Os Jonas Brothers voltaram a São Paulo nesta quarta-feira, (13), para celebrar seus 20 anos de carreira. Em um show parcialmente similar com o último realizado na capital paulista em 2023, o trio trouxe em 2026 uma nova atração: um regular álbum de inéditas com um storytelling que leva a audiência à uma jornada de pertencimento. A memória afetiva ainda está presente em grande parte da performance, mas as faixas novas engrandecem um espetáculo que, em suma, é um lembrete sobre identificação.
A nova turnê acompanha o disco Greetings From Your Hometown, lançado em 2025, onde Nick, Joe e Kevin escrevem sobre suas raízes em New Jersey, o caminho ao estrelato e o retorno ao local onde surgiram. Existe aqui uma espécie de autoanálise sobre a própria história – que até abre precedente para tornar-se sombra de tempos melhores -, com os irmãos conseguindo extrair parte do que os colocou no topo da indústria teen anos 2000.
Eles reiteram com facilidade o fato de serem músicos talentosos, a banda de apoio (formada por ex integrantes do ótimo projeto solo de Joe, o DNCE) agiganta uma apresentação naturalmente animada e os telões mostrando imagens da infância e adolescência ajudam o público a entender o cerne de um legado baseado em música e família.
“Esse show celebra 20 anos de banda. E vocês fazem parte disso.”
— Moodgate ⚡️ (@Moodgate_) May 13, 2026
Esses são os Jonas iniciando o show no Nubank Parque, com direito ao Joe usando uma jaqueta com “O HEXA VEM”. 🇧🇷
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Como de praxe, a setlist funcionou como uma viagem pela carreira, passando pelos clássicos que marcaram a adolescência de milhares de fãs na época do Disney Channel até as faixas mais recentes, que até mostram uma trinca madura e confortável com a própria identidade. Nick, Joe e Kevin são popstars, por mais que tenham crescido criando um pop punk de gaveta para quem nunca foi muito do rock. Ainda assim, eles se distanciam da ideia de serem figurantes: nada soa muito deslocado.
Nick, o mais talentoso, tem mais tempo em seus atos solo. Os arranjos atuais das versões de “Jealous” e “Champagne Problems”, por exemplo, tornam duas faixas sem muito brilho em um ótimo momento pop radiofônico. Joe, o mais carismático e amado, tem voz mais cativante e conquista no carisma, mas cresce de tamanho justamente nas faixas de seu ex-grupo, o DNCE. “Cake By The Ocean”, “Doctor You” e “Kissing Strangers” mereciam mais protagonismo, inclusive.
Quem agora não fica para trás é Kevin, o mais velho, que sempre preferiu ficar longe dos holofotes: é o guitarrista do background, o protetor, aquele que prefere cuidar da família do que necessariamente investir em projetos paralelos. No entanto, agora tem até uma parte da set reservada só pra ele, com faixas recém lançadas e juras de amor ao Brasil em um momento com pirotecnias e fãs enlouquecidos. Finalmente!
A participação da sempre ótima Vanessa da Mata – uma das artistas brasileiras favoritas de Joe – para Boa Sorte (Good Luck), originalmente com Ben Harper, emocionou as mais de 30 mil pessoas que ali estavam presentes. O mesmo não ocorreu com Luísa Sonza, que ainda que seja injustamente criticada por polêmicas vazias, colaborou com o trio em uma tentativa lânguida de homenagear a Bossa Nova.
Vanessa da Mata no palco para performar “Boa Sorte (Good Luck)”.
— Moodgate ⚡️ (@Moodgate_) May 14, 2026
Com Joe cantando a parte do Ben Harper! 🇧🇷
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Por outro lado, em mais uma noite em São Paulo, ficou claro que os Jonas entendem perfeitamente o tamanho da relação construída com o público ao longo dessas duas décadas. O clima era de celebração coletiva mesmo, como os encontros de família de tempos mais simples. Tudo cantado em coro, dando espaço a um sentimento comum de união. Havia emoção, nostalgia e, acima de tudo, uma sensação de reencontro.
Ao vivo, eles conseguem unir uma performance polida com energia leve e espontânea. É justamente essa dinâmica entre os irmãos que faz a banda funcionar: cada um ocupa um espaço muito claro dentro do show.
A produção acompanhou o tamanho da ocasião, com telões, iluminação dinâmica e momentos pensados para valorizar tanto as músicas mais grandiosas quanto as mais intimistas. Ainda assim, o grande diferencial da apresentação foi algo mais simples: simpatia. Os Jonas Brothers têm facilidade de fazer um estádio parecer pequeno, criando uma atmosfera próxima mesmo em uma estrutura gigantesca.
O retorno à capital paulista serviu como prova de que os Jonas continuam relevantes; se não pela nostalgia, pela performance e pela relação com os fãs. Depois de 20 anos, a banda parece entender melhor do que nunca quem é e talvez seja justamente isso que torne a fase atual em um momento tão especial.


