Do deathcore ao pop futurista: a transformação absurda do Bring Me the Horizon

Bring Me the Horizon
Foto: Divulgação

A estreia do Bring Me The Horizon no Rock in Rio 2026, no dia 5 de setembro, simboliza muito mais do que a (merecida) ascensão da banda. Na verdade, ela representa todas as camadas que ajudaram a construir e consolidar a carreira do grupo. Com uma trajetória improvável e surpreendente, em pouco mais de duas décadas,z o BMTH saiu do deathcore caótico para se tornar uma das bandas mais ambiciosas e revolucionárias do cenário atual, sem se limitar a um único rótulo.

O caos brutal dos primeiros anos

No começo dos anos 2000, o Bring Me The Horizon era sinônimo de brutalidade. Formada em Sheffield, na Inglaterra, a banda iniciou a carreira com uma clara influência do deathcore. Com vocais rasgados e breakdowns violentos, discos como o Count Your Blessings (2006) e o Suicide Season (2008) conquistaram uma forte base de fãs, ainda que de maneira bem nichada.

Não bastasse o peso sonoro característico, o apelo visual do grupo também se destacou desde o princípio. O vocalista Oliver Sykes virou praticamente um símbolo dessa geração, que abraçava a estética emo que dominou o mundo no início dos anos 2000.

Sempiternal: o divisor de águas na carreira do BMTH

Para os amantes de deathcore, o lançamento de There Is A Hell, Believe Me I’ve Seen It. There Is A Heaven, Let’s Keep It A Secret (2010) já foi um pequeno balde de água fria. Mas a verdadeira mudança do Bring Me só se tornou evidente com o Sempiternal (2013), álbum que redefiniu completamente o alcance e a trajetória da banda.

O peso continuava ali, mas agora acompanhado de melodias e refrões mais emocionais, migrando do deathcore para o metalcore. Muito disso, inclusive, se deve ao tecladista e produtor Jordan Fish, que integrou o grupo entre 2012 e 2023. Fish trouxe uma dinâmica totalmente diferente para os novos álbuns, apostando em elementos eletrônicos e composições melódicas sem perder a essência do BMTH.

Do metalcore ao pop futurista

Se o That’s The Spirit (2015) já apontou para um som mais diversificado, foi com o amo (2019) e os volumes 1 e 2 do Post Human (2020, 2024) que o grupo abraçou de vez o pop futurista. Tudo isso sem perder a sua identidade, nem abandonar o seu lado mais “agressivo”, típico da banda. Como resultado, alcançaram ainda mais fãs e, ao mesmo tempo, se consolidaram como uma das maiores potências musicais dessa geração.

A prova disso foi a apresentação realizada em 30 de novembro de 2024, no Allianz Parque, em São Paulo, que rendeu à banda o maior show da sua carreira. Com ingressos esgotados e um público de mais de 50 mil pessoas, o concerto ganhou um longa, com direito a CD e vinil, chamado L.I.V.E. in São Paulo (Live Immersive Virtual Experiment).

O peso continua (só que de outra forma)

Apesar das mudanças, existe um elemento que permaneceu intacto: a intensidade emocional do Bring Me The Horizon. Isso porque, mesmo nas faixas mais pop, o grupo continua carregando angústia, colapso mental e tantas outras questões existenciais como temas centrais da sua música. O caos apenas ganhou novas formas.

E não foi apenas o som que mudou. O BMTH soube se reinventar também no universo multimídia. Videoclipes futuristas, narrativas distópicas, uso de inteligência artificial e shows cada vez mais cinematográficos trouxeram um peso diferente para quem acompanha a banda, tornando toda a experiência de “ser fã” ainda mais intensa.

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