Foo Fighters – Your Favorite Toy

Foo Fighters
Foto: Divulgação
7.2

Your Favorite Toy, o novo álbum do Foo Fighters, entrega exatamente o que se espera ao dar play em um material da banda.

Os vocais são enérgicos e o instrumental potente, com aquela combinação clássica do começo lento seguido por uma bateria insistente e riffs repetitivos de guitarra, presentes em várias canções. 

O que se diferencia aqui, então, é o plano de fundo pessoal que deu origem ao álbum. Sendo o segundo disco seguido criado e produzido sob circunstâncias marcantes, é possível encontrar, aqui, o disco mais “malvado” do Foo. Os recentes escândalos envolvendo o nome do frontman, Dave Grohl, sobre seu casamento e filhos fora dele parecem, inclusive, tê-lo deixado no limite.

Adjetivos que descrevem Grohl podem incluir: engraçado, carismático, bem-humorado… a simpatia em pessoa, basicamente. Mas aqui ele abraça um lado mais vilanesco sem perder em nada a essência do conjunto, chegando inclusive a debochar daqueles que o colocaram em um pedestal com a música homônima. 

> Get back, hear that, boy? (Volte, ouviu isso, garoto?)

> Someone threw away your favorite toy for good (Alguém jogou fora de vez o seu brinquedo favorito)

Uma discussão mais aberta sobre as temáticas polêmicas, contudo, encontra-se fora de cogitação. O foco lírico é muito mais sobre as reações dele em relação a tudo o que se passou, tanto interna quanto externamente, além de, mais uma vez, ele mostrar como a música é capaz de extravasar sentimentos mais complexos.

Num tom completamente diferente, ele demonstrou essa mesma capacidade em But Here We Are (2023), quando expressou o luto e a dor através da música, com composições mais sensíveis do que jamais o vimos fazer, além da sonoridade mais “fora da caixa” em algumas faixas.

Num contraste nítido com as composições reflexivas e sem filtros feito no trabalho supracitado, que pode ser considerado o mais musicalmente expansivo e emocionalmente revelador do Foo Fighters até hoje, Your Favorite Toy é um grande dedo do meio protagonizado por alguém que parece, finalmente, estar dando a volta por cima.

Mesmo que, como dito, o álbum ecoe sobre o passado da banda, musicalmente também há o cuidado de estabelecer os próximos passos. Eles contam com um novo baterista, Ilan Rubin, ex-Nine Inch Nails, depois da rápida passagem de Josh Freese e a atuação do próprio Dave no disco anterior.

As faixas mais vibrantes são o ponto alto do álbum: Caught In the Echo, Of All People, Your Favorite Toy… já Window, por exemplo, beneficia-se de uma musicalidade peculiar quando comparada ao conjunto da obra, mas peca muito e se perde por causa de um refrão fraquíssimo e pouco inspirador, permanecendo naquela sensação de “uma nota só” até o final, salvo uma pausa instrumental com retomada muito clichê

If You Only Knew traz aquele vocal rasgado característico, mas sua previsibilidade também a torna uma música muito fraca, com uma sonoridade característica dos anos 1990 que já é muito datada. Já em Unconditional, ele faz o único apelo do álbum inteiro, abordando nominalmente os problemas que fizeram surgir o disco, com o ritmo mais suave servindo de combustível para promessas de melhorar. 

O encerramento fica por conta de Asking for a Friend, uma balada poderosa, apesar de também clichê, com um começo que parece já ter sido ouvido outras vezes ao longo da discografia da banda. E, apesar de se arrastar um pouco mais do que deveria, a finalização da obra é contundente com o álbum que é o mais enxuto da banda, mas também um dos mais agressivos pela clara revolta sentida pelo principal responsável pelas composições.

Your Favorite Toy parece ser o tipo de obra que se beneficiará, e muito, com o destino mais aguardado pelos fãs: os palcos. Como uma das, se não a maior, banda de arena da atualidade, é comum que os trabalhos do Foo Fighters ganhem muito mais força quando performados ao vivo e a plenos pulmões. De qualquer maneira, estaremos lá para provar se a recíproca será, mais uma vez, verdadeira.

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Foo Fighters – Your Favorite Toy
7.2