A fúria poética do pós-punk irlandês do Fontaines D.C.

Formada por Grian Chatten (vocal), Carlos O’Connell, Conor Curley (guitarras), Conor Deegan III (baixo) e Tom Coll (bateria), Fontaines mistura pós-punk, garage rock e narrativas urbanas, com comparações a Joy Division, The Pogues e até U2.

Confirmado na edição de 2025 do Lollapalooza Brasil, o Fontaines D.C. se apresenta no dia 26 de março em um show solo na Audio (SP) e no dia 28 de março no Lollapalooza Brasil. A banda promete entregar um daqueles shows marcantes que, além de conquistar os fãs, faz quem não conhece se interessar pela banda.

O surgimento da banda

Em um pub escuro de Dublin, onde o cheiro de cerveja mistura-se ao murmúrio de poemas declamados, cinco jovens encontraram-se não apenas para fazer música, mas para contar histórias. Assim nasceu a Fontaines D.C. O nome, uma homenagem ao personagem Johnny Fontane de O Poderoso Chefão, ganhou o sufixo “D.C.” (Dublin City) para evitar confusão — e carregar, como um selo, a identidade da capital irlandesa.

Raízes na poesia

A relação da banda irlandesa Fontaines D.C. com a poesia é intrínseca, quase umbilical. Desde sua formação, em 2017, a poesia não apenas inspirou suas letras, mas moldou sua identidade, conectando raízes literárias à energia crua do pós-punk.

Antes mesmo de compor canções, os cinco integrantes publicaram duas coletâneas de poemas: Vroom, inspirada nos poetas da Geração Beat (como Jack Kerouac e Allen Ginsberg), e Winding, que mergulha na tradição literária irlandesa.

Esses poemas, embora não tenham sido diretamente transformados em músicas, estabeleceram a base lírica da banda. A faixa Television Screens (do álbum Dogrel), por exemplo, começou como um poema antes de ganhar arranjos musicais.

Principais álbuns

Dogrel (2019)

O álbum de estreia, lançado pela Partisan Records, foi aclamado como um marco do pós-punk moderno. Com letras inspiradas na poesia da classe trabalhadora irlandesa (doggerel), o disco misturava energia crua com narrativas urbanas. Das 11 faixas, “Boys In The Better Land” e “Big” se destacam por capturar a essência de Dublin, rendendo elogios da crítica e indicações ao Mercury Prize e Choice Music Prize.

Músicas para escutar: Big e Too real

Skinty Fia (2022)

Primeiro álbum da banda a alcançar o topo das paradas no Reino Unido e Irlanda, consolidou a banda no mainstream. Com temas políticos e experimentações sonoras (como elementos de trip hop), o disco rendeu o Brit Award de Melhor Grupo Internacional.

Músicas para escutar: I Love You e Roman Holiday

Romance (2024):

O quarto álbum, produzido por James Ford (Arctic Monkeys e Blur), marcou uma virada estilística na carreira da banda.

Com arranjos mais suaves, baladas e até flirt com hip-hop, como, por exemplo, na faixa “Starburster” a banda buscou ampliar seu apelo e desenvolver seu som para além da “aspereza” presente nos trabalhos anteriores, entregando um som mais diversificado.

Para saber mais sobre este aclamado álbum, confira a nossa review aqui

Músicas para escutar: Death Kink e Starburster

O que esperar do show no Brasil?

Popularmente impulsionada como uma das bandas mais importantes do pós-punk atual, nos palcos, eles mantêm a energia de quem começou em porões: Grian balança o microfone como um boxeador, os Conors se entreolham como velhos amigos de pub, e Tom Coll, na bateria, parece marcar o ritmo de um protesto e o baixo de Deegan ecoa como um coração inquieto.

Portanto, preparem-se para uma apresentação completamente enérgica do início ao fim.