Knocked Loose — You Won’t Go Before You’re Supposed To

O Knocked Loose ao longo de trajetória mostrou dominar a arte da música bruta com bastante profundidade. A banda chegou ao seu ápice com bastante criatividade e originalidade, renascendo e impactando mais as pessoas com o gênero do metalcore. Em algum lugar entre nervosismo e frenesi impaciente, o lançamento do novo disco You Won’t Go Before You’re Supposed To representa uma ascensão vertiginosa para o status de salvador do metalcore. Nenhuma licença é feita durante 27 minutos e há apenas um objetivo em mente: sobrecarregar.

O quinteto otimizou todas as virtudes do triunfal A Different Shade of Blue, de 2019, além de integrar acertos do A Tear in the Fabric of Life, de 2021, embora sem a mesma consistência conceitual. Cortando qualquer excesso, a proporção de passagens sobre a morte também expande o estilo da banda e, impulsionado pelo ambicioso produtor Drew Fulk, o projeto consegue criar faixas mais autorais que seu antecessor ou o Laugh Tracks, de 2016.

Depois de Don’t Reach For Me reforçar sua autoria mais violenta, Take Me Home simboliza a introspecção assustadora do mundo emocional de Garris. Ao mesmo tempo, o quinteto é tão honesto que, estritamente falando, há pouco para ser descoberto, o potencial de crescimento é limitado – apesar do atrito parecer administrável a médio prazo – e por isso existe a sensação de que falta alguma faísca.

Quando ultrapassamos a metade do álbum, Slaughterhouse 2 funciona como sequência de outra faixa presente no Scoring The End Of The World, do Motionless in White, e agora convida Chris Cerulli. Aqui, o Knocked Loose oferece a própria leitura sobre o anticapitalismo, embora de forma menos atrativa, além de abordar temas musicais já familiares. Ainda em linha com os singles do EP Upon Loss lançados no ano passado, Sit & Mourn encerra a grande experiência minimalista ao alternar entre passagens influenciadas pelo black metal e uma narração final como o último vestígio de ansiedade por aqui.

You Won’t Go Before You’re Supposed To nasceu da necessidade interna de aprimoramento após longas turnês por palcos quase minúsculos ou festivais onde não há muitas bandas do seu gênero. O Coachella não parecia um espaço familiar para os aventureiros de Kentucky e novas colaborações levantavam receios sobre mudanças no rumo musical, mas nada poderia estar mais longe da realidade e a missão de ir sempre ao limite continua tão válida quanto nos primórdios.

Nota: 8