Emicida retorna aos palcos com show emocionante e reafirma seu lugar no topo do rap nacional

Emicida e convidados durante show no Espaço Unimed com projeções no palco
Emicida se apresenta no Espaço Unimed em show que celebra sua trajetória e homenageia o rap nacional. Foto: @bmaisca

Emicida voltou aos palcos após alguns anos afastado com um show emocionante no Espaço Unimed, em São Paulo. A apresentação funcionou como uma grande homenagem aos seus ídolos, os Racionais MC’s, e também como um passeio completo por todas as fases de sua carreira, um verdadeiro presente para os fãs que acompanham sua trajetória desde o começo.

A setlist caminhou por toda sua discografia, indo desde a primeira mixtape até o álbum mais recente, Emicida Racional VL 2: Mesmas Cores & Mesmos Valores. A abertura já indicava o tom intimo da noite: “Essa É Pra Você Primo”, faixa em homenagem ao DJ Primo, amigo do rapper que morreu em 2008.

A apresentação foi dividida em cinco atos, indicados no telão. Essa construção ganha ainda mais força com a presença de DJ Nyack, parceiro de Emicida desde o início da carreira. Ao longo do show, ele incorpora samples icônicos sobre as batidas das músicas, conectando diferentes épocas e referências. Entre elas, trechos dos próprios Racionais, além de nomes como Tim Maia e Olhos Coloridos, clássico na voz de Sandra de Sá.

Outro elemento marcante foi a forma como Emicida reinterpretou sua própria obra a partir dessas influências. Em diversos momentos, o rapper apresentou músicas da sua carreira sobre bases inspiradas nos Racionais, reforçando a conexão direta com o grupo que ajudou a moldar sua identidade artística.

O show também teve um forte caráter político. Durante as apresentações, o telão exibiu interludeos politicos e mensagens contundentes como “Dedicado às 168 meninas assassinadas em uma escola do Irã pelos amigos de Epstein”, durante a música Ismália, faixa do álbum AmarElo, que trouxe um dos momentos mais densos e sensíveis da noite.

Com mais de três horas de duração, a apresentação contou com participações especiais que ajudaram a construir esse espetáculo. No segundo ato, Emicida convidou Rashid e Projota para apresentar A Mema Praça, faixa do novo álbum que dialoga diretamente com A Praça, dos Racionais.

Na sequência, o trio reviveu sua parceria histórica e performou o hino Nova Ordem, mostrando a força dos Três Temores dentro do rap nacional. O momento evidenciou a química construída ao longo dos anos e o peso simbólico dessa união na cena. Na sequência, Edi Rock subiu ao palco, simbolizando a ponte entre gerações e consolidando esse encontro.

Também participaram os Prettos, cantando com Emicida a faixa Quem tem um amigo tem tudo, ampliando ainda mais a diversidade sonora do espetáculo. Com a presença do samba no repertório, o show conectou diferentes tradições da música brasileira dentro da mesma narrativa.

A noite ainda contou com a participação de Jotapê, que protagonizou um dos momentos mais emocionantes ao homenagear Emicida com uma rima que exaltava sua influência. O encontro terminou em um abraço longo e simbólico, representando o impacto do artista nas novas gerações.

Mas foi na reta final que o show atingiu seu ponto mais sensível. Ao cantar Mãe, música dedicada à Dona Jacira, Emicida não conseguiu conter a emoção. A perda recente de sua mãe deu um novo peso à performance, que foi acompanhada por lágrimas no palco e na plateia.

No telão, a expressão em quéchua “tupananchiskama” (“até que a vida volte a nos reencontrar novamente”) reforçava a carga simbólica do momento, não havia uma pessoa no Espaço Unimed que não estivesse visivelmente emocionada.

Depois de mais de uma década de trajetória, a turnê Mesmas Cores & Mesmos Valores se consolida como um dos pontos mais altos da carreira de Emicida. O espetáculo consegue dialogar com todas as fases do artista e com diferentes gerações de fãs, dos que acompanham desde o início até os que chegaram a partir de AmarElo, seu projeto mais popular.

Mais do que revisitar sua história, o show reafirma seu lugar no rap nacional. Mesmo após anos afastado dos palcos, Emicida retorna com a sensação de que ainda não há competição à altura consolidando sua posição como a voz mais importantes de sua geração.