O Knocked Loose ao longo de trajetória mostrou dominar a arte da música bruta com bastante profundidade. A banda chegou ao seu ápice com bastante criatividade e originalidade, renascendo e impactando mais as pessoas com o gênero do metalcore. Em algum lugar entre nervosismo e frenesi impaciente, o lançamento do novo disco You Won’t Go Before You’re Supposed To representa uma ascensão vertiginosa para o status de salvador do metalcore. Nenhuma licença é feita durante 27 minutos e há apenas um objetivo em mente: sobrecarregar.
O quinteto otimizou todas as virtudes do triunfal A Different Shade of Blue, de 2019, além de integrar acertos do A Tear in the Fabric of Life, de 2021, embora sem a mesma consistência conceitual. Cortando qualquer excesso, a proporção de passagens sobre a morte também expande o estilo da banda e, impulsionado pelo ambicioso produtor Drew Fulk, o projeto consegue criar faixas mais autorais que seu antecessor ou o Laugh Tracks, de 2016.
Mergulhando o ouvinte em um caldeirão de angústia, as canções exploram novas profundezas do desprezo, como evidenciado pelo primeiro single Blinding Faith, uma crítica feroz ao pensamento religioso e à hipocrisia que eventualmente o acompanha. Depois que Thirst introduz os ouvintes a síntese da modernidade com detalhes impiedosos dos timbres de guitarra, o vocal raivoso de Bryan Garris, de uma bateria esgarçando o metal e um baixo preenchendo a atmosfera. Em seguida, a música Piece By Piece traz com mais temor os elementos do metalcore e um prólogo do que estar por vir nesse álbum, no qual cada faixa é singular.
É durante Suffocate que Knocked Loose cruza horizontes com a ajuda de Poppy. A colaboração com a artista cria uma simbiose pop-metal, seja no offbeat do segundo verso ou durante a curiosa batida de Reggaeton.Sendo um dos singles mais inovadores. nele se exala a modernidade com a intensidade de Bryan e Poppy e a construção de todo instrumental criando um ambiente perfeito para alcance de público. Devido a isso, a banda mostrou relevância ao conquistar o seu lugar no Viral 50 USA. Mas apesar disso, o Knocked Loose obviamente não dá a mínima para expectativas e continua fazendo aquilo que deseja, embora corra mais riscos desta vez.
Depois de Don’t Reach For Me reforçar sua autoria mais violenta, Take Me Home simboliza a introspecção assustadora do mundo emocional de Garris. Ao mesmo tempo, o quinteto é tão honesto que, estritamente falando, há pouco para ser descoberto, o potencial de crescimento é limitado – apesar do atrito parecer administrável a médio prazo – e por isso existe a sensação de que falta alguma faísca.
Quando ultrapassamos a metade do álbum, Slaughterhouse 2 funciona como sequência de outra faixa presente no Scoring The End Of The World, do Motionless in White, e agora convida Chris Cerulli. Aqui, o Knocked Loose oferece a própria leitura sobre o anticapitalismo, embora de forma menos atrativa, além de abordar temas musicais já familiares. Ainda em linha com os singles do EP Upon Loss lançados no ano passado, Sit & Mourn encerra a grande experiência minimalista ao alternar entre passagens influenciadas pelo black metal e uma narração final como o último vestígio de ansiedade por aqui.
You Won’t Go Before You’re Supposed To nasceu da necessidade interna de aprimoramento após longas turnês por palcos quase minúsculos ou festivais onde não há muitas bandas do seu gênero. O Coachella não parecia um espaço familiar para os aventureiros de Kentucky e novas colaborações levantavam receios sobre mudanças no rumo musical, mas nada poderia estar mais longe da realidade e a missão de ir sempre ao limite continua tão válida quanto nos primórdios.