Terno Rei revisita Nenhuma Estrela após um ano e reflete sobre o futuro da banda

Ale Sater, do Terno Rei, se apresenta no palco do Vivo Rio durante a turnê do álbum Nenhuma Estrela.
O Terno Rei passou pelo Vivo Rio e refletiu sobre o primeiro ano de Nenhuma Estrela em entrevista à Moodgate. Foto: Juliana Nave (Moodgate)

Na noite deste domingo (31), o Terno Rei subiu ao palco do Vivo Rio para mais uma apresentação da turnê de Nenhuma Estrela, álbum lançado em maio de 2025 e que consolidou um dos momentos mais importantes da carreira da banda. Antes do show, a Moodgate conversou com os integrantes sobre o primeiro ano de vida do disco, as surpresas que surgiram ao longo da estrada e o que vem pela frente.

Para Ale Sater, a relação do público com o álbum continua se transformando conforme as músicas ganham espaço nos shows. Segundo ele, a circulação das canções ao vivo faz com que mais pessoas compreendam as intenções e os sentimentos presentes no trabalho.

“Cada dia que passa as pessoas conhecem um pouco mais as músicas. O lance da gente tocar elas ao vivo ajuda bastante todo mundo a entender a ideia e o sentimento delas. Tem sido muito legal. É nosso quinto disco e a gente é muito feliz com ele.”

Além disso, algumas faixas passaram por um processo curioso de crescimento junto ao público.

As surpresas da estrada

Se hoje músicas como Programação Normal e Casa Vazia aparecem entre as mais celebradas pelos fãs, nem sempre foi assim. Segundo Bruno Paschoal, a repercussão dessas faixas surpreendeu a própria banda.

“Acho que Casa Vazia e Programação Normal. São duas músicas que a gente não botava tanta fé, mas ao vivo a galera gosta bastante. Foram surpresas muito boas.”

Por outro lado, o passar do tempo também alterou a forma como os integrantes enxergam o álbum. Embora o significado central das músicas permaneça o mesmo, a experiência dos shows cria novas conexões com o repertório.

“Conforme você vai tocando as músicas ao vivo, elas vão ganhando novos significados. Não acho que o significado mudou completamente, mas você cria novos carinhos por determinadas músicas. As coisas mudam do estúdio para a estrada.”

Do estúdio para o palco

Essa transformação também acontece nos arranjos. Afinal, muitas das ideias registradas em estúdio precisam ganhar novas formas para funcionar diante do público.

“Tem coisa que era violão e virou guitarra. Tem coisa que era synth e virou guitarra também. Depois que você termina um disco, precisa descobrir como tocar aquelas músicas ao vivo de um jeito que funcione. Esse é um desafio que a gente gosta.”

A música que melhor representa esse primeiro ano

Questionados sobre qual faixa de Nenhuma Estrela melhor simboliza esse primeiro ano de estrada, a escolha foi praticamente imediata.

Programação Normal. A letra tem muito a ver com esse lance de estar na estrada. A gente está há sete ou oito anos viajando direto. Além disso, foi uma música que o público abraçou muito mais do que a gente imaginava”, afirmou Ale.

O lugar de Nenhuma Estrela na história do Terno Rei

Mesmo com uma discografia cada vez mais consolidada, os integrantes enxergam Nenhuma Estrela como um capítulo fundamental da trajetória da banda.

“Agora ele é o nosso lugar principal. É o disco que estamos trabalhando, a nossa última paixão. Estamos descobrindo ele a cada show”, disse Loobas.

Enquanto isso, Greg Maya acredita que o álbum também marca o encerramento de um ciclo criativo.

“Ele representa o fim de uma era. Acho que tem todas as fases do Terno Rei ali dentro, tudo que a gente experimentou até hoje. Talvez seja um teto que conseguimos alcançar. E acho que o próximo disco pode seguir por um caminho mais diferente.”

O que o Terno Rei está ouvindo atualmente?

Além de falar sobre o próprio trabalho, a banda também compartilhou algumas recomendações para quem gosta de acompanhar novos artistas.

Greg destacou o disco solo de Cameron Winter, vocalista do Geese, além da banda Kyo, que chamou sua atenção recentemente. Já Ale citou nomes como Nourished By Time, Cortisa Star, Channel Beads e Bleach Lab, artistas que têm aparecido com frequência em suas audições recentes.

Por fim, os integrantes reforçaram o entusiasmo com a quantidade de novos projetos surgindo atualmente.

“Tem muita coisa legal acontecendo. A gente gosta de acompanhar bandas novas. O cenário é bom.”