questão de raiz. Mesmo que São Paulo responda hoje pela maior concentração de ouvintes da banda, a capital mineira é o porto seguro afetivo de onde tudo transborda – seja resgatando gravações no Automóvel Clube, estampando a arquitetura do Edifício Niemeyer na identidade visual de As Cores, as Curvas e as Dores do Mundo, ou ocupando a varanda da Rua Sapucaí com intervenções urbanas, a cidade dita a pulsação do grupo.

Montar a setlist dessa celebração tem sido o equivalente a erguer uma antologia ao vivo: equilibrar hinos populares como Deixa e Oi, resgatar faixas queridinhas de lado B que os fãs mais apaixonados carregam tatuadas na pele, reformular arranjos antigos e abrir espaço para a pegada crua e enérgica da fase recente.

Quando provocados a inverter o tempo – imaginando o que a versão da Lagum de 2036, com mais dez anos de estrada na bagagem, diria para os caras que sobem no palco hoje -, a resposta não teve rodeios:

“Seria um baita ‘muito obrigado’. A gente está ralando muito agora: rodando rádio no interior, tocando no Nordeste, gravando live no Bondinho do Pão de Açúcar, live na Amazônia, ensaiando todo santo dia… mas a cabeça está alinhada. Daqui a dez anos, o sentimento vai ser de pura gratidão por não termos tirado o pé do acelerador neste momento.”

Aquele futuro distante anunciado num verso de estreia agora é chão firme. Para a sorte de quem acompanha música brasileira sem amarras, encontrou a casa cheia, as guitarras calibradas e os mesmos mineiros prontos para colocar barulho na estrada.

Lagum em Todo Lugar – a celebração de tudo

Mais do que apenas uma turnê comemorativa, este novo capítulo marca o início de uma escala inédita na trajetória da banda. Realizada e produzida pela Live Nation, a turnê Lagum em Todo Lugar promete um espetáculo totalmente reformulado, com direção de arte exclusiva, cenografia grandiosa e novas roupagens pensadas sob medida para celebrar uma década de estrada com a densidade que a história do grupo merece.

Para quem acompanhou essa construção degrau por degrau – ou para quem simplesmente quer vivenciar um dos shows ao vivo mais divertidos da música brasileira atual -, a celebração já tem data e lugar marcados.

Os ingressos já estão disponíveis pela Ticketmaster e nos canais oficiais da Live Nation Brasil. Garanta o seu lugar e faça parte desse reencontro com a história!